Saturday, May 06, 2017

Feminismo: uma entrevista para o IESB.

Bruno Braga.


Entrevista concedida para o "Projeto Integrador", promovido por estudantes de jornalismo do Instituto de Ensino Superior de Brasília (IESB). 


1 - Qual a sua opinião sobre feminismo? Você acha que a causa existe? Que é importante?

Para emitir uma opinião sobre o feminismo seria necessário "depurá-lo". Não se trata aqui de me esquivar da pergunta. Porém, o "feminismo" não é um movimento homogêneo. Nele existem grupos com interesses meramente políticos. Tem os que o utilizam apenas como um meio eficiente de propaganda e auto-promoção. Existem as organizações que desenvolvem projetos de engenharia social e comportamental a partir de um conceito de "feminino" totalmente esvaziado - como os que se promovem com as reivindicações de "gênero". Enfim, nesta mistura toda, quais agentes e grupos têm uma preocupação genuína com a mulher? "Mulher" no sentido próprio e natural do termo. 

2 - Você acha que o Brasil é um país machista? 

Penso que para constatar o "machismo" é necessário verificar cada ocorrência particular. Uma por uma, sobretudo numa cultura já saturada de estereótipos que tornam as pessoas "hipersensíveis" a qualquer diferença ou contrariedade. Portanto, não é possível dizer se "o Brasil" é um país "machista", uma vez que ele não é sequer um agente. 

3 - Na sua opinião os homens são tratados ou/e se comportam como superiores (socialmente, sexualmente, politicamente, economicamente...) perante as mulheres?

Existem sim homens que têm tal comportamento. Contudo, não é possível afirmar que "os" homens são assim. Observo mais uma vez a necessidade de sempre verificar a ocorrência particular, e não estabelecer uma análise a partir de generalizações.

4 - De acordo com dados, mulheres são vítimas de estupro e agressões físicas, verbais e psicológicas diariamente. Na sua opinião, isso ocorre devido a um machismo enraizado na sociedade?

Quais são os dados? Os dados às vezes não contribuem para a emissão de um juízo. Um exemplo mesmo é o estupro. Tratava-se de um crime objetivamente definido, que para ser caracterizado deveria haver a consumação de uma conjunção carnal. Hoje, uma série de iniciativas e atos bastariam para constatá-lo. Uma mudança que faz inchar as estatísticas e que acaba não descrevendo propriamente a realidade. É preciso lembrar que as pesquisas sobre estupro já foram objeto de polêmica, uma vez que apresentaram cenários falseados. A "agressão psicológica" também apresenta dificuldades, pois nela não há nenhum critério que a defina de forma objetiva, de modo que toda e qualquer contrariedade possa ser caracterizada como "agressão psicológica". 

5 - O cenário atual de violência, assédio e feminicídio tem influência do passado? Quanto da história é refletido nos dias atuais?

A pergunta pressupõe que existe de fato um "feminicídio". Porém, é necessário fazer uma pergunta simples: em quantos casos o assassino investiu na morte da vítima por ela ser mulher? Eu me arrisco a dizer que dificilmente será encontrado um episódio assim, de modo que o tal "feminicídio" é totalmente superestimado. Portanto, se os métodos, critérios e termos não são capazes de descrever sequer a realidade atual, seria muita pretensão querer investigar as causas remotas na "história". Ademais, a investigação de um crime se dá no âmbito de suas motivações imediatas.   

6 - Pesquisas também apontam diferenças de salários em cargos iguais. Nesta situação ocorre de homens ganharem uma quantia maior do que as mulheres. A causa disso seria o machismo? Se não, o que você acha que pode causar essa diferenciação?

Penso que a questão da diferença salarial é um falso problema. Porque há uma série de outros fatores que definem essa diferença, como a experiência, o tempo de trabalho, o nível da formação, as habilidades específicas, os planos de carreira e quadros de promoção, o que não impede inclusive de existir diferenças salariais entre as próprias mulheres e de permitir que mulheres ganhem mais que homens.

7- Se sua namorada/ esposa/ parceira (caso você seja heterossexual) ganhasse mais do que você, quisesse sair sozinha, usasse roupa curta, entre outros comportamentos que podem ser considerados "modernos’’... Qual seria sua postura em relação a isso? 

No meu caso seria a minha esposa - e não haveria nenhum problema se ela tivesse um salário maior que o meu. Porém, usar "roupa curta" e certos comportamentos ditos "modernos" são incompatíveis com a condição de esposa. Mais que isso, afetam a condição de pessoa - por exemplo, a própria "roupa curta", que transforma a mulher em objeto, tanto de desejo quanto de sedução.

8 - Você acha que pesando na balança, o movimento feminista causa mais malefício e atraso para a sociedade do que benefícios e evolução? 

O que posso dizer é que o movimento feminista que tem voz, meios de ação e força política está se esforçando para fazer o impossível: substituir a natureza da mulher por uma ideologia, a realidade material e biológica por conceitos e ideais. O resultado disso, parece nítido no debate público e no ambiente cultural, é a histeria, a hipersensibilidade e uma relação conflituosa não só com os homens mas com elas mesmas.  

9 - Você se imagina em um relacionamento com uma mulher militante do movimento feminista? Seria um problema? 

Não, não me imagino. Primeiro, porque eu não saberia estabelecer o que a militante feminista entende por ser mulher. E depois, seria preciso saber o que ela entende por ser "homem", e se ela se relacionaria comigo como tal - o que acho bastante difícil. 

10 - A mulher tem um papel na sociedade? Qual seria esse papel?

Seria necessário perguntar a cada mulher qual ela entende ser o seu papel na sociedade. Eu me casei com uma que tem o seu trabalho profissional e quis comigo constituir uma família.

11 - Nos dias de hoje onde vários assuntos e questões sociais são problematizados, debatidos e tem uma repercussão imensa, as mulheres se vitimizam em relação a assédio sexual?

Como disse anteriormente, é necessário verificar as ocorrências particulares seriamente e, daí, ter subsídios para afirmar se houve vitimização ou assédio sexual efetivo.

12- Qual sua opinião a respeito de manifestações e marchas feministas? 

Não são protestos espontâneos de mulheres. São manifestações organizadas por agentes e grupos com ligações e interesses políticos, e que recebem financiamento de fundações internacionais para promoverem bandeiras que a maioria das mulheres abominam - por exemplo, o aborto. 

13- Se você tivesse dois filhos, menino e menina, a criação, educação e regras se aplicariam da mesma forma para os dois? Qual seria a diferença? E quais razões você atribui essa diferenciação (se ela existir)? É necessário um cuidado maior com uma garota? 

A educação seria diferente naquilo que os fazem naturalmente diferentes como menino e menina. O cuidado obedeceria o mesmo critério.  

14 - Você acha que a mulher pode ter o mesmo comportamento sexual e social que a maioria dos homens tem e são ensinados a ter desde jovens?

Para responder seria necessário saber qual é o "comportamento sexual e social que a maioria dos homens tem e são ensinados a ter desde jovens"?

15 - No seu ponto de vista o feminismo é "radical’’? O que poderia melhorar?

Penso que é "radical" porque os agentes e grupos que protagonizam o debate público têm a disparatada ambição de mudar a natureza da mulher com ideologias. Não sei se é uma questão de "melhorar", mas seria importante saber como seria o movimento feminista liderado por mulheres de fato - e não por lésbicas, bissexuais, etc. (e aqui não faço nenhum julgamento moral ou de valor). Ademais, seria oportuno avaliar o que as mulheres pensam sobre o próprio movimento femininista. Apresentar para elas as "causas" e "bandeiras" sem slogans e palavras de efeito, com os efeitos reais e concretos - como o aborto -, mostrar a sua fonte de renda e o interesse dos seus patrocinadores, e então perguntar - para a mulher comum - se ela se sente representada pelo movimento feminista. Eu me arrisco a dizer que o resultado seria decepcionante.

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