Friday, June 24, 2011

Novo comentário.

Bruno Braga.


 

Abaixo publico um comentário - redigido por mim e gravado em itálico - sobre o texto "Guinada à direita do Governo Dilma Rousseff", de Francisco Fernandes Ladeira. Texto este publicado no Blog "ZinneCult" [http://zinnecult.zip.net], onde é permitido ao leitor, além de acompanhar os debates e discussões, postar as suas próprias observações.

Cordialmente,

Bruno Braga.

Belo Horizonte, 24 de Junho de 2011.

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Caro Francisco,

O governo Dilma Rousseff não é um desvio de sentido ou de direção das políticas adotadas por seus antecessores imediatos – seja a de seu padrinho e guru Lula, ou a de Fernando Henrique Cardoso. Sim, Fernando Henrique Cardoso. Porque a configuração da política nacional de hoje foi construída no passado, a partir da aliança entre uma elite "intelectual" uspiana – da qual fazia parte o tucano – e os movimentos sindicais – sendo Lula o seu principal líder. Ambos têm raízes no Socialismo e no Comunismo - portanto, são de "esquerda". Os desdobramentos posteriores da disputa eleitoral, incluindo a polarização PT/PSDB, são apenas disputas por cargos e poder, já que os projetos e a ideologia são "quase" idênticos. Digo "quase" porque há apenas uma divergência quanto ao aparelhamento do Estado, que é privilegiado pela esquerda petista. Nos outros domínios não existem divergências substanciais, seja no plano econômico, social, ou nas questões culturais. Sendo assim, não há, entre as principais siglas que disputam o poder no tabuleiro da política nacional, nenhuma de "direita". O termo, "direita", se tornou apenas uma projeção estereotipada – de caráter acusatório e estratégico - promovida pela própria "esquerda" socialista-comunista para denunciar uma "força obscura", indefinida, quando algo obstaculiza as suas ambições.

A estratégia do socialismo-comunismo é a seguinte: avançar de acordo com a recepção pública de seus projetos. Se há uma reação significativa contrária a estes projetos ele recua, apenas adiando suas pretensões; mas se não há oposição, na maioria das vezes por causa da ocultação e da fraude, ele avança. Esta foi a estratégia para o referendo sobre as armas: a população deu a sua resposta, mas, insatisfeitos, os oportunistas não demoraram para explorar a tragédia de Realengo para retomá-lo. Da mesma forma aconteceu com as posições abortistas dos dois principais candidatos na campanha eleitoral para a Presidência da República, e agora se passa o mesmo com o "Kit gay".

Quanto a este último, é um equívoco reduzir o veto da Presidente como resultado exclusivo do "lobby religioso" – para muitos, "fundamentalismo" religioso. Embora protestantes, católicos, tenham realizados manifestações incisivas, houve também uma reação negativa por parte da população quando da publicidade parcial do conteúdo do material didático que seria distribuído nas escolas (Cf. Manifestações em Blogs, Redes sociais, etc.). Aliás, por que o Governo Federal não exibe em cadeia nacional os vídeos incluídos no "Kit" para que os pais decidam sobre a exibição deles para os seus filhos? Qual seria a posição da maioria dos pais? Esta proposta de avaliação pública não agrada muito a Jean Wyllys, deputado LGBT filiado a um partido Socialista (PSOL-RJ), que acredita que o povo brasileiro é "ignorante" para decidir sobre as causas gays (http://www.youtube.com/watch?v=ixm4R63vKt8) – não é preciso observar que o Deputado exerce um mandato público concedido por aqueles mesmos que ele despreza por serem "ignorantes".

A discussão gerada em torno do "Kit gay" ofusca uma questão grave. O Brasil tem um péssimo sistema educacional, comprovado por avaliações nacionais e exames internacionais – nestes o país sempre ocupa as últimas colocações. No entanto, em vez de promover uma campanha publicitária de amplitude nacional para a valorização da alta-cultura, para a melhoria do ambiente escolar, para a formação honesta e sincera dos professores, para investimentos em pesquisa - não, o maior problema da educação brasileira, de acordo com a imensa campanha promovida pela mídia, por jornais, televisão, "Intelectuais", é o ensino da causa gay.

Esta história de "combate à homofobia" é uma falsificação absurda. "Homofobia" é um distúrbio psiquiátrico em que a pessoa apresenta aversão e ojeriza contra homossexuais no grau extremo de desejar matá-los. Agora, quando este mal foi um problema de escala nacional? Nunca. Sim, existe preconceito e discriminação – mas, diante de uma eventual ocorrência, ínfima dentro do senso das proporções, a discrição, o bom senso, o cuidado e o respeito por parte do professor e da escola são suficientes. Acontece que o "Kit gay" não tem nenhuma relação com políticas educacionais; ele é, sim, uma propaganda publicitária do homossexualismo, que seria exibida, Francisco, não para o Ensino Médio, como você afirma, mas já para crianças do Ensino Fundamental [Cf. http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/05/26/diferentemente-do-divulgado-kits-anti-homofobia-eram-para-criancas-de-11-anos-924548005.asp]. E não adianta o Ministério da Educação recuar "estrategicamente" (Cf. exposição acima) ou alegar desconhecimento sobre o conteúdo do projeto e dos vídeos, pois está tudo documentado nas notas taquigráficas da Audiência Pública "Escola sem Homofobia", realizada na Câmara dos Deputados em 23 de Novembro de 2011. Lá consta o público alvo do trabalho, crianças do 6° ao 9° ano (p. 28), além de uma revelação surpreendente do então Secretário de Educação continuada, André Lázaro, de que ele e sua equipe passaram três meses discutindo se deveriam incluir nos vídeos um beijo de língua entre lésbicas (p. 38). Enfim, aberrações como estas demonstram o propósito deste "material didático": vencer o grande desafio do sistema educacional brasileiro, que é, para dizer em termos polidos, ensinar a pederastia, a sodomia. Bom, este é o projeto para a criançada; mas existem propostas para todas as faixas etárias, como a de uma "Bolsa Gay" e o programa, de nome no mínimo estranho, contra a "Homofobia ambiental" (Cf. Promoção da Cidadania e dos Direitos Humanos de LGBT [http://portal.mj.gov.br/sedh/homofobia/planolgbt.pdf], respectivamente Itens 1.2.33 e 1.4.10).

A Presidente Dilma Rousseff vetou o "Kit gay" por causa das reações contrárias ao material didático que seria distribuído nas escolas. No entanto, a proposta foi apenas adiada – ela retornará, de acordo com a "estratégia" socialista-comunista, reajustada ou maquiada. Talvez não precise esperar tanto, pois grupos de Universidades públicas – domínio predominantemente "revolucionário" - já estão desenvolvendo atividades com conteúdo semelhante ao do "Kit gay" nas escolas (Cf. Programa "Globo Educação", http://redeglobo.globo.com/videos/globoeducacao/#/Edições/20110604).

O projeto de lei que criminaliza a homofobia (PL 122/06) é outra aberração. Um de seus artigos (20, §5) adverte que os homossexuais não podem sofrer nenhum constrangimento "filosófico". Ora, o que é um constrangimento "filosófico"? Explico: é todo e qualquer constrangimento; porque seja ele qual for será passível de ser enquadrado neste amplo conceito, "filosófico". Em outras palavras, todas as pessoas podem ser criticadas por causa de seu comportamento – eu, o "João", o "Zé", a Presidente da República, o Padre, o Pastor, o professor, e até Deus; porém, o único que terá imunidade e salvo conduto será o GAY. Se alguém for chamado a opinar sobre a "Parada Gay" deverá se calar ou considerá-la um evento de alta-cultura, uma manifestação artística sublime, ou uma reunião sacro-santa – porque críticas e oposições serão combatidas com o rigor da lei.

É preciso fazer um esclarecimento importante, antes que surja alguma acusação de preconceito ou de "Homofobia" pelo que foi dito. Existe uma diferença entre o Homossexual e a "Ideologia Gay". Ao primeiro o respeito e o cuidado dedicados a toda e qualquer pessoa. Agora, as críticas anteriores são direcionadas à "Ideologia Gay", pois se trata de um grupo de pessoas que diz representar OS -     quer dizer, TODOS – Homossexuais, transformando a sexualidade em instrumento para reivindicar privilégios e construir a carreira política de seus líderes. Um movimento criticado, inclusive, pelos próprios Homossexuais (Cf. Documentário "Não gosto dos meninos" [http://www.youtube.com/watch?v=HHA-WpPSK4s]).

Para concluir sobre o tema da "Ideologia Gay". É parte da estratégia socialista-comunista reduzir a oposição, neste domínio temático, ao "fundamentalismo religioso". Porque um dos seus "Intelectuais" mais ilustres, Georg Lukács, prega que, para a revolução socialista prosperar, é necessário destruir, além do direito romano, da filosofia grega, também a moral judaico-cristã. A grande ironia é comparar o acolhimento dos homossexuais pela religião judaico-cristã com o tratamento dedicado a eles pelos regimes socialistas e comunistas. Casos excepcionais de preconceito e de discriminação são insignificantes perto das práticas de "reeducação", dos "julgamentos públicos", e encarceramentos em hospitais psiquiátricos, promovidos, por exemplo, pelo regime cubano (Cf. Bruno Braga, "Reescrevendo a História" – http://dershatten.blogspot.com).

Os socialistas-comunistas não fazem política apenas com a "Ideologia gayzista". Utilizam também o "Feminismo" e os "Movimentos raciais". Daí a publicidade panfletária: "a primeira mulher Presidente", "o primeiro negro Presidente dos Estados Unidos" [Obs. Não sei se você, Francisco, é pessoalmente socialista-comunista, mas o vocabulário que utiliza é próprio destas correntes de pensamento]. Agora não importa mais o que as pessoas carregam no coração, mas sim a cor com a qual é pintada a sua pele ou o que têm no meio das pernas. Talvez não seja tão profético dizer que, nas futuras eleições, um bom slogan para os pretendentes ao posto mais alto do Executivo seja "o primeiro, ou primeira, Presidente Gay". A julgar o caráter dos candidatos apenas por estes critérios, o poder continuará nas mãos de bandidos, terroristas, sociopatas e fraudes, como Barack Obama – um "liberal" ("esquerdismo" nos Estados Unidos) apoiado por uma elite financeira (que não representa os interesses da população americana, e inclusive sustenta Socialistas-comunistas), cuja verdadeira identidade ninguém sabe qual é.

No que tange às posições do governo brasileiro contra Irã, elas foram muito modestas. A presidente Dilma Rousseff apenas criticou a condenação da iraniana Sakineh Ashtiani à morte por apedrejamento – uma critica mais em defesa do seu sexo do que contra o governo iraniano. No Conselho de Direitos Humanos da ONU o Brasil votou a favor de uma investigação independente sobre os direitos individuais no Irã [http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110325/not_imp696976,0.php]. Isto é praticamente nada. A Presidente Dilma Rousseff e o corpo diplomático brasileiro subordinado a ela deveriam condenar aberta e explicitamente o governo iraniano por violação dos direitos humanos, patrocínio de grupos terroristas, e por desenvolvimento de armas de destruição em massa (Cf. Documentários "Iranium", "Obsession" e "Third Jihad"). Eles não fazem isto porque o Governo brasileiro, com Dilma Rousseff, não se afastou do Irã, Francisco – tanto que ele não pretende desagradar o seu aliado: para não causar constrangimentos a Presidente não se dispôs a receber a advogada iraniana Shirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, e crítica do Regime de Teerã [http://www1.folha.uol.com.br/mundo/929973-nobel-acusa-ira-por-repressao-aos-sirios-veja-entrevista.shtml].

Sobre o PT, não é possível classificá-lo sequer como "partido" - simplesmente porque ele não obedece às regras do jogo político (Obs. Peço encarecidamente que outras siglas não sejam trazidas para um eventual debate, porque o texto principal versa, especificamente, sobre o "Partido dos Trabalhadores"). O PT se utiliza de instrumentos que estão à margem do processo eleitoral, e que violam, inclusive o Código Penal – isto está comprovado nas atas do "Foro de São Paulo", onde o seu presidente de honra estabelece compromissos de apoio e solidariedade a movimentos guerrilheiros, a narcotraficantes e regimes ditatoriais, como o cubano. A título de esclarecimento o "Foro de São Paulo" é a entidade encarregada de promover o Socialismo-comunismo na America Latina.

Ademais, o PT nunca foi "um partido comprometido com os anseios do povo", Francisco. Esta idealização de "partido do povo" foi uma criação promovida através das esferas culturais e também fomentada pela publicidade oficial na medida em que o Partido adquiriu poder. O PT, nos seus primórdios, tinha na classe média letrada o seu principal eleitorado – foi preciso, antes, uma "revolução cultural" para que pudesse alcançar a ascensão política. Sobre o eleitorado "classe média letrada" do PT, consultar o livro "Esquerda e Direita no eleitorado brasileiro", de André Singer.

A respeito dos elogios da mídia "conservadora" - que não é conservadora de maneira alguma, o que pode ser verificado pelo conteúdo de sua programação e publicações. Não é possível associar uma atmosfera pós-eleitoral com concordâncias de linhas de governo, no caso da menção que faz, Francisco, da Revista Veja (se é que a sua referência é a Edição extra da revista, publicada após a eleição presidencial – ou números imediatamente subseqüentes). Agora, sobre os "elogios" da Rede Globo, se possível gostaria da indicação específica da fonte para consulta, para verificar se neste elogio há a assinatura e o carimbo do responsável pela emissora.

Você menciona também, Francisco, os "elogios" da Senadora Kátia Abreu à Presidente Dilma Rousseff em entrevista à Rede TV. Não sei se esta é especificamente a sua referência, pois você não citou a fonte, mas consultei a entrevista dada pela Senadora ao repórter Kennedy Alencar [http://www.redetv.com.br/Video.aspx?113,24,194508,jornalismo,e-noticia,kennedy-alencar-entrevista-katia-abreu-bloco-3 – se a referência for outra, favor indicar]. Nela os "elogios" de Kátia Abreu são feitos, uns, em termos gerais – ela menciona vagamente o "comércio internacional", a questão dos "direitos humanos das crianças, adolescentes e idosos". Outros de maneira equivocada, como o afastamento do Brasil de "governos ditatoriais" - algo que não aconteceu. A Senadora também demonstra indecisão e receio de se comprometer ao tratar da "Comissão da verdade". O único elogio veemente feito por Kátia Abreu foi este: "precisamos, de fato, de uma gestora, e acho que ela pode ser esta gestora". Acontece, Francisco, que o elogio indica, sim, uma "aproximação", mas na ordem inversa da que você indicou: não é a Presidente Dilma que se arrasta para a "direita", mas a Kátia Abreu que passa a apoiar a Presidente da República. Isto fica claro com a fundação do PSD (Partido Social Democrático) – partido para o qual migrou a Senadora, e que nasce negociando apoio ao Governo Federal (Cf. http://www.agora.uol.com.br/brasil/ult10102u902445.shtml). Também sobre isto, confira a entrevista dada por Demóstenes Torres (DEM-GO) à Revista Veja (Edição de 08 de Junho de 2011), da qual transcrevo o seguinte trecho: "Esse novo partido prejudicou muito o DEM. Perdemos políticos expressivos, como a senadora Kátia Abreu, que será uma grande adversária à medida que o PSD se alinhar ao governo. Mas não adianta ficarmos com lamúrias. Por que tentar segurar quem não quer permanecer? Quem quiser ir que vá embora. A maior traição que se pode cometer com o eleitor é ser eleito para integrar a oposição e migrar para a base governista. Vivemos um momento em que muitos políticos se intimidam diante da maioria e se tornam travestis políticos" (os grifos são meus).

Enfim, Francisco, "a guinada à direita do Governo Dilma", como você afirma, não aconteceu, ela "não é fato". De acordo com as considerações anteriores, a Presidente da República continua, sem arrastar o pé, o trabalho do seu padrinho e guru; segue, disciplinadamente, a cartilha dos seus correligionários e dos "Intelectuais revolucionários": a longa marcha Socialista-comunista.

Cordialmente,

Bruno Braga.

Belo Horizonte, 24 de Junho de 2011.

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