Saturday, April 04, 2015

A reforma política para o Foro de São Paulo continuar governando o Brasil.

Bruno Braga.

 
 
No final do ano passado, o então deputado Renato Simões (PT-SP) declarou em plena Câmara Federal: o Brasil é governado - não pela Presidente Dilma Rousseff - mas pelo Foro de São Paulo [1]. Uma declaração assim, aberta e sem o menor pudor, é por si só escandalosa. Porém, o espanto pode ser ainda maior se ela e quem a enunciou forem inseridos na análise de um dos principais temas do debate público atual: a reforma política.
 
Renato Simões participou de reuniões promovidas pelo Foro de São Paulo no exercício do seu mandato parlamentar [2]. Mas, antes mesmo de compor a Câmara dos Deputados, o petista frequentou os encontros da organização fundada por Lula e por Fidel Castro como Secretário de Movimentos Sociais do PT - é preciso destacar: como Secretário de MOVIMENTOS SOCIAIS do PT. Por exemplo, estava ele em Caracas, na Venezuela, participando ao lado do tiranete Hugo Chávez e de seu futuro herdeiro, Nicolás Maduro, do XVIII Encontro do Foro de São Paulo [3].
 
Muito bem. Atualmente, Renato Simões está empenhado na promoção de duas propostas de reforma política: uma, que seria desenvolvida por meio de um Plebiscito Constituinte; a outra, um projeto de lei dito de "iniciativa popular" apresentado por uma tal "Coalizão para a Reforma Política Democrática" (Cf. imagem).
 

As duas propostas de reforma política têm o apoio da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), apesar de estarem em total desacordo com os princípios e orientações da Igreja Católica. E, embora aparentemente distintas, elas têm o mesmo objetivo: inserir nas instâncias decisórias da administração pública os chamados "movimentos sociais", que são grupos ligados diretamente ao PT ou que de alguma forma são aliados do partido [4]. O MST é o caso mais emblemático. Os sem-terra - que assinam as duas propostas - são parceiros históricos do Partido dos Trabalhadores e um braço do Foro de São Paulo, um braço armado e treinado em atividades de guerrilha [5]. Portanto, não é difícil notar que a reforma política "democrática" é uma fraude. Trata-se propriamente de iniciativas maliciosas que promovem "movimentos sociais" comprometidos com o comuno-petismo para ampliar e fortalecer o seu projeto de poder totalitário.
 
Renato Simões já não é mais Deputado Federal. No entanto, ele passou a integrar uma equipe de trabalho na Secretaria Geral da Presidência da República, que tem entre suas principais atribuições a de intermediar as relações do governo federal com as "entidades da sociedade civil", com os chamados "movimentos sociais". Simões - que pertence à "Militância Socialista" do PT - aceitou o convite do ministro Miguel Rossetto - que é da "Democracia Socialista", a ala trotskysta do Partido dos Trabalhadores. O ministro da Presidente Dilma Rousseff que mantém uma relação estreita com o MST [6] e que se comprometeu com a CNBB - com um aperto de mãos - com a promoção da reforma política [7].
 

Renato Simões aparece ao lado de Miguel Rossetto - antes de integrar oficialmente a equipe do Ministro. A foto acompanha uma publicação da Secretaria Geral da Presidência da República que tem o título - "Ministro Miguel Rossetto OUVE MOVIMENTOS SOCIAIS sobre a reforma política" - e explica que "o encontro faz parte dos DIÁLOGOS entre o ministro e a SOCIEDADE para debater o assunto" (Cf. [http://www.secretariageral.gov.br/noticias/2015/fevereiro/04-02-2015-ministro-miguel-rossetto-ouve-movimentos-sociais-sobre-reforma-politica]). A publicação coloca Renato Simões - um agente do Foro de São Paulo, e que nem deputado federal era mais - como um "representante da sociedade".

Para preparar a conclusão, é importante observar que no seu XIX Encontro - que em 2013 contou com uma saudação especial da Presidente Dilma Rousseff - o Foro de São Paulo estabeleceu: "Temos que REPOSICIONAR O ESTADO e APROFUNDAR A DEMOCRACIA, ASSEGURAR A HEGEMONIA e a ESTABILIDADE POLÍTICA para a realização das MUDANÇAS e GERAR NOVOS ESPAÇOS DE PARTICIPAÇÃO POPULAR NA GESTÃO PÚBLICA e no cumprimento dos direitos básicos da população" [8]. No encontro do ano passado, que aconteceu na Bolívia, a organização comunista ressaltou o "compromisso com o conteúdo de declarações anteriores, em particular a do XIX Encontro, realizado em São Paulo", afirmou o princípio da "DEMOCRACIA e PARTICIPAÇÃO POPULAR" - com o protagonismo dos "MOVIMENTOS SOCIAIS" - para o "ROMPIMENTO RADICAL com O SISTEMA patriarcal de ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA" [9].
 
Diante do exposto, as propostas de reforma política promovidas por Renato Simões atualizariam aquela sua despudorada declaração na Câmara dos Deputados. O Plebiscito Constituinte e o projeto de lei dito de "iniciativa popular" são - assim como o decreto 8.243-14 [10] - mecanismos e ferramentas para permitir que o Foro de São Paulo continue governando o Brasil.

 
Referências.
 
[2]. Idem.
[8]. XIX Encontro do Foro de São Paulo, Declaração final, São Paulo, 2013 [http://forodesaopaulo.org/declaracion-final-sao-paulo-2013/].
[9]. XX Encontro do Foro de São Paulo, Declaração final, Bolívia, 2014 [http://forodesaopaulo.org/declaracao-final-do-xx-encontro-do-foro-de-sao-paulo/].

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