Saturday, October 05, 2019

O Sínodo da Amazônia e as aberrações do seu Documento de Trabalho ("Instrumentum laboris").

Bruno Braga.
Notas publicadas no Facebook.


I.

O Vaticano apresentou ao público hoje, 17 de junho, o "Instrumentum laboris", o documento que irá auxiliar os Bispos e participantes do Sínodo da Amazônia, que acontece entre os dias 06 e 27 de outubro deste ano [1]. 

A expectativa, desde o anúncio do Sínodo, ficou centrada em dois pontos: o celibato e a ordenação de mulheres. Muito se especulou, e os que ousaram alertar sobre as manobras, os riscos e perigos, eram logo descartados como histéricos. Mas, tudo agora parece confirmado.  

Sobre o celibato, o documento estabelece o seguinte: "Afirmando que o celibato é uma dádiva para a Igreja, pede-se que, PARA AS ÁREAS MAIS REMOTAS DA REGIÃO, se estude a possibilidade da ORDENAÇÃO SACERDOTAL DE PESSOAS IDOSAS, de preferência INDÍGENAS, respeitadas e reconhecidas por sua comunidade, mesmo que já tenham uma família constituída e estável, com a finalidade de assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida cristã" (129, a, 2).

É evidente que uma proposta sobre o celibato não seria colocada de forma radical, algo que escandalizasse os fiéis, sobretudo com a polêmica que se arrasta, inclusive com autoridades eclesiásticas levantando-se veementemente para defender a tradição da Igreja. A mudança é gradativa, e o passo inicial pode estar aí: "PARA AS ÁREAS MAIS REMOTAS DA REGIÃO, se estude a possibilidade da ORDENAÇÃO SACERDOTAL DE PESSOAS IDOSAS, de preferência INDÍGENAS" [...].

Acontece que o interesse alegado - "assegurar os Sacramentos", acompanhar e sustentar a "vida cristã" - fica sob suspeita com a própria redação do documento e contradiz toda a argumentação que os seus proponentes e entusiastas têm utilizado para justificar a ordenação de homens casados. Se pregavam sobre a necessidade de atender as tais "áreas remotas", percorrendo todas as comunidades e tribos, como "pessoas idosas" darão conta de um trabalho tão exigente e extenuante? Ademais. Como farão com o cuidado, a atenção e o sustento de suas próprias famílias com as novas e rigorosas atribuições? 

No que se refere à ordenação de mulheres, o "Instrumentum laboris" não é nada claro: "Identificar o tipo de ministério oficial que pode ser conferido à mulher, tendo em consideração o papel central que hoje ela desempenha na Igreja amazônica" (129, a, 3). Essa imprecisão não parece ser inocente. 

A palavra final do Papa São João Paulo II, na Carta Apostólica "Ordinatio Sacerdotalis", sempre foi levantada para frear os intentos de ordenar "sacerdotisas". O diaconato feminino, contudo, nunca saiu da pauta. Em 2016, o próprio Papa Francisco ordenou a criação de uma comissão de estudos sobre o assunto; e, embora tenha recentemente tergiversado sobre a conclusão dos estudos, na coletiva de imprensa dada a bordo do voo que o trouxe de volta da Macedônia a Roma, o "Intrumentum laboris" não deixa dúvida de que a possibilidade de ordenação de diaconisas está aberta, no mínimo para "discussão". A propósito, a ordenação de "diaconisas" - e também de "sacerdotisas" (!) - foi um pedido da própria Regional Norte 1 da CNBB - Conferência dos Bispos, com a publicação de uma carta da "assembleia territorial pré-sinodal", que se reuniu exatamente em Manaus, na capital do estado do Amazonas. Regional Norte 1 que tem como presidente Dom Mário Antônio da Silva, agora o segundo vice-presidente da CNBB [2].

Enfim, no que diz respeito a esses dois principais temas - o celibato e a ordenação de mulheres -, o Sínodo da Amazônia vem para tentar o que alguns já apontavam: abrir as portas e introduzir já certas mudanças significativas, na esperança de uma "revolução" ainda maior no futuro. Os índios são apenas um pretexto. Trata-se de um verdadeiro atentado "progressista" contra a Santa Igreja Católica.

II.

Creio que muitos já ouviram falar no fenômeno da "protestantização" da Santa Igreja, identificando-o na compreensão torta das Sagradas Escrituras por muitos fiéis e até padres, nas celebrações da Santa Missa na sua paróquia e no comportamento dos próprios católicos. Porém, eis aqui uma ocorrência das mais escabrosas, pois assumida em um documento oficial do Vaticano. 

No capítulo VI do "Instrumentum laboris" do Sínodo da Amazônia, dedicado ao "Diálogo ecumênico e inter-religioso" [3], um entusiasmo patente com o modo como "pastores" nos "mostram outro modo de ser Igreja, onde O POVO SE SENTE PROTAGONISTA, onde os fiéis podem EXPRESSAR-SE LIVREMENTE, SEM CENSURAS, SEM DOGMATISMOS, NEM DISCIPLINAS RITUAIS". 

É a celebração da heresia e do cisma, que devem ser agora - com o Sínodo da Amazônia - fonte de inspiração para a Santa Igreja. Porém, uma Igreja sem dogmas, Magistério e "disciplinas rituais" - sem Liturgia - já não é Igreja. Trata-se de outra coisa. Mas, é exatamente isso o que certas autoridades eclesiásticas e entusiastas do Sínodo querem: destruir a Santa Igreja Católica. Duvida? Está aí a prova. 

III.

Os que conhecem minimamente a nefasta Teologia da Libertação sabem que os seus "apóstolos" sempre cultivaram uma ideia de "igreja primitiva" como truque, uma ideia que só existe no imaginário deles, criada para desmoralizar a Santa Igreja Católica e pregar todos os seus absurdos. Não é difícil perceber que o Sínodo da Amazônia tem a mesma função, e no seu "Instrumentum laboris" isso fica ainda mais patente. Uma romantização da floresta, da "cultura" e da "espiritualidade" indígena como "inspiração" para "transformar" a Igreja. Não por acaso, várias autoridades eclesiásticas que conduzem o Sínodo participam do "apostolado" da Teologia da Libertação, são dela entusiastas ou estão no seu espectro de influência e formação. Mas, se antes a ideia de "igreja primitiva" tinha uma força reduzida, embora contasse com uma máquina de propaganda monstruosa e vários militantes de batina e até de mitra, a "Amazônia" é anunciada desde o próprio Vaticano, utilizando-se da sua estrutura e da força do seu nome. As exigências de "transformação" mostram agora com maior nitidez que a Santa Igreja foi tomada de assalto e tornou-se refém. 

IV.

Mencionei a Teologia da Libertação na última "nota" sobre o Sínodo da Amazônia. Por isso, cito aqui mais um trecho do escandaloso "Instrumentum laboris". A passagem é um pouco extensa, mas vale a pena lê-la - faço em seguida uma observação:
"A partir de sua encarnação, o encontro com Jesus Cristo se realizou sempre no horizonte de um diálogo cordial, histórico e escatológico. Ele tem lugar nos diferentes cenários do mundo plural e entrelaçado da Amazônia. Inclui as relações políticas com os Estados, sociais com as comunidades, culturais com as diferentes formas de viver e ecológicas com a natureza e consigo mesmo. O diálogo procura o intercâmbio, o consenso e a comunicação, os acordos e as alianças, 'mas sem perder de vista a questão fundamental', ou seja, a 'preocupação por uma sociedade justa, capaz de memória e sem exclusões' (EG, 239). Por isso, o diálogo tem sempre UMA OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS POBRES, marginalizados e excluídos. As causas da justiça e da alteridade são causas do Reino de Deus. Não defendemos 'um projeto de poucos para poucos, nem de uma minoria esclarecida' (ibidem). No diálogo estabelecemos 'um acordo para viver juntos, de um pacto social e cultural' (ibidem). Em virtude deste pacto, a Amazônia representa um pars pro toto, um paradigma, uma esperança para o mundo. O diálogo é o método que se deve aplicar sempre, para favorecer o bem viver de todos. As principais questões da humanidade que sobressaem na Amazônia não encontrarão soluções através da violência nem da imposição, mas sim mediante o diálogo e a comunicação".
Observe, neste n. 37 do "Instrumentum laboris", uma distorção escandalosa. O "diálogo" de Jesus Cristo não é mais instrumento de conversão, para conduzir as pessoas - os índios ou quem quer que seja (!) - à fé da Santa Igreja. "Diálogo" aqui (e também no restante do documento) é instrumento para a construção de um projeto político. A presença de um mantra da Teologia da Libertação não parece ser por acaso: "UMA OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS POBRES" (cf. imagem). A expressão, na "literatura" e no "apostolado" revolucionário, foi sempre pregada em favor de um ideal político, para instigar uma "luta de classes" contrária à fé da Igreja, condenada por Ela mesma, e que aparece no próprio texto citado: "Não defendemos 'um projeto de poucos para poucos, nem de uma minoria esclarecida". A palavra "diálogo", que encanta e seduz tantas pessoas, serve apenas para maquiar essa "luta de classes", - um projeto político -, falsamente anunciado com o nome de Jesus Cristo. 

V.

O conteúdo do n. 39 do "Instrumentum laboris" do Sínodo da Amazônia é simplesmente estarrecedor! Fala-se que o "diálogo entre as espiritualidades, crenças e religiões amazônicas" "não significa RELATIVIZAR as próprias convicções, mas sim reconhecer outros caminhos que procuram desvendar o mistério insondável de Deus". Logo depois afirma-se: "O amor vivido em qualquer religião agrada a Deus". Uma afirmação absurda que evidentemente implica na RELATIVIZAÇÃO da fé católica. 

E mais. É "destruidora" a "atitude corporativista" que "reserva a salvação exclusivamente ao próprio credo". Em outras palavras, segundo o documento do Sínodo da Amazônia, afirmar "Creio em UM SÓ DEUS" [...] - isto é, afirmar o Credo! - é uma "atitude corporativista" que destrói o próprio "credo". Com isso, o Credo é relativizado, abandonado. Despreza-se a palavra do próprio Cristo: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo. 14, 6). Os pastores que representam a única Igreja de Jesus Cristo viram as costas para Pedro, que foi categórico: "Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos" (At. 4, 12).  

Bom, se abandonaram o Credo, se desprezam Cristo e dão de costas para Pedro, não parece absurdo pensar que os responsáveis pelo "Instrumentum laboris" possam ter perdido eles mesmos a fé. Pelo que se lê, não creem que "extra Ecclesiam nulla salus", "Fora da Igreja não há salvação". Como afastar daqui a heresia, a apostasia, proclamadas contrariando a própria Santa Igreja Católica?  

VI.

A esquizofrenia no "Instrumentum laboris" do Sínodo da Amazônia. 

A floresta vista como uma espécie de "paraíso avatar": "A Amazônia é o lugar da proposta do 'bem viver', de promessa e de esperança para novos caminhos de vida. Na Amazônia a vida está integrada e unida ao território, não existe separação nem divisão entre as partes. Esta unidade compreende toda a existência: o trabalho, o descanso, os relacionamentos humanos, os ritos e as celebrações. Tudo é compartilhado, os espaços particulares – típicos da modernidade – são mínimos. A vida é um caminho comunitário onde as tarefas e as responsabilidades se dividem e se compartilham em função do bem comum. Não há espaço para a ideia de indivíduo separado da comunidade ou de seu território" (24) "Esta compreensão da vida se caracteriza pela conectividade e harmonia de relações entre a água, o território e a natureza, a vida comunitária e a cultura, DEUS E AS DIFERENTES FORÇAS ESPIRITUAIS. Para eles, 'bem viver' significa compreender a centralidade do caráter relacional-transcendente dos seres humanos e da criação, e supõe um 'bem fazer'. Não se podem desconectar as dimensões materiais e espirituais. Este modo integral se expressa em sua própria maneira de se organizar, que começa pela família e a comunidade, abrangendo uma utilização responsável de todos os bens da criação. Alguns deles falam em caminhar rumo à 'terra sem males', ou em busca do 'santo monte', imagens que refletem o movimento e a noção comunitária da existência" (13).

Porém, a floresta é no mesmo documento uma "selva infernal": [...] "Hoje a Amazônia constitui uma formosura ferida e deformada, um lugar de dor e violência, como o indicam de maneira eloquente os relatórios das Igrejas locais [...] O grito de dor da Amazônia é um eco do clamor do povo escravizado no Egito, que Deus não abandona: 'Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egito, e ouvi o seu clamor diante dos seus opressores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar da mão dos egípcios' (Êx 3, 7-8)" (23).

"Paraíso avatar" ou selva infernal? Tanto faz. O que importa para os responsáveis é convencer - ou ludibriar - para "transformar" a Santa Igreja. 
PS. Destaquei a expressão "Deus e as diferentes forças espirituais" para indicar que, provavelmente, no documento do Sínodo da Amazônia, as "forças espirituais" não são uma referência aos anjos e demônios - conforme a verdade da Santa Igreja -, mas crenças pagãs. "Conectividade" e "harmonia" entre "Deus e as diferentes forças espirituais" significa um sincretismo escandalosamente ofensivo à fé católica e ao próprio Deus.  

VII.

A inversão escabrosa anunciada pelo "Instrumentum laboris" do Sínodo da Amazônia. Não cabe mais à Santa Igreja Católica evangelizar os indígenas; Ela agora deve renunciar ao mandamento de Cristo - de Deus! - e ser "evangelizada" pelos "povos amazônicos originários". Leia.
"OS POVOS AMAZÔNICOS ORIGINÁRIOS TÊM MUITO A ENSINAR-NOS. Reconhecemos que desde há milhares de anos eles cuidam de sua terra, da água e da floresta, e conseguiram preservá-las até hoje a fim de que a humanidade possa beneficiar-se do usufruto dos dons gratuitos da criação de Deus. OS NOVOS CAMINHOS DE EVANGELIZAÇÃO DEVEM SER CONSTRUÍDOS EM DIÁLOGO COM ESTAS SABEDORIAS ANCESTRAIS EM QUE SE MANIFESTAM AS SEMENTES DO VERBO (!)" (29).
VIII.

A Revelação está terminada, e não haverá outra Revelação. Deus disse tudo e de uma só vez por meio da Palavra que se fez carne: Jesus Cristo. Como transmissão dessa revelação divina colocam-se íntima e indissociáveis a Tradição, as Sagradas Escrituras e o Magistério. É o que reza o Catecismo da Santa Igreja Católica (CIC. 65 ss). Para os responsáveis pelo "Instrumentum laboris" do Sínodo da Amazônia, no entanto, há uma nova e "peculiar" fonte de "revelação": a Amazônia. Leia, o destaque é meu: 
"NA AMAZÔNIA, a vida está inserida, ligada e integrada no território que, como espaço físico vital e nutritivo, é possibilidade, sustento e limite da vida. Além disso, podemos dizer que a Amazônia – ou outro espaço territorial indígena ou comunitário – não é somente um ubi (um espaço geográfico), mas também um quid, ou seja, um lugar de sentido para a fé ou a experiência de Deus na história. O território é UM LUGAR TEOLÓGICO a partir do qual se vive a fé, mas é também UMA PECULIAR FONTE DE REVELAÇÃO DE DEUS. Estes espaços são lugares epifânicos onde se manifesta a reserva de vida e de sabedoria para o planeta, uma vida e sabedoria que falam de Deus. Na Amazônia manifestam-se as 'carícias de Deus' que se encarna na história (cf. LS, 84)" (19).
IX.

Para reconhecer de uma vez por todas que as mudanças pretendidas com o Sínodo da Amazônia não ficarão restritas à realidade (ou suposta realidade) da região, basta avaliar o seu próprio contexto. O "Instrumentum laboris" do Sínodo alega que - a ordenação sacerdotal de pessoas casadas - tem a "finalidade de assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida" (129, a, 2). Bom, quantas vezes você mesmo já não escutou, na sua paróquia, que o padre "não dá conta" de atender todas as comunidades, compromissos e atividades? Ora, se é assim, por que não levantar a mesma motivação do Sínodo para que a sua Diocese promova a ordenação sacerdotal de pessoas casadas? Por que a sua paróquia não pode seguir o exemplo da Amazônia, para "assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida"? Portanto, se essa "mudança" passar, haverá uma avalanche de pedidos e reivindicações com base no mesmo "direito".  

X.

De acordo com o escabroso "Instrumentum laboris" do Sínodo da Amazônia, a Santa Igreja ainda não encontrou a sua "identidade". Mesmo sendo fundada pela próprio Verbo encarnado, Corpo Místico de Cristo, com os Símbolos da Fé (Credo), Sagradas Escrituras, Tradição e Magistério, parece que - para os seus (no mínimo) irresponsáveis redatores - caberá aos "povos indígenas" e o paganismo (!) revelar essa "identidade" aos católicos em um sincretismo inconcebível. Leia: 
"Um diálogo a favor da vida está ao serviço do “futuro do planeta” (LS, 14), da transformação de mentalidades estreitas, da conversão de corações endurecidos e da partilha de verdades com a humanidade inteira. Poderíamos dizer que o diálogo é pentecostal, como o é o nascimento da Igreja, que caminha EM BUSCA DE SUA IDENTIDADE rumo à unidade no Espírito Santo. Descobrimos nossa identidade a partir do encontro com o outro, a partir das diferenças e coincidências que nos mostram a impenetrabilidade da realidade e do mistério da presença de Deus" (40).
XI.

O "Instrumentum laboris" do Sínodo da Amazônia afirma que "rituais e cerimônias indígenas" - rituais pagãos de invocação de espíritos e até mesmo de feitiçaria - são essenciais para a "saúde integral" e para a "vida humana". Leia. Com uma afirmação tão explícita, e tão obscena para um católico consciente de sua verdadeira fé, parece claro que a proposta é tornar esses mesmos rituais e cerimônias "essenciais" para a "saúde" e para a "vida" da própria Santa Igreja, em um sincretismo monstruoso. 

"OS RITUAIS E AS CERIMÔNIAS INDÍGENAS SÃO ESSENCIAIS PARA A SAÚDE INTEGRAL, pois compõem os diferentes ciclos da vida humana e da natureza. Criam harmonia e equilíbrio entre os seres humanos e o cosmo. Protegem a vida contra os males que podem ser provocados tanto por seres humanos como por outros seres vivos. Ajudam a curar as doenças que prejudicam o meio ambiente, a vida humana e outros seres vivos" (87).

XII.

Eis aqui mais uma amostra extraída do "Instrumentum laboris" sobre o intento do Sínodo da Amazônia de paganizar a Santa Igreja com a "espiritualidade" e a "religiosidade" das tribos indígenas. Trata-se de relativizar a Verdade revelada para que a Igreja possa "descobrir" a suposta "presença encarnada e ativa de Deus" em rituais indígenas. Note ainda que essa proposta escabrosa, de acordo com o artigo 33, não se restringe somente à Amazônia, ela é dada como uma "esperança" para a "humanidade inteira". "Esperança" que tem "inspiração" inclusive em "organizações populares que resistem a grandes projetos", i.e., uma espécie de "luta de classes" em um comunismo tribal. Leia o absurdo:   
"Em contraste com esta realidade, o Sínodo da Amazônia se transforma assim em um sinal de esperança para o povo amazônico e para a HUMANIDADE INTEIRA. Trata-se de uma grande oportunidade para que A IGREJA POSSA DESCOBRIR A PRESENÇA ENCARNADA E ATIVA DE DEUS: nas mais diferentes manifestações da criação; na ESPIRITUALIDADE DOS POVOS ORIGINÁRIOS; nas expressões da RELIGIOSIDADE POPULAR; nas diferenciadas organizações populares que resistem aos grandes projetos; e na proposta de uma economia produtiva, sustentável e solidária que respeita a natureza". [...]
XIII.

Basta ler o artigo 56 do "Instrumentum laboris", nos seus itens a, b e c, para imediatamente reconhecer que o Sínodo da Amazônia pretende transformar a Santa Igreja Católica em uma espécie de ONG. Ela "deveria assumir em sua missão o cuidado da Casa Comum", um papel completamente estranho ao dever que a Esposa de Cristo tem de salvar almas, embora seja um propósito ansiosamente desejado pelos "apóstolos" da Teologia da Libertação, interessados na militância e no poder político e mundano. Leia: 
56.          O desafio que se apresenta é grande: como recuperar o território amazônico, resgatá-lo da degradação neocolonialista e devolver-lhe seu bem-estar saudável e autêntico? Desde há milhares de anos devemos às comunidades aborígenes o cuidado e o cultivo da Amazônia. Em sua sabedoria ancestral cultivaram a convicção de que a criação inteira está interligada, o que merece nosso respeito e responsabilidade. A cultura da Amazônia, que integra os seres humanos com a natureza, se constitui como referente para construir um novo paradigma da ecologia integral. A Igreja deveria assumir em sua missão o cuidado da Casa Comum:
a)      Propondo linhas de ação institucionais, que promovam o respeito pelo meio ambiente.
b)      Projetando programas de formação formais e informais sobre o cuidado da Casa Comum para seus agentes pastorais e seus fiéis, abertos à comunidade inteira em “um esforço de formação das consciências da população” (LS, 214), com base nos caps. V e VI da Encíclica Laudato Si’.
c)      Denunciando a violação dos direitos humanos e a destruição extrativista.
 XIV.

O modelo de "educação" do Sínodo da Amazônia não é só aquele que despreza "filosofias, teologias, liturgias" - denunciadas como "imposição -, mas o que é evidentemente "inspirado" no "pensamento crítico" e na "interculturalidade" de Paulo Freire. Comunista, "apóstolo" da Teologia da Libertação, "ícone" para muitos dos responsáveis pelo "Instrumentum laboris" e pelo Sínodo mesmo. "Patrono da educação brasileira", responsável por imbecilizar gerações de estudantes, universitários, padres e Bispos. Leia:  
"Esta educação, que se desenvolve através do encontro, é diferente de una educação que procura impor ao outro (e especialmente aos pobres e vulneráveis) as próprias cosmovisões que são precisamente a causa de sua pobreza e vulnerabilidade. Na Amazônia a educação não significa impor aos povos amazônicos parâmetros culturais, filosofias, teologias, liturgias e costumes estranhos. Hoje, 'Alguns comprazem-se simplesmente em culpar, dos próprios males, os pobres e os países pobres, com generalizações indevidas, e pretendem encontrar a solução numa 'educação' que os tranquilize e transforme em seres domesticados e inofensivos' (EG, 60). 'Por conseguinte, torna-se necessária uma educação que ensine a pensar criticamente e ofereça um caminho de amadurecimento nos valores' (EG, 64), uma educação aberta à interculturalidade" (94).

REFERÊNCIAS.


[2]. Cf. "A 57a. Assembleia Geral dos Bispos e a militância cnbbista", nota IV [https://b-braga.blogspot.com/2019/05/a-57a-assembleia-geral-dos-bispos-e.html].

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