Friday, April 05, 2013

Cristiada.


Bruno Braga.




“Não, Paz não é pacifismo”, Paulo VI.


O filme “Cristiada” [1] conta a história dos “cristeros”. Dos católicos que lutaram contra o governo socialista-maçônico de Plutarco Elias Cállez, no México. Os cristeros se rebelaram contra as leis federais que, sob o pretexto da laicidade, eram expressamente anticatólicas. Estabeleciam o fechamento de igrejas; proibiam a realização de missas e a administração do sacramento da confissão; eliminavam o ensino religioso; proibiam os padres de vestir seus hábitos e criticar – em público e em privado – o governo [2]. As igrejas, por determinação legal, passaram a ser propriedade do Estado – foram transformadas em prisão e até em estábulo. Religiosos foram assassinados, sacerdotes enforcados por causa de sua fé.

Contra a perseguição, os cristeros tentaram uma resistência pacífica. Recorreram também a um boicote econômico. Mas todas as tentativas fracassaram. Então, depois de uma consulta aos bispos do México – que afirmaram o princípio da “não violência”, mas admitiram a legítima defesa como último recurso -, os cristeros resolveram pelas armas.

“Cristiada” conta ainda a história de José Sánchez del Rio, que foi beatificado por Bento XVI em 2005. José integrou o exército dos cristeros com apenas 13 anos. Pouco antes de completar 14, ele foi capturado pelas tropas do governo federal em um combate no qual, para salvar o comandante da tropa, cedeu o seu próprio cavalo.

Os soldados de Cálles torturam o menino. Queriam que ele entregasse – e traísse – os seus companheiros, e que abdicasse de sua fé. Para atemorizá-lo, enforcaram o seu amigo Lázaro. Nada abalou José, que foi condenado, então, à morte. Na última tentativa de quebrar o vigor do menino, os soldados arrancaram as solas de seus pés, esperando que ele, enfim, pedisse clemência . No entanto, mais uma vez, José bradou: “Viva Cristo Rei!” Inconformados, os soldados o fizeram caminhar - com os pés em carne viva - até o cemitério, onde foi executado com golpes de punhal. José foi jogado na vala aberta, e quando o comandante o olhou, ele ainda teve força para dizer: “Viva Cristo Rei e Nossa Senhora de Guadalupe!” O capitâo concluiu a execução - na frente da mãe de José - dando-lhe um tiro de fuzil na cabeça.

“Cristiada” é um filme extremamente atual. Ilustra com um fato histórico a “divinização” do Estado proclamada por agentes políticos reformadores, que sob o pretexto do princípio da laicidade, investem contra qualquer força que possa fazer oposição ao seu poder. No México a guerra armada foi contra os católicos. Hoje os paladinos do “novo mundo” investem em um conflito cultural. Contra o Cristianismo pretendem realizar um ambicioso projeto de engenharia social – pedagogia revolucionária, indução de comportamento e sexualidade, abortismo – para promoverem a sua própria autoglorificação.      


Notas.

[1]. “Cristiada”, dirigido por Dean Wright, 2012.

[2]. Cf. Constituição Federal de 1917 e Lei “Calles”, de 14 de Junho de 1926.

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