Saturday, February 23, 2013

Jean e a defesa dos números gayzistas.


Bruno Braga.


Em um artigo intitulado “A palavra dos mortos” [1] o deputado federal e ativista gay – Jean Wyllys – dispôs-se a defender o levantamento panfletário promovido pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), que denuncia o assassinato de 336 gays, lésbicas e travestis no Brasil em 2012 [2].

O ilustre deputado dispara uma série de estereótipos - “conservador”, “reacionário”, “fundamentalista cristão” – contra os que contestaram o levantamento do GGB. Recurso ordinário de manifestações militantes. Mas, além do artifício comum, Jean se coloca em uma posição privilegiada, que o ilumina na exclamação da sentença carregada com um peculiar – senão exótico - espírito “democrático” e “tolerante”:

“Não repetirei aqui todos ‘argumentos’ dessa gente – até porque seu preconceito ou má fé não precisa de mais espaço que já tem!” (os destaques são meus).   

O deputado gayzista é de uma generosidade comovente. Ele desce até o raso da ignorância para dar uma amostra de sua luz sapiencial e demonstrar a estreiteza do intelecto – ou a má-fé – dos que contestaram os números do GGB. Quer dizer, para Jean toda e qualquer oposição é – automaticamente – demonstração de burrice ou malícia de embusteiro.  

Adverte o deputado gayzista: as estatísticas do GGB não afirmam “apenas” o assassinato de 336 homossexuais no ano passado; elas denunciam a “motivação homofóbica” dos crimes, ou seja, pessoas que foram mortas porque eram gays, lésbicas, travestis, ou em “circunstâncias em que a orientação sexual e/ou identidade de gênero contribuiu/contribuíram decisivamente para o homicídio”.

Acontece que a “motivação homofóbica” não é determinada no levantamento do GGB. Não há nos dados apresentados a especificação da “motivação” de cada um dos crimes, isto é, o esclarecimento de que foram cometidos por pessoas perturbadas que nutrem um ódio mortal contra homossexuais. O próprio responsável pelo material se esquiva quando é questionado sobre a “motivação” dos crimes: “quando o movimento negro, os índios, ou as feministas divulgam suas estatísticas, não se questiona se o motivo foi racismo ou machismo”. Porém, mesmo assim, Jean pressupõe que todos – todos - os homicídios tiveram “motivação homofóbica”.

Ademais, o que o deputado gayzista quer dizer com “circunstâncias em que sua orientação sexual e/ou identidade de gênero contribuiu/contribuíram decisivamente para o homicídio”? (o destaque é meu). “Contribuir”, aqui, tem um sentido tão elástico quanto o conceito de “homofobia” construído por Luiz Mott, o “decano” do Movimento gayzista. Ampliados e manipulados com os aspectos “cultural”, “institucional”, “individual”, “linguístico” e “social”, a construção teórica é capaz de artificialmente transformar o assassinato de um gay - executado por outro gay - em crime de “homofobia”. Por exemplo, denunciando como crime “homofóbico” o assassinato de um gay por outro porque a vítima não teve amparo “institucional” ou porque o assassinato é o resultado das circunstâncias “culturais”, de um suposto preconceito generalizado contra gays [3].    

Jean ainda afirma que os crimes contra os homossexuais não podem ser comparados com os cerca de 50.000 homicídios ocorridos no Brasil todo ano. O deputado gayzista está equivocado. Porque, se a motivação “homofóbica” dos crimes não é atestada, então não há nenhum impedimento de somar estes crimes com o de todos os outros brasileiros assassinados. Não há critério que justifique o isolamento dos crimes cometidos contra gays – ele não é identificado.   

Além disso, o número apresentado pelo GGB – por si mesmo e na proporção com o número total de homicídios (50.000) - não é significativo para alarmar um “banho de sangue gay” que justifique a engenharia social pretendida com ele, algo envolve não apenas a modificação da legislação penal, mas a reformulação de projetos educacionais infantis com material gayzista e a prática de adoção de crianças.

Enfim, Jean se levanta para defender os seus. Para isso recorre aos artifícios utilizados pelo ativismo do qual faz parte, a militância gayzista que tem entre os seus maiores representantes o próprio Grupo Gay da Bahia.


Notas.     

[1]. Jean Wyllys, “A palavra dos mortos” [http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/90310/A-palavra-dos-mortos.htm].

[2]. BRAGA, Bruno. “Números gayzistas” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/01/numeros-gayzistas.html].

[3]. BRAGA, Bruno. “Números gayzistas forjados, uma amostra didática” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/01/numeros-gayzistas-forjados-uma-amostra.html].



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