Monday, October 22, 2012

Como assim, Genoino?



Bruno Braga.


Depois de condenado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção ativa – e participação no esquema do Mensalão -, José Genoino, ex-Presidente do PT, concedeu sua primeira entrevista. Questionado se entregaria algum companheiro como estratégia de defesa, ele bate com um livro na mesa e responde com firmeza e obstinação:

“Nunca entreguei ninguém na minha vida. Nem no pau de arara. Muito menos num processo que virou um grande espetáculo midiático” [1].

Como assim, Genoino? Nunca entregou ninguém? O Coronel Lício Augusto Maciel – responsável por interrogar o ex-guerrilheiro, que havia sido capturado no Araguaia – conta outra história. Em solenidade na Câmara dos Deputados – realizada em 26 de Junho de 2005 – o Coronel narra o seguinte:

“Então, o Genoino foi mandado para Xambioá preso. A essa altura ele já deixou de ser detido para ser preso, e disse tudo sobre a área. Quando olhei para ele e disse: ‘Você não tem alternativa porque aqui está a mensagem’. Ele disse: ‘Eu falo’. Eu disse: ‘É bom você falar’. Genoino, olhe no meu olho, você está me vendo [O Coronel Lício se volta para o telão da Câmara dos Deputados]. Eu prendi você na mata e não toquei num fio de cabelo seu. Não lhe demos uma facãozada, não lhe demos uma bolacha – coisa de que me arrependo até hoje” (os grifos são meus).

O Coronel narra mais uma história, e ela é macabra: os companheiros de Genoino esquartejaram o filho de 17 anos de um nativo da região onde ocorria a guerrilha. Cortaram primeiro uma orelha, na frente da família; cortaram a segunda orelha – o rapaz gritava de dor, e sua mãe desmaiou. Depois cortaram os dedos, as mãos, e no final deram a facada que o matou – “Genoíno, aquele rapaz foi esquartejado!”, exalta-se o Coronel Lício.


Em Setembro de 2005 – na condição de cidadão – o Coronel Lício foi assistir ao depoimento de José Genoino na CPI sobre a compra de votos. Acabou sendo expulso da Sessão, enquanto o ex-guerrilheiro negava a existência do Mensalão (Cf. Vídeo abaixo) – negava, com a mesma obstinação com a qual, hoje, jura nunca ter entregado ninguém.


   
Referências.



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