Monday, June 24, 2013

Notas sobre a onda de protestos no Brasil.

Bruno Braga.



1. Não. Os protestos não são uma manifestação DO POVO. Eles não são espontâneos. Porque é necessário haver – por trás deles – um grupo minimamente organizado que decida pelo menos a convocação e a pauta de reivindicações. A expressão mais forte deste grupo – e este é o caso - é a “militância” [1]. Por óbvio, pessoas alheias a este núcleo aderem ao protesto pelo entusiasmo e repletas de boas intenções. No entanto, estas pessoas não influenciam o núcleo organizado; pelo contrário, são estimuladas e conduzidas por ele. Elas não determinam a pauta de exigências e – conseqüentemente - estão excluídas do grupo que apresenta e negocia esta pauta diretamente com as autoridades.

2. Não. Os protestos não são APARTIDÁRIOS.

(a). Os grupos protagonistas podem se apresentar sem uma sigla ou escudo. Mas, muitos dos seus integrantes – sobretudo, organizadores – têm filiação partidária.
(b). A realização de um projeto – e de uma reivindicação – precisa ser promovida a partir das instâncias de poder. Este processo, necessariamente, envolve o contato e o acordo com autoridades políticas – que, por exigência legal, devem estar filiadas a um partido.
(c). Em última instância, os grupos protagonistas dos protestos – se não têm uma relação direta com os partidos – têm pelo menos uma identificação com os partidos revolucionários de esquerda. Estes partidos serão fatalmente os representantes de suas reivindicações nas instâncias de poder [2]. 

3. Não. Os protestos não são DEMOCRÁTICOS.

(a). Eles carregam uma exigência “revolucionária”, de rompimento com as estruturas – e valores - sociais e políticas.
(b). As manifestações herdaram a orientação PSICOPATA de um de seus principais modelos inspiradores: Che “El Chancho” PORCO Guevara [3]. O revolucionário que não escondia os “princípios democráticos” que o norteavam: “Meus amigos o são enquanto concordam politicamente comigo” – e fuzilava no paredão quem dele discordasse.
(c). Os grupos protagonistas dos protestos – sobretudo os Universitários – têm uma orientação revolucionária Socialista-Comunista. Por exemplo, o Movimento Passe Livre. Esta orientação, contudo, é incompatível com a “Democracia”. 
(d). Estes grupos utilizam a PALAVRA “Democracia” em um SENTIDO completamente distinto daquele pelo qual a maioria das pessoas a entende. Para eles, “democracia” significa a hegemonia de suas próprias idéias e princípios. E quando pregam o poder da “sociedade civil organizada” através do “controle popular”, estão exigindo o domínio total sobre as instituições administrativas, políticas e civis.
(e). Enfim, o núcleo que GEROU esta onda de protestos – que o FOMENTA – e que o REPRESENTARÁ diante das autoridades - é RADICAL e TOTALITÁRIO, e está vinculado, sobretudo, à ESQUERDA REVOLUCIONÁRIA latino-americana.

4. Não. Os protestos não são pela LIBERDADE. Pelo contrário, os grupos organizados e protagonistas não exigem apenas o “controle popular” das instituições – quer dizer, o seu próprio império. A Polícia DEVE lhes permitir fazer o que bem quiserem. A Justiça DEVE reconhecer como “direito” todos os seus caprichos. Como estes grupos se auto-proclamam os autênticos representantes DO POVO, eles exigem também o “controle popular” dos mecanismos de expressão cultural e da imprensa. Quer dizer, reclamam uma produção artística que os glorifiquem, e vedam – preliminarmente – toda e qualquer crítica que contra eles possa ser feita.

5. Não. Os protestos não são PACÍFICOS.

(a). A violência é um elemento integrante da equação. O processo promove a desestabilização e se alimenta do caos e da desordem – ele lucra com a violência. Porque a violência é o fator de pressão contra as autoridades.
(b). Não é possível separar uma “minoria” violenta do núcleo protagonista dos protestos. Porque – em última instância – tanto os que se dizem “pacíficos”, quanto os “radicais”, fazem as mesmas exigências e reivindicações. Neste sentido, não há diferença entre o que aborda uma pessoa com uma arma em punho e outra que despista sua intenção: “Olha, senhor, eu não quero roubar...”.    
(b). Os protestos não são pacíficos. Eles justificam paralisações – e até a violência - em nome DO POVO. Assim, obrigam a participar das manifestações quem não tem o menor interesse nelas.   
(c). Os protestos NÃO SÃO PACÍFICOS porque, ainda que não produzissem caos e quebradeira, o núcleo protagonista que os promovem – TODOS os grupos representativos ligados a ele – TODOS defendem o ABORTO – quer dizer, defendem o ASSASSINATO DE CRIANÇAS INDEFESAS.

6. Não. Os protestos não são uma forma de exigir UMA VIDA MELHOR PARA O POVO. Este resultado é acidental. Porque a reivindicação substancial das manifestações – antes de qualquer resultado expressivo - é a concessão de poder a uma elite revolucionaria, ou o fortalecimento daquela que já o detém.

(a). Sim, é verdade, o padrão político-social do Brasil é precário – e há sim um intenso sentimento de insatisfação. No entanto, são os mesmos grupos que fomentam este sentimento, que protagonizam os protestos e manifestações, e, principalmente, que oferecem as soluções. (a1) De um lado estão organizações de universitários e estudantes, sindicatos, ONG’s, representações de minorias – que são tentáculos de partidos políticos; (a2) De outro estão partidos políticos – ou entidades ligadas a eles -, que são os mecanismos de realização de projetos e reivindicações. Portanto, qualquer reforma implicará no fortalecimento – na concentração de poder – dos mesmos grupos. E O POVO – quer dizer, a população – é somente o fator de disputa destes AGENTES.
(b). O PT é - entre os AGENTES - o mais poderoso e organizado. O partido domina uma ampla rede de organizações universitárias e estudantis, ONG’s, sindicatos, representações de minoria, etc. Tem sobre elas não só o poder de determiná-las, mas também o de mobilizá-las.
(c). O PT abriga em seus quadros uma série de correntes dentro da esquerda. Por isso, pode assumir qualquer projeto sob este espectro – inclusive os mais radicais. Se neste quadro – que inclui os protestos – há alguma distinção de bandeiras e siglas, não há, porém, divergência quanto à substância do projeto – todos são revolucionários. Estes grupos e partidos estão juntos no Foro de São Paulo – a entidade criada por Lula e por Fidel Castro com o objetivo de fomentar o Socialismo-Comunismo na América Latina.
(d). É preciso observar que PT precisou maquiar o seu RADICALISMO para alcançar o poder. No entanto, nunca abandonou as suas propostas - a realização delas sempre foi cobrada por correligionários, militantes, esquerdistas e revolucionários. Quando Lula foi vaiado no Fórum Social Mundial, Hugo Chávez o defendeu pedindo paciência, porque enquanto ele dirigia uma Ferrari, o “Chefe” só podia dirigir um Fusca. Em outras palavras, o processo revolucionário no Brasil seria desenvolvido lentamente. Contudo, esta onda de protestos pelo Brasil seria “a grande oportunidade histórica” para acelerar este processo, como anunciou a Presidente da República.

7. Dilma Rousseff fez um pronunciamento em cadeia nacional sobre os protestos. Considerou que “se aproveitarmos bem o impulso desta nova energia política, poderemos fazer melhor e mais rápido muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de suas limitações políticas e econômicas”. Ressaltou a necessidade de construir “uma AMPLA e PROFUNDA REFORMA POLÍTICA, que amplie a PARTICIPAÇÃO POPULAR” e de aproveitar “o vigor” das manifestações para “produzir mais mudanças, MUDANÇAS que beneficiem o CONJUNTO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA”. E destacou a sua posição de liderança neste processo: “irei conversar, nos próximos dias, com os chefes dos TRÊS PODERES PARA SOMARMOS ESFORÇOS”.     

(a). Cabe destacar que o PT já apresentou projetos com reformas estruturais. Sob o disfarce do “controle” e da “participação popular”, propôs a subordinação do Judiciário, a “regulamentação” da imprensa – e se esforça para promover o Abortismo e o Gayzismo. Porém, pelos mecanismos adequados, sempre encontrou resistência, principalmente da OPINIÃO PÚBLICA – que é majoritariamente conservadora. Mas, Dilma Rousseff e TODA A ESQUERDA LATINO-AMERICANA vêm nos protestos protagonizados por seus próprios grupos a “grande oportunidade histórica” para AVANÇAREM o macabro PROCESSO REVOLUCIONÁRIO. Porque os seus projetos e pretensões serão apresentados como A VONTADE DO POVO às autoridades políticas – à Presidente da República que anunciou, irá receber os “líderes das manifestações”, “representantes das organizações de jovens”, das “entidades sindicais”, dos “movimentos de trabalhadores” e das “associações populares”.  


CONCLUSÃO. O caos instaurado por esta onda de protestos pelo Brasil – uma situação artificialmente gerada e fomentada - tem um único beneficiário: o movimento revolucionário. Dele, o PT é o AGENTE mais poderoso, influente e organizado. É o único que reúne condições objetivas para promover qualquer reivindicação – no plano político tem o posto mais alto do Executivo, e no Legislativo possui uma base aliada que formalmente sustentaria qualquer determinação governamental. Todas as reformas estruturais – e culturais – que agora aparecem como sendo DO POVO estão inseridas em seu projeto de concentração de poder. A população inocentemente o alimenta com protestos e manifestações. Porém, se esta situação for definitivamente aproveitada como “a grande oportunidade histórica”, a população será a sua principal vítima. Porque neste quadro de possibilidades, a direção de mais força – e que adquiriu um enorme apelo - é radical, totalitária, é revolucionária.



Referências.

[1]. BRAGA, Bruno. “Nota sobre o poder e o disfarce revolucionário” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/06/nota-sobre-o-poder-e-o-disfarce.html].

[2]. Idem.


[3]. Documentário “Che, Anatomia de um mito” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/06/filmografia-che-anatomia-de-um-mito.html].

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