Pages

Wednesday, March 13, 2013

O outro Boff.


Bruno Braga.



Recentemente, frei Clodovis Boff concedeu uma entrevista à Folha de São Paulo [1]. Ao final do texto eu reproduzo alguns trechos dela. Clodovis diverge do seu irmão mais famoso, o guru da imprensa brasileira para assuntos religiosos, Leonardo Boff. Ele assume a defesa de Bento XVI – agora Papa Emérito (ou “Bispo Emérito de Roma”) – e critica a Teologia da Libertação, da qual foi um dos principais teóricos e missionários.

Clodovis tem a honestidade intelectual - que falta ao seu irmão – de reconhecer a incompatibilidade da fé católica com a Teologia “Comunista” da Libertação, e a sinceridade para apontar a teologia revolucionária como um instrumento ideológico – de reivindicação de poder – disfarçado de “compromisso com os pobres”.

A propósito, Leonardo Boff, o fiel apóstolo da Teologia da Libertação, se esforça para esconder seus objetivos e interesses, mas sempre deixa o rabo de fora. O teólogo comunista da revolução aproveitou a oportunidade aberta pela renúncia de Bento XVI para participar de um movimento que pretende decidir como a autoridade da Igreja Católica “poderia” e “DEVERIA” ser [http://www.churchauthority.org/]. Para Leonardo Boff a autoridade da Igreja DEVERIA estar subordinada aos seus interesses e às ambições e obsessões do seu grupo.

Mas, seguem os trechos da entrevista do outro Boff, Clodovis, mais sensato e mais honesto.   

***

Folha - Bento 16 foi o grande inimigo da Teologia da Libertação?
Clodovis Boff - Isso é uma caricatura. Nos dois documentos que publicou, Ratzinger defendeu o projeto essencial da Teologia da Libertação: compromisso com os pobres como consequência da fé. Ao mesmo tempo, critica a influência marxista. Aliás, é uma das coisas que eu também critico.
No documento de 1986, ele aponta a primazia da libertação espiritual, perene, sobre a libertação social, que é histórica. As correntes hegemônicas da Teologia da Libertação preferiram não entender essa distinção. Isso fez com que, muitas vezes, a teologia degenerasse em ideologia.

E os processos inquisitoriais contra alguns teólogos?
Ele exprimia a essência da igreja, que não pode entrar em negociações quando se trata do núcleo da fé. A igreja não é como a sociedade civil, onde as pessoas podem falar o que bem entendem. Nós estamos vinculados a uma fé. Se alguém professa algo diferente dessa fé, está se autoexcluindo da igreja.

Na prática, a igreja não expulsa ninguém. Só declara que alguém se excluiu do corpo dos fiéis porque começou a professar uma fé diferente.

Não há margem para a caridade cristã?

O amor é lúcido, corrige quando julga necessário. [O jesuíta espanhol] Jon Sobrino diz: "A teologia nasce do pobre". Roma simplesmente responde: "Não, a fé nasce em Cristo e não pode nascer de outro jeito". Assino embaixo.


Quando o sr. se tornou crítico à Teologia da Libertação?
Desde o início, sempre fui claro sobre a importância de colocar Cristo como o fundamento de toda a teologia. No discurso hegemônico da Teologia da Libertação, no entanto, eu notava que essa fé em Cristo só aparecia em segundo plano. Mas eu reagia de forma condescendente: "Com o tempo, isso vai se acertar". Não se acertou.

"Não é a fé que confere um sentido sobrenatural ou divino à luta. É o inverso que ocorre: esse sentido objetivo e intrínseco confere à fé sua força." Ainda acredita nisso?
Eu abjuro essa frase boba. Foi minha fase rahneriana. [O teólogo alemão] Karl Rahner estava fascinado pelos avanços e valores do mundo moderno e, ao mesmo tempo, via que a modernidade se secularizava cada vez mais.

Rahner não podia aceitar a condenação de um mundo que amava e concebeu a teoria do "cristianismo anônimo": qualquer pessoa que lute pela justiça já é um cristão, mesmo sem acreditar explicitamente em Cristo. Os teólogos da libertação costumam cultivar a mesma admiração ingênua pela modernidade.

O "cristianismo anônimo" constituía uma ótima desculpa para, deixando de lado Cristo, a oração, os sacramentos e a missão, se dedicar à transformação das estruturas sociais. Com o tempo, vi que ele é insustentável por não ter bases suficientes no Evangelho, na grande tradição e no magistério da igreja.

Quando o sr. rompeu com o pensamento de Rahner?
Nos anos 70, o cardeal d. Eugênio Sales retirou minha licença para lecionar teologia na PUC do Rio. O teólogo que assessorava o cardeal, d. Karl Joseph Romer, veio conversar comigo: "Clodovis, acho que nisso você está equivocado. Não basta fazer o bem para ser cristão. A confissão da fé é essencial". Ele estava certo.

Assumi postura mais crítica e vi que, com o rahnerismo, a igreja se tornava absolutamente irrelevante. E não só ela: o próprio Cristo. Deus não precisaria se revelar em Jesus se quisesse simplesmente salvar o homem pela ética e pelo compromisso social.

Bento 16 sepultou os avanços do Concílio Vaticano 2º?
Quem afirma isso acredita que o Concílio Vaticano 2º criou uma nova igreja e rompeu com 2.000 anos de cristianismo. É um equívoco. O papa João 23 foi bem claro ao afirmar que o objetivo era, preservando a substância da fé, reapresentá-la sob roupagens mais oportunas para o homem contemporâneo.

Bento 16 garantiu a fidelidade ao concílio. Ao mesmo tempo, combateu tentativas de secularizar a igreja, porque uma igreja secularizada é irrelevante para a história e para os homens. Torna-se mais um partido, uma ONG.

Mas e a reabilitação da missa em latim? E a tentativa de reabilitação dos tradicionalistas que rejeitaram o Vaticano 2º?
Não podemos esquecer que a condição imposta aos tradicionalistas era exatamente que aceitassem o Vaticano 2º. O catolicismo é, por natureza, inclusivo. Há espaço para quem gosta de latim, para quem não gosta, para todas as tendências políticas e sociais, desde que não se contraponham à fé da igreja.

Quem se opõe a essa abertura manifesta um espírito anticatólico. Vários grupos considerados progressistas caíram nesse sectarismo.

Esses grupos não foram exceção. Bento 16 sofreu dura oposição em todo o pontificado.
A maioria das críticas internas a ele partiu de setores da igreja que se deixaram colonizar pelo espírito da modernidade hegemônica e que não admitem mais a centralidade de Deus na vida. Erigem a opinião pessoal como critério último de verdade e gostariam de decidir os artigos da fé na base do plebiscito.

Tais críticas só expressam a penetração do secularismo moderno nos espaços institucionais da igreja.

[...].

Como vê o futuro da igreja?
A modernidade não tem mais nada a dizer ao homem pós-moderno. Quais as ideologias que movem o mundo? Marxismo? Socialismo? Liberalismo? Neoliberalismo? Todas perderam credibilidade. Quem tem algo a dizer? As religiões e, sobretudo no Ocidente, a Igreja Católica.

***

Referências.

[1]. Folha de São Paulo, 11 de Março de 2013. “Irmão de Leonardo Boff defende Bento XVI e critica Teologia da Libertação” [http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1244071-essencia-da-teologia-da-libertacao-foi-defendida-pelo-papa-diz-irmao-de-leonardo-boff.shtml].


Leituras sugeridas.

BRAGA, Bruno. “O engodo da libertação e o poder” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/10/o-engodo-da-libertacao-e-o-poder.html].
______. “Gato escondido com o rabo de fora” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/10/gato-escondido-com-o-rabo-de-fora.html].





Tuesday, March 12, 2013

A corrupta justiça Socialista-Comunista bolivariana.


Bruno Braga.



Luis Velásquez Alvaray pede desculpas aos venezuelanos por ter contribuído com o governo de Hugo Chávez. Exilado na Costa Rica, o ex-Magistrado do “Tribunal Superior de Justicia” venezuelano concedeu uma entrevista reveladora ao SOiTV (2012) [Cf. vídeo ao final do texto]. Ele denuncia – apresentando inúmeros documentos – a rede criminosa que domina o sistema judiciário na Venezuela, em todas as suas instâncias e especialidades. Uma quadrilha comandada pelo tiranete morto, antigo “Comandante-em-armas”, Hugo Chávez.

Alvaray aponta crimes financeiros. Descreve prisões irregulares de inocentes e opositores, ordenadas diretamente pelo ditador venezuelano. Queimas de arquivo. O ex-Magistrado revela atividades de cartéis – “de los Soles” e “dos Enanos” – compostos por juízes, fiscais, generais e agentes cubanos.

A quadrilha estava associada ainda com as Farc – as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas, grupo de guerrilheiros narcotraficantes Socialistas-Comunistas. Alvaray conta que as Farc mantém bases na Venezuela em propriedades de pessoas próximas a Hugo Chávez, inclusive de familiares. O irmão do tiranete, Adán Chávez é um dos protagonistas, personagem ativo, desta trama macabra. O grupo revolucionário, revela Alvaray, possui uma oficina ao lado do Palácio presidencial, e se beneficia de contratos do governo venezuelano: parte do pagamento do petróleo enviado à China é pago em armas, para as Forças Armadas do país e para o grupo revolucionário.  

Sobre a intervenção e o controle da imprensa e dos meios de comunicação, Alvaray conta que recebeu - diretamente de Hugo Chávez - uma ordem para decidir em favor dos “menos ricos” uma contenda envolvendo o periódico “Ultima hora”, do opositor Henrique Capriles.

A Venezuela prepara a sucessão do tiranete morto. E para este processo, que define o futuro do país, Alvaray revela informações importantes sobre o sucessor indicado pelo próprio Hugo Chávez. Nicolás Maduro, disputará a Presidência da Venezuela pelo PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) – com o apoio do Partido Comunista. Alvaray revela que Maduro participou de reuniões nas quais o controle dos tribunais superiores do país era decidido. Além disso, Maduro teria tramado o assassinato do próprio Alvaray para depois apontar que ele havia suicidado.

No vídeo abaixo, Luis Velásquez Alvaray apresenta a corrupção da justiça Socialista-Comunista bolivariana, instrumentalizada – para atender os interesses de um tiranete e seu regime - e de seus parceiros, a guerrilha, o narcotráfico e o crime organizado.




Fontes.

SOiTV, “Historias Secretas de un Juez – Parte 2” (2012) [http://www.soitv.com/entrevista-reveladora-de-ex-magistrado-venezolano-luis-velasquez-alvaray/].

Notalatina, Graça Salgueiro. “Revelações de um Juiz – Parte 2” [http://notalatina.blogspot.com.br/2012/05/revelacoes-de-um-juiz-parte-2.html].

      

Saturday, March 09, 2013

Mais armações bolivarianas.


Bruno Braga.


Os herdeiros políticos de Hugo Chávez mantém vivo o propósito da falsificação. Antes, documentos forjados, fotos e imagens manipuladas [1]. Agora é a vez de transformar um cortejo fúnebre em peça de teatro. O caixão que percorreu as ruas de Caracas não guardava o corpo do líder bolivariano. Foi o que afirmaram militares que conhecem o procedimento do traslado à publicação espanhola “ABC” [2].

O cadáver de Hugo Chávez veio de Cuba – onde o ditador de fato faleceu – e ficou depositado na Academia Militar venezuelana. O caixão utilizado na procissão popular estava vazio ou preenchido com algum peso, e foi trocado no sótão da Academia – local de acesso restrito, em um momento em que as câmeras que acompanhavam o cortejo nada puderam registrar. É possível notar que o caixão que entrou não é o mesmo que de lá saiu com o corpo a ser velado:




O corpo de Chávez não devia estar mesmo dentro daquele caixão que percorreu as ruas de Caracas. Porque debaixo de um sol intenso, e submetido a um forte calor, a conservação do cadáver do ditador venezuelano estaria comprometida, e ele não poderia ficar exposto ao público durante dias.

Nicolás Maduro anunciou o propósito de embalsamar o corpo de Hugo Chávez. Esta declaração reforça não apenas a tese de que o revolucionário bolivariano morreu em Cuba, mas que lá mesmo foi embalsamado.

O processo de embalsamamento não é simples, ele deve ser realizado nas primeiras 12 horas após a morte da pessoa. Assim atesta Cirino Otávio, especialista na técnica [3].

Para o embalsamador Airton Lima, embalsamar o cadáver de Chávez seria problemático, porque depois de dias do falecimento, o corpo já está em fase de decomposição:

“Será que fizeram o embalsamamento na hora ou vão deixar para depois? É preciso levar em conta que ele estava doente, internado e recebendo soro, e depois foi feita uma procissão (por Caracas), no calor. O corpo de Chávez pode levar três ou quatro dias para aceitar o líquido injetado” [4] (o destaque é meu).

Intervenções cirúrgicas, quimioterapia, medicação forte e pesada e cortejo fúnebre sob o forte calor de Caracas. O embalsamamento seria praticamente inviável, a não ser que tivesse sido preparado e realizado em Cuba, onde os militares asseguram que Hugo Chávez de fato morreu.

É preciso observar que a técnica de embalsamar é frequentemente utilizada quando um corpo precisa ser transportado de avião para outro estado ou país; ou, para ele ser velado dias a fio em uma cerimônia pública [5]. Este é o caso do cadáver de Hugo Chávez, que foi transportado de Cuba – onde foi embalsamado – para Venezuela, para uma cerimônia fúnebre que duraria dias.

Adiar o anúncio da morte de Hugo Chávez serviu para os seus herdeiros políticos espoliarem ainda mais a Venezuela, e prepararem a sucessão do revolucionário. O cortejo fúnebre foi armado para transformar uma cerimônia pública – reforçada com uma massa de militantes chavistas – em sinal de apoio “popular” ao regime ditatorial. Enfim, foi mais uma armação produzida pelos revolucionários Socialistas-Comunistas bolivarianos.

  
Notas.

[1]. BRAGA, Bruno. “A morte do revolucionário bolivariano” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/03/a-morte-do-revolucionario-bolivariano.html].



[4]. Idem.

[5]. Idem.


Sugestões de leitura.

Graça Salgueiro, Notalatina, “Golpe de Estado na Venezuela!” [http://notalatina.blogspot.com.br/2013/03/golpe-de-estado-na-venezuela.html].

Ucho.info., “Última mentira da fábula de Chávez mostra que tiranete bolivariano morreu há tempo” [http://ucho.info/ultima-mentira-na-fabula-de-chavez-mostra-que-tiranete-bolivariano-morreu-ha-tempo].


Friday, March 08, 2013

A morte do revolucionário bolivariano.


Bruno Braga.


Nicolás Maduro, vice-presidente da Venezuela, anunciou: Hugo Chávez está morto. A precisão em apontar a hora exata do falecimento - 16:25 [17:55, Brasília] – contrasta com o esforço anterior, o de ocultar informações sobre o estado de saúde da principal autoridade do país.

Desde que revelou padecer de um câncer, a saúde física do ditador venezuelano tornou-se um mistério. Nenhum boletim médico preciso foi divulgado. Pouco se sabe a respeito do tratamento ao qual se submeteu na ilha dominada pelos irmãos Castro. Surgiram as especulações, principalmente com a mudança radical da aparência de Chávez. Quando partiu para Cuba – para a última intervenção cirúrgica – o retorno tornou-se incerto. Com declarações oficiais desencontradas, a suspeita sobre a sua morte ganhou força. Documentos públicos eram dados como prova de que o revolucionário bolivariano permanecia vivo, embora uma pessoa sedada, submetida à traqueostomia, por óbvio, não estivesse em condição de elaborar sequer um lembrete para os funcionários – mas Chávez até “twittou”. Era uma peça teatral montada, que forjava a recuperação e o retorno do “Comandante-em-Chefe” de Cuba:  


A foto em que Chávez aparece ao lado das filhas após a última cirurgia em Cuba é uma falsificação. É o que atestam Ibrah Chaffardet, especialista em ilustração e animação digital, e Luis Perea, fotógrafo profissional com 30 anos de experiência [1].


As imagens utilizadas para anunciar o retorno de Hugo Chávez a Caracas - em Fevereiro – são de 07 de Dezembro, data em que o Presidente também retornava de Cuba.


A imprensa abraçou as falsificações promovidas pelo governo venezuelano, e com a morte de Hugo Chávez reproduziu outra. A Folha de São Paulo elaborou uma reconstituição da trajetória política do “revolucionário bolivariano”. A publicação assinalou que no ano de 2002 o governo de Chávez foi vítima de uma tentativa de golpe [2].

Esta tese – a do “golpe” - foi disseminada, sobretudo, pelo documentário “A Revolução não será televisionada” (“The Revolution Will Not Be Televised” ou também “Chávez: Inside the Coup”). O filme foi amplamente divulgado, recebeu prêmios internacionais - no Brasil foi exibido pela TV Câmara [3]. No entanto, o documentário é uma peça publicitária promovida e patrocinada pelo próprio Hugo Chávez – ele recorre a distorções, manipulação de imagens, para forjar, e depois denunciar, a tal “tentativa de golpe” de 2002.

A farsa é desmontada por outro documentário: “X-ray of a Lie” (“Radiografia de una mentira”, 2004).  



O filme aponta as falsificações promovidas pelo documentário que narra o tal “golpe” contra o governo de Chávez. Por exemplo, os chavistas que aparecem armados na Ponte Llaguno atirando no vazio - o que comprovaria a inocência deles no tumulto - disparavam contra um carro blindado da polícia, como revelam outras imagens. Os tanques, que teriam sido utilizados por militares “golpistas”, estavam, na verdade, a serviço de Chávez. A televisão estatal não foi tomada nem invadida, como foi alardeado – ela foi abandonada voluntariamente; as emissoras particulares de televisão, acusadas de participar do “golpe”, elas sim foram atacadas por militantes do governo, e tiveram os seus sinais cortados. O aglomerado de pessoas que aparece em torno do Palácio Miraflores – considerado o sinal do apoio “popular” a Chávez - era composto por partidários chavistas; e a multidão de quase um milhão de pessoas, que marchou pelas ruas de Caracas, pedindo a renúncia do ditador venezuelano, simplesmente não aparece no documentário que acusa o “golpe”. A “radiografia da mentira” termina com um discurso de Chávez, uma espécie de “confissão”. O revolucionário bolivariano assinala a necessidade de gerar “crises” para delas sair fortalecido. E esta foi a estratégia adotada com a ficção do “golpe de 2002” – fortalecer um regime que teria sido vítima de forças “golpistas”.   

O governo “revolucionário” de Cuba emitiu uma declaração sobre o falecimento de Hugo Chávez [4]. Nela, Chávez é tido como um autêntico “cubano” – um “filho verdadeiro” de Fidel Castro, que “acompanhou” o pai. Afirma que o “Comandante-em-Chefe” não estava a serviço apenas da Venezuela, mas também da “Pátria Grande”. E é verdade, Chávez tinha no horizonte a mesma pátria Socialista-Comunista idealizada por Fidel Castro. E de seu “pai” adotivo seguiu as lições, não apenas as de falsificação e engodo – também se associou ao banditismo e ao narcoterrorismo. Sim, morreu o “revolucionário bolivariano”, mas os seus aliados permanecem vivos e no poder, olhando para o mesmo horizonte – e utilizando as mesmas estratégias e artifícios – todos empenhados na construção criminosa da “Pátria Grande”.






Notas.

[1]. Cf. Para os esclarecimentos de Ibrah Chaffardet, acessar: [http://www.youtube.com/user/ibrahx?feature=watch]. E aqui as explicações de Luis Perea:  [http://www.ntn24.com/videos/fotografo-profesional-asegura-79594].


[3]. Entre os “Intelectuais”, Emir Sader é um dos propagandistas do filme. Cf. BRAGA, Bruno. “Um destrambelhado nada ingênuo” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/04/um-destrambelhado-nada-ingenuo.html].



   

Thursday, March 07, 2013

A religiosidade, entre a Fé e a Razão.


Bruno Braga.



O historiador inglês Paul Johnson assinala a contribuição de Sócrates para a recepção do Cristianismo. O filósofo ateniense não elaborou uma “doutrina”, não deixou um só escrito. Porém, as narrativas sobre a sua vida tornaram-se conhecidas. Operadas através das obras de Platão e de Aristóteles, as considerações de Sócrates a respeito da vida e da morte, sobre o corpo e a alma, foram disseminadas pelo mundo grego. Assim, quando Paulo pregou os ensinamentos de Jesus Cristo, encontrou um público apto a tratar de determinadas questões [1].

Joseph Ratzinger – agora Papa Emérito Bento XVI (ou “Bispo emérito de Roma”) – estabelece uma relação entre a Filosofia e o Cristianismo semelhante à de Paul Johnson. No livro “Introdução ao Cristianismo” [2], Ratzinger observa a existência de um paralelo temporal e real entre a crítica filosófica dos mitos na Grécia e a crítica profética dos deuses em Israel [3].

Sócrates, como sublinha Paul Johnson, já indica um deus único em meio aos deuses cultuados na Grécia [4]. Ratzinger, por sua vez, observa neste contexto um movimento do “Logos” contra o “Mito”, que expressa o processo de esclarecimento da própria mentalidade grega – um processo de depuração que alcança a ideia de “Ser” e estabelece a unidade que fundamenta a multiplicidade.

Em um mundo repleto de deuses, Moisés afirma o Deus único. Sua afirmação implica a renúncia de todos os outros deuses: de “Baal” e de “Moloch”, e com eles a renúncia de cultos com ligações locais, da divinização dos poderes políticos em favor de um Deus próximo que pode se tornar o Deus de cada pessoa – é uma opção existencial. E quando Moisés pergunta ao próprio Deus o seu nome, Ele responde: “Eu sou aquele que é” [5]. O “eu sou” como aquele que “é” estabelece a “presença” e a “duração” – é o “Ser” que se contrapõe ao “devir”, o permanente e existente em oposição ao transitório e à corrupção [6].

O esclarecimento posterior da literatura profética – sobretudo com Ezequiel e Deutero-Isaías [7] – e sapiencial promove a desmitização dos poderes idolátricos em favor do Deus único, e converge com o movimento do esclarecimento filosófico grego no “Logos”, apesar de partirem de hipóteses diversas e visarem metas distintas. Esta é a articulação entre a Fé e a Filosofia, a busca da unidade entre “Fé e Razão”.

A primazia do “Logos”, porém, não implica o desprezo da vida e do mundo. Porque o sentido que sustenta todo o ser tornou-se carne, isto é, penetrou na história tornando-se alguém nela. Ele não é mais apenas quem envolve e carrega a História – o “Ser” entre a multiplicidade e o transitório -, mas é um ponto dentro dela. Em Jesus Cristo realiza-se a união do “Logos” e da “Carne” (“Sarx”), de razão ou sentido e figura individual da história. Assim, o sentido de todo ser, aponta Ratzinger, “não mais poderia ser encontrado, de agora em diante, na intuição do espírito a elevar-se acima do individual e limitado, até alcançar o geral; não mais existiria simplesmente no mundo das ideias a ultrapassar o particular, refletindo-se aí apenas fragmentariamente; deveria ser encontrado imerso no tempo, no rosto de um homem” [9]. 

As observações de Paul Johnson e de Joseph Ratzinger são absolutamente pertinentes. Não apenas do ponto de vista da pesquisa histórica – ou sob a perspectiva da teologia católica, para o fiel. Elas fornecem uma oportunidade para superar o abismo entre a Fé e a Razão aberto pela modernidade, e resgatar um dos produtos da cultura contemporânea, o degradado conceito de religiosidade.  


Referências.

[1]. BRAGA, Bruno. “A magnitude de Sócrates, por Paul Johnson” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/03/a-magnitude-de-socrates-por-paul-johnson.html].

[2]. RATZINGER, Joseph. “Introdução ao Cristianismo”: Preleções sobre o Símbolo Apostólico. Editora Herder: São Paulo, 1970. Para fazer o download do livro em formato PDF, acesse o link: [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/02/o-legado-bento-xvi.html].

[3]. Idem, p. 99.

[4]. Cf. Nota [1].

[5]. Êxodo 3, 14.

[6]. RATZINGER, 1970, p. 89.

[7]. Idem, p. 90.

[8]. Idem, p. 99.

[9]. Idem, pp. 151-152. Ratzinger observa que o Evangelho de João articula a literatura dos livros sapienciais e do Deutero-Isaías, colocando o “eu sou” no núcleo da Cristologia.  


Sugestões de leitura.

BRAGA, Bruno. “O Legado – Bento XVI” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/02/o-legado-bento-xvi.html].
______. “A magnitude de Sócrates, por Paul Johnson” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/03/a-magnitude-de-socrates-por-paul-johnson.html].
______. “O Mistério do Filho do Homem” [http://b-braga.blogspot.com.br/2011/12/o-misterio-do-filho-do-homem.html]. 


Tuesday, March 05, 2013

A magnitude de Sócrates, por Paul Johnson.


[Sugestão de leitura].
Bruno Braga.



Sócrates é um marco na História da Filosofia. O ateniense tornou-se o arquétipo do que é ser filósofo, um modelo ainda fecundo mesmo que passados mais de 2.400 anos de sua morte. Para isso não precisou legar qualquer documento escrito. Ele não redigiu um conjunto de obras, não elaborou um “sistema” teórico ou uma “doutrina”. Para Sócrates não foi necessário a aprovação dos filósofos “profissionais” do seu tempo – nem um titulo acadêmico de tipo contemporâneo - para atestar a sua capacidade e o seu valor. Em “Socrates: a man of our times” [1], Paul Johnson examina esta ilustre figura.

O historiador inglês não se contenta apenas em reconstruir a biografia de Sócrates, recorrendo a fontes indiretas, sobretudo ao célebre discípulo do filósofo, Platão. Paul Johnson recria as circunstâncias políticas, as condições sociais e culturais das quais emergiu e nas quais Sócrates viveu. Todos estes elementos são transformados pelo autor em uma referência para o homem moderno, em uma fonte fecunda para que ele possa pensar, não apenas as questões acadêmicas da ética filosófica, mas a experiência vivida que, para Sócrates, era indissociável da Filosofia.

Sim, Sócrates cultivou os estudos da natureza. Mas também se dedicou ao vigor do caráter, enfrentou a guerra. Em sua busca incansável pela verdade interpelou aqueles que se apegavam a fórmulas e conceitos – e o fez também como um opositor da fórmula adotada pela cultura contemporânea, o relativismo. Quando soube que o oráculo o apontou como o homem mais sábio de Atenas, Sócrates, sem compreender o significado da sentença, abordou os que para o público tinham a reputação de “sábios”: o político, o poeta e o artesão. Só então, depois de examinar aquelas pessoas que se julgavam “sábias”, e de verificar que elas nada sabiam, é que Sócrates compreendeu o oráculo. De fato ele possuía um conhecimento a mais do que aqueles “sábios”: estava ciente de que nada sabia.

Paul Johnson narra o célebre julgamento de Sócrates, que apesar de bravamente se defender das acusações de corrupção da juventude e de cultuar deuses que não os da cidade, acaba condenado à pena capital. Sentença que acata em nome da justiça - em nome da lei e da ordem ele recusa a proposta de seus discípulos para fugir: aguarda tranquilamente a chegada da morte, que o abraçará com a ingestão da cicuta.

Paul Johnson estabelece uma relação entre Sócrates e o Cristianismo. A disseminação das considerações do filósofo ateniense sobre a vida e a morte, sobre o corpo e a alma – que são operadas através das obras de Platão e de Aristóteles -, junto com as narrativas sobre a sua própria vida, fizeram de Sócrates o modelo primordial do que é ser filósofo e uma fonte de sabedoria ética. Neste contexto, neste ambiente, Paulo encontrou um público preparado, apto a considerar certas questões, a receber a sua mensagem quando pregou os ensinamentos de Jesus Cristo. Assim, houve uma combinação que reuniu a caridade, a abnegação, a aceitação do sofrimento e o sacrifício da vontade com a visão socrática do triunfo da alma, dado na vida eterna cristã. “Os gregos perguntam por uma explicação, os judeus procuram por um sinal” [2] – Sócrates, graças aos escritos de Platão, forneceu a “explicação”, enquanto Jesus de Nazaré e a sua ressurreição produziram o “sinal”.

No entanto, Paul Johnson adverte: a relação entre o pensamento socrático e o Cristianismo não extrapola esta perspectiva geral. Sócrates não foi um precursor de Cristo - apesar de ter enaltecido o princípio de não retribuir a injustiça sofrida e de indicar um deus único. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” [3] – anuncio que somente uma consciência da divindade poderia justificar. Sócrates – que declarava nada saber – jamais se apresentaria assim, porque o exercício do seu “ministério” consistia apenas no esforço para fazer as pessoas pensarem sobre o bom comportamento e sobre os valores da humanidade de uma forma um pouco mais clara e coerente. Mas, o sucesso do trabalho de Sócrates, observa Paul Johnson, alcançou inúmeras gerações e forneceu claridade e força à recepção do Cristianismo do mundo grego, tornando-o mais fértil e fecundo [4].

Enfim, o livro de Paul Johnson – que não é destinado apenas ao público acadêmico - é leitura indispensável para conhecer Sócrates, e através dele – de sua vida e de suas experiências – pensar as tensões, os conflitos e os desafios impostos ao homem moderno.          


Referências.

[1]. JOHNSON, Paul. Socrates: a man of our times. Viking Penguin: New York, 2011. Há uma tradução para o português, que foi publicada pela editora Nova Fronteira, em 2012: “Sócrates, um homem do nosso tempo”.

[2]. Tradução livre para a citação de Paul Johnson, p. 188. A referência para o texto bíblico é I Cor, 22.

[3]. Referência bíblica, João 14, 6.

[4]. Para Paul Johnson a conquista do pensamento socrático, nesta “preparação”, teria colocado os pensamentos de Platão e Aristóteles, importantes no processo de “estabelecimento” da Cristandade Ocidental, como contribuições “periféricas”. Cf. p. 188-189.  

Sunday, March 03, 2013

A Guarda do Papa.







O encerramento do pontificado de Bento XVI foi marcado por um ato que pôs em evidência um dos muitos personagens do Vaticano: a Guarda Suíça Pontifícia. Coube a ela cerrar as portas do Palácio Apostólico de verão, em Castel Gandolfo, onde o agora Papa Emérito passará os próximos dois meses. Após esse gesto, depôs as armas e foi substituída pela Gendarmaria (Corpo de Polícia do Estado do Vaticano). Mas, uma pergunta ficou no ar: quem são esses homens cuja função é cuidar da segurança do Papa?
Por volta de 1505, o então Papa Julio II pediu ao monarca da Suíça que lhe mandasse um grupo de homens para fazer a sua segurança pessoal. Em 22 de janeiro de 1506, 150 homens suíços, comandados pelo Capitão Kaspar von Silenem, escolhidos entre os mais fortes, robustos e nobres representantes dos cantões de Uri, Zurique e Lucerna, adentraram ao Vaticano e atravessaram a Praça do Povo, onde foram abençoados por aquele Pontífice.
Encarregados de garantir a segurança do Papa, enfrentaram em 06 de maio de 1527 a mais sangrenta batalha, quando Roma foi invadida por cerca de dezoito mil homens pertencentes ao exército de Carlos V, o qual guerreava contra Francisco I. Naquele dia, um grupo de mil homens do exército inimigo batalhou contra a Guarda do Papa, em frente à Basílica de São Pedro. Os suíços lutaram bravamente e 108 deles morreram no combate, mas, para comprovar sua coragem e dedicação, das fileiras contrárias tombaram 800 dos mil invasores. Além disso, fizeram uma espécie de cordão de isolamento em torno do Papa Clemente VII, levando-o em segurança até o Castelo de Santo Ângelo.
Recruta levanta os três dedos da mão, símbolo da Santíssima Trindade, durante a cerimônia de juramento.
Esta é a missão da Guarda Suíça Pontifícia: dar a própria vida, se necessário for, para proteger a do Sumo Pontífice. Assim, é evidente que para ser admitido ao corpo da Guarda é necessário que o candidato passe por um rigoroso processo de seleção. Os principais requisitos são:
(1) Ser católico: dado que a pessoa a ser protegida é ninguém menos que a autoridade máxima temporal da Igreja Católica Apostólica. Além disso, é dever do Guarda Suíço velar pelos peregrinos católicos, pela Cúria Romana e pelo próprio Túmulo do Príncipe dos Apóstolos. Por fim, ele deve participar cotidianamente das diversas celebrações litúrgicas no Vaticano. Nada mais justo, portanto, que professe a fé católica.
(2) Ter cidadania suíça: em honra aos 108 suíços que tombaram gloriosamente na batalha ocorrida em 1527, somente são admitidos homens dessa nacionalidade no corpo de segurança pontifício.
(3) Ter boa saúde: os candidatos passam por uma rigorosa bateria de exames físicos e psicológicos.
(4) Ser solteiro: exceção feita somente aos oficiais, sargentos e cabos. É proibido que durmam fora do Vaticano.
(5) Ter concluído o curso básico de preparação: ministrado pelo exército suíço. Além disso, devem obter um certificado de aptidão.
(6) Ter boa conduta: como a pessoa irá servir diretamente ao Papa, deve ter uma conduta irreprovável.
(7) Ter formação profissional: é desejável que o candidato tenha uma boa formação, além da vontade e eficiência. É esperado que ele demonstre capacidade de aprendizagem e um certo nível de maturidade.
(8) Idade: Para ser admitido, o candidato deve ter entre 19 e 30 anos de idade.
A Guarda Suíça tem diversas atribuições, dentre elas, prestar segurança às inúmeras autoridades estrangeiras que visitam oficialmente o Vaticano, assistir o Papa durante as suas viagens apostólicas e também em suas aparições públicas na Praça de São Pedro. Por isso, nem sempre estão trajados com o uniforme pelo qual são reconhecidos. Muitas vezes estão à paisana, como guarda-costas e misturam-se à multidão, utilizando equipamentos de segurança de última geração. Tudo para garantir a segurança do Pontífice. Hoje ela é composta por 109 membros, sendo cinco oficiais, 26 sargentos e cabos e 78 soldados.
O uniforme é outro aspecto interessante da Guarda Suíça e pelo qual são reconhecidos. Imputa-se o seu desenho original a Michelangelo, mas o modelo atual foi redesenhado por Jules Répond, então Capitão da Guarda. Elaborado em malha de cetim, nas cores azul-real, amarelo-ouro e vermelho-sangue, é composto de meias que aderem às pernas e são presas na altura do joelho por uma liga dourada e a parte superior também apresenta um corte inusitado. O capacete é ornado com uma pluma de cor vermelha e as luvas são brancas.
Trata-se de um uniforme bastante elegante, que simboliza a nobreza e o orgulho de servir ao Sumo Pontífice. Embora, de maneira inegável, seja curioso para os tempos atuais. Por causa disso, chama a atenção dos peregrinos católicos que visitam o Vaticano. No site oficial da Guarda Suíça Pontifícia existe um campo para que os peregrinos enviem suas fotos tiradas com os guardas na Praça de São Pedro. No dia 06 de maio de 2006, o Papa Emérito Bento XVI, presidiu uma Missa Solene celebrando os 500 anos da Guarda Suíça Pontíficia. Em sua homilia afirmou:
"Entre as numerosas expressões da presença dos leigos na Igreja católica, encontra-se também a da Guarda Suíça Pontíficia, que é muito singular porque se trata de jovens que, motivados pelo amor a Cristo e à Igreja, se põem ao serviço do Sucessor de Pedro.
Para alguns deles a pertença a este Corpo de Guarda limita-se a um período de tempo, para outros prolonga-se até se tornar opção para toda a vida. Para alguns, e digo-o com profundo prazer, o serviço no Vaticano contribuiu para maturar a resposta à vocação sacerdotal ou religiosa. Mas para todos, ser Guardas Suíços significa aderir sem limites a Cristo e à Igreja, prontos por isso a dar a vida. O serviço efetivo pode terminar, mas dentro permanece-se sempre Guardas Suíços".

A cena da qual a Guarda Suíça fez parte no dia da renúncia de Bento XVI (28/02/2012) retrata perfeitamente o espírito que a move e que deveria servir de exemplo para todos os católicos:servir à Igreja e ao Sumo Pontífice até o fim. Até o último segundo.


Referências.

1. Site oficial da Guarda Suíça [http://www.swissguard.va/index.php?id=24&L=3].

2. Homilia do Papa Bento XVI na solene concelebração eucarística por ocasião do V Centenário da Guarda Suíça Pontifícia [http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2006/documents/hf_ben-xvi_hom_20060506_swiss-guard_po.html].



Recolhimento da Guarda suíça ao término do Pontificado de Bento XVI.


(*) Fonte do texto, fotos e referências: Equipe Christo Nihil Praeponere (Pe. Paulo Ricardo) - os vídeos foram adicionados ao original.