Tuesday, April 07, 2015

E se os empresários decidissem reagir contra a CNBB?

Bruno Braga.




A CNBB está engajada na promoção de projetos de reforma política que preveem a restrição ou a proibição total de doações privadas para campanhas eleitorais. Para difundir as propostas - para convencer os católicos e coletar assinaturas para a convocação de um Plebiscito Constituinte ou para a legitimação de um projeto de lei dito de "iniciativa popular" - a Conferência dos Bispos se consagrou à satanização dos empresários.

Porém, se a CNBB parte do pressuposto de que os empresários - simplesmente por serem empresários - não têm idoneidade moral para participarem do processo que configura o cenário político - cenário determinante para o exercício de suas atividades -, então a Conferência dos Bispos - por coerência - deveria se empenhar em uma campanha para proteger as paróquias e dioceses de seres tão "malígnos" e "rasteiros". Porque, se o empresário que contribui para uma campanha política visa somente obter uma retribuição futura por parte do candidato que financiou, então todos os empresários que patrocinam os jornaizinhos de suas paróquias, dos abastados homens de negócios ao dono da mercearia da esquina que ajudam nas obras de suas igrejas, que fazem doações a instituições filantrópicas, de caridade e de ensino confessionais, todos eles têm no seu coração apenas o propósito de obter favores de padres e ministros, e, em última instância, de subverter a vontade de Deus e comprar a graça divina.

Ora, uma campanha da CNBB contra as doações e contribuições dos empresários para as paróquias e dioceses seria um completo disparate; como são um disparate as propostas de reforma política patrocinadas pela Conferência dos Bispos, fundadas no prejulgamento do empresário e na exclusão sumária dele da vida pública.

Contudo, não seria desatinada a atitude do empresário que, antes de contribuir com a sua paróquia, denunciasse a CNBB por parasitar a igreja para fazer pregações ideológicas e fomentar o ódio através de uma fictícia luta de classes, por satanizá-lo como estratégia maliciosa para promover propostas de reforma política que afrontam os princípios da sua fé e as orientações da Igreja Católica - que fortalecem e ampliam o projeto de poder totalitário estabelecido pelo Foro de São Paulo [1]. Uma atitude assim seria louvável não só como forma de esclarecer que os "excomungados" não são eles, mas provavelmente muitos dos que os acusam, por vínculo e subordinação ao comuno-petismo [2]. Seria um gesto de proteção da sua Casa e um sinal de preocupação com o futuro do seu país.



Referências.

[1]. "A reforma política para o Foro de São Paulo continuar governando o Brasil" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/04/a-reforma-politica-para-o-foro-de-sao.html].

[2]. Congregação do Santo Ofício, 1949. (1) É permitido aderir ao partido comunista ou favorecê-lo de alguma maneira? Não. O comunismo é de fato materialista e anticristão; embora declarem às vezes em palavras que não atacam a religião, os comunistas demonstram de fato, quer pela doutrina, quer pelas ações, que são hostis a Deus, à verdadeira religião e à Igreja de Cristo [...] (4) Fiéis cristãos que professam a doutrina materialista e anticristã do comunismo, e sobretudo os que as defendem e propagam, incorrem pelo próprio fato, como apóstatas da fé católica, na excomunhão reservada de modo especial à Sé Apostólica? Sim. - II. Congregação do Santo Ofício, 1959. É permitido aos cidadãos católicos, ao elegerem os representantes do povo, darem seu voto a partidos ou a candidatos que, mesmo se não proclamam princípios contrários à doutrina católica e até reivindicam o nome de cristãos, apesar disto se unem de fato aos comunistas e os apoiam por sua ação? Não, segundo a diretiva do Decreto do Santo Ofício de 1o. de Julho de 1949, n.1 [3865]. 
 

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