Tuesday, June 18, 2013

Nota sobre o poder e o disfarce revolucionário.

Bruno Braga.



A “Militância” é um dos maiores poderes – senão o maior – dos partidos revolucionários. A capacidade de, (1) por um lado, mobilizar grupos que se auto-proclamam OS autênticos REPRESENTANTES DO POVO, e, (2) por outro, postar um número de “Intelectuais”, “formadores de opinião”, professores e “especialistas”, propagandistas – todos engajados –, que apresentam a manifestação para o público como se fosse de fato uma MANIFESTAÇÃO POPULAR.

Sim, entre estes “apresentadores” – e entre os próprios participantes do manifesto - existem os “companheiros de viagem”, que “embarcam” no artifício do discurso auto-proclamatório dos “porta-vozes do povo”. Eles não enxergam – ou fingem não enxergar – as cores das bandeiras e as siglas dos partidos. Ou, na falta desses, ou de qualquer outro símbolo de referência, não suspeitam sequer de que para a realização de uma “mobilização” e de uma MANIFESTAÇÃO é necessário haver, por trás dela, uma ORGANIZAÇÃO.

A princípio, não importa se a organização é estabelecida em nome de um partido. Porque os braços dos partidos são atuantes: sindicatos, associações representativas, ONG’s, organizações estudantis, grupos de minorias, etc., etc. A maquiagem da “Sociedade civil organizada”. Porém, todos compartilham o mesmo ideal revolucionário de concentração de poder. A hegemonia de seus grupos sob o pretexto de “democracia popular” e “controle social” das estruturas administrativas. O estabelecimento de uma Cultura padrão – idéias, opiniões e comportamento – para toda a sociedade.


Uma preocupação dos organizadores dos manifestos tem sido se apresentar como APARTIDÁRIOS. Mas, se o disfarce não cai à primeira vista, quando fica constatado que têm uma carteirinha do partido, um recurso útil é tomar o discurso. Os próprios revolucionários pregam que toda “ação” é “política”. Por esta premissa – e por uma exigência mesmo do sistema legislativo nacional –, é necessário estabelecer uma relação partidária para que o projeto seja realizado no plano público e social. Esta relação pode não ser direta, pelo mandato de um representante-organizador, mas é fixada – pelo menos – com acordo e contato com um partido ou político que represente o projeto revolucionário nas instâncias de poder.

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