Wednesday, August 08, 2012

A exortação de Ajaz.


Bruno Braga.




Caros, conquanto nem todos na guerra possamos ser grandes –
uns, preexcelentes heróis; outros, médios; alguns, de coragem
mais reduzida – ora cumpre que todos se mostrem capazes,
como, sem dúvida, vedes que a luta o requer.

(HOMERO, Ilíada, XII, 269-272).

Assim Ajaz exortou os gregos que evitavam entrar no combate contra os troianos. As palavras eloquentes do grande herói não eram simplesmente um estimulo para enfrentar a terrível batalha: ao mesmo tempo elas convocavam cada um dos temerosos combatentes à sua própria autoconsciência, na qual deveriam se recolher. Ali, na sua íntima solidão, eles identificariam as suas habilidades e virtudes particulares, reconhecendo que, mesmo a mais humilde e modesta, seria indispensável para compor a força total do exército. Esta apreensão interior exporia ao guerreiro mesmo a importância da sua dedicação e do seu esforço, ainda que por eles não fosse glorificado, que não recebesse os louros ou fosse recompensado com os despojos de guerra. O esforço individual indispensável no campo de batalha, independentemente de ser reconhecido como um grande ou como um herói.


Sugestão de leitura.

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