Sunday, April 21, 2013

A volta do idiota.


Bruno Braga.




Em 1996, Plinio Apuleyo Mendonza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa publicaram o “Manual do perfeito idiota latino-americano”. No livro os autores identificam – e investigam as causas – de uma patologia que se espalhou pela América Latina: a “idiotice”. O mal é diagnosticado pelos estereótipos e lemas, pelo comportamento do paciente. Infectado, por exemplo, está aquele que por todos os cantos denuncia a ação de “fantasmas malignos” como o “Capitalismo”, o “Sistema” e os “Ianques”. A propósito, todo “idiota latino-americano” é contra os Estados Unidos, sem este sintoma torna-se um falso idiota ou um idiota imperfeito. A pessoa contagiada cultua psicopatas revolucionários – como Che Guevara e Fidel Castro – e ajoelha-se para bendizer as promessas de futuro maravilhoso profetizadas pela Teologia “Comunista” da Libertação.

Em termos gerais, a “idiotice” pode ser reconhecida naquele que:

“Acredita que somos pobres porque ‘eles’ são ricos e vice-versa, que a história é uma bem sucedida conspiração dos maus contra os bons, onde ‘aqueles’ sempre ganham e nós sempre perdemos (em todos os casos está entre as pobres vítimas e os bons perdedores), não se constrange em navegar no espaço cibernético, sentir-se ‘online’ e (sem perceber a contradição) abominar o consumismo. Quando fala de cultura, ergue a seguinte bandeira: ‘O que sei, aprendi na vida, não em livros; por isso, a minha cultura não é livresca, mas vital’” (p. 15) [1].

Dez anos depois, Mendoza, Montaner e Vargas Llosa publicaram “A volta do idiota” [2]. Os autores pretendiam não só revisar os sintomas característicos da “idiotice” – da patologia que já se manifestava com mutações -, mas analisar a epidemia do mal que conduziu “idiotas” às mais altas instâncias do poder na América Latina, como nos casos da Bolívia, da Argentina, do México. A ocorrência mais emblemática é Hugo Chávez, na Venezuela.

“O melhor aluno” é o título do capítulo dedicado ao falecido tiranete bolivariano (p. 55). Ele apresenta o percurso de Hugo Chávez, de sua formação - que longe de ser “democrática”, inclui o marxismo, o nacionalismo, o messianismo do caudilho latino-americano, o populismo, lições de Fidel Castro e do ultra-direitista argentino Norberto Ceresole – até a subida ao poder, o fortalecimento da revolução bolivariana com um regime ditatorial. Legislativo, Judiciário, controle da opinião pública e da imprensa – tudo nas mãos do tiranete para a realização de um obscuro “Socialismo do século XXI”.

Sob a perspectiva político-social, a ambição de tornar-se regente único de um país é sintomática. E o quadro torna-se ainda mais crítico quando esta ambição é proclamada – e justificada – com alucinações provocadas pela patologia antes descrita: a “idiotice”. A atuação de Hugo Chávez é uma amostra explícita e obscena dos efeitos práticos de um “idiota” – que combina ainda uma personalidade “narcisista histriônica” e a psicopatia, a incapacidade de julgar moralmente os próprios atos – alçado às maiores instâncias de poder. Se é certo que “pelos frutos conhecereis”, a situação da Venezuela hoje – fraude eleitoral e caos social – representa os resultados reais e concretos de um regime conduzido por uma “mentalidade idiotizada”.

Apesar de alguns pontos contestáveis – amenizar a atuação do “Chefe” Luiz Inácio a partir da perspectiva econômica e o classificar dentro da esquerda “vegetariana” – e posições equivocadas – como a descriminalização das drogas -, “A volta do idiota” é leitura obrigatória. Para compreender o crescimento, o surto e a epidemia de uma patologia - “idiotice” -, capaz de gerar sérios e graves danos, como hoje na América Latina.         



Notas.

[1]. MENDOZA, Plínio Apuleyo. MONTANER, Carlos Alberto. VARGAS LLOSA, Alvaro. Manual do perfeito idiota latino americano. Apresentação Mario Vargas Llosa; prefácio Roberto Campos; tradução Rosemary Moraes e Reinaldo Guarany. 9a. ed. Bertrand Brasil: Rio de Janeiro, 2011

[2]. MENDOZA, Plínio Apuleyo. MONTANER, Carlos Alberto. VARGAS LLOSA, Alvaro. Trad. Luciano Trigo e André Pereira da Costa. Ed. Lexikon: Rio de Janeiro, 2007.

[3]. BRAGA, Bruno. “’Triunfo transcendental’ da criminosa revolução bolivariana” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/04/triunfo-transcendental-da-criminosa.html]; “Ainda a fraude eleitoral Comunista-bolivariana” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/04/ainda-fraude-eleitoral-comunista.html].


Sugestão de leitura.

BRAGA, Bruno. “Para não ser mais um” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/11/para-nao-ser-mais-um.html].

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