Monday, July 01, 2013

Que "proposta de CURA GAY"?

Bruno Braga.


Dois homossexuais fizeram pose para alguém que registrou uma dessas manifestações pelo país. Provavelmente um “casal”, eles protestaram segurando um cartaz: “eu não quero ser curado”. Era uma referência ao Projeto de Decreto Legislativo 234/11, que ficou conhecido publicamente como “proposta de CURA GAY” [1]. A imprensa, os “Intelectuais” e formadores de opinião, artistas e atores “engajados”, repetem incansavelmente este slogan. E todo sujeito que quer se passar por bom menino “politicamente correto”, ou se fazer de revolucionário “transformador do mundo”, afeta indignação e esbraveja contra o projeto.  

No entanto, esta “proposta de CURA GAY” é mais uma fraude forjada e fomentada pelo Movimento gayzista [2]. Porque não há nenhuma proposta desta natureza. As pessoas estão sendo estimuladas a julgar o assunto a partir da idéia sugerida pelo slogan ardilosamente apresentado pela militância gay: a de que há um projeto que define sumariamente o homossexualismo como DOENÇA e determina a abertura de clínicas para CURAR gays. Não, não é nada disso.

O projeto de Decreto Legislativo 234/11 propõe tornar sem efeito dois termos da Resolução 1/99 do Conselho Federal de Psicologia (CFP): (1) o parágrafo único do art. 3º; e (2) o Art. 4º - que determinam o seguinte:

Art. 3º. [...].
Parágrafo único. Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Art. 4º. Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos nos meios de comunicação de massa de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.

Apesar de sustar estes dois termos, o projeto MANTÉM INTACTO e VIGENTE o caput do Art. 3º da Resolução do CFP, que determina:

Art. 3º. Os psicólogos NÃO EXERCERÃO QUALQUER AÇÃO QUE FAVOREÇA A PATOLOGIZAÇÃO de comportamentos ou práticas homoeróticas NEM ADOTARÃO AÇÃO COERCITIVA TENDENTE A ORIENTAR HOMOSSEXUAIS para tratamentos não solicitados (os destaques são meus) [3].

Basta ler os textos para constatar que não há nenhuma “proposta de CURA GAY”. Pelo contrário, a preservação e a vigência do caput do Art. 3º coíbem qualquer esforço de PATOLOGIZAÇÃO do homossexualismo e vedam ao profissional adotar qualquer AÇÃO COERCITIVA ou orientação não solicitada – ou conscientemente decidida – pelo homossexual.

O Projeto de Decreto Legislativo 234/11 não contém nenhum absurdo. Os artigos que ele pretende sustar são de fato abusivos. Porque através deles o Conselho Federal de Psicologia extrapola o seu poder regulamentar. Restringe arbitrariamente a atividade do psicólogo, que fica impedido de emitir juízo, promover e participar do debate público – e, conseqüentemente, da pesquisa - sobre uma questão que, não só faz parte do seu domínio de atuação, mas que está em aberto, pois não há cláusula pétrea a respeito do Homossexualismo.  

Porém, o que é mais grave. Os termos da Resolução do CFP – que o Projeto de Decreto Legislativo pretende anular - impedem o psicólogo de oferecer ajuda à pessoa – ao HOMOSSEXUAL – que por LIVRE e ESPONTÂNEA VONTADE procure uma orientação profissional. Sim. Porque o psicólogo não é um apoio apenas para os que decidem assumir a homossexualidade. Existem tantos outros interessados em abster-se da prática – ou abandonar realmente o homossexualismo. O psicólogo não poderia ajudar sequer o gay interessado em livrar-se de um comportamento por causa das hemorróidas, ou que esteja disposto a evitar um sério fator de risco para o câncer anal [4].

Negar estas opções a um homossexual – e impedir que o psicólogo lhe ofereça ajuda profissional - seria obviamente uma discriminação. Porque se o homossexualismo (a) NÃO É uma DOENÇA – e não afeta o juízo perfeito da pessoa; se (b) NÃO HÁ nenhuma determinação DEFINITIVA de sua CAUSA GENÉTICA – por exemplo, um “gene gay”; ENTÃO, o homossexual tem AUTONOMIA para decidir se quer ou não mudar. Nestes termos, quando o ativismo gay milita contra o Projeto de Decreto Legislativo, valendo-se do pretexto de proteger os homossexuais, produz justamente o resultado contrário. Porque deixa desamparado o homossexual que conscientemente procura a assistência de um psicólogo – impedindo o profissional de prestar-lhe assistência, sob pena de ter o seu registro profissional cassado. E mais: nega a LIBERDADE DE ESCOLHA do homossexual, sugerindo – o Movimento gay mesmo - que ele não tem AUTONOMIA, que é INCAPAZ DE DECIDIR.

Enfim, o projeto satanizado pelos revolucionários de ocasião não existe. Não há nenhuma “proposta de CURA GAY”. Trata-se de mais uma fraude criada e fomentada pelo ativismo gayzista. Um slogan que não se ajusta ao Projeto de Decreto Legislativo 234-11, e nem mesmo ao vocabulário ordinário da Psicologia, que tem restrições quanto ao termo “CURA”. Porém, ele gera efeitos publicitários. Sensibiliza e estimula uma indignação que será instrumentalizada. Dará unidade à própria militância gay e atrairá os indignados desinformados para a sua “causa”. O engodo promove a representação social de um grupo e pavimenta a carreira pública de suas lideranças. Serve de instrumento para fazer política rasteira, como pressionar – com gritaria e arruaça - pelo domínio completo da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. É um dos artifícios para impor – com uma falsificação – um amplo projeto de engenharia social. Mas, se por um lado esgoelar contra uma imaginária “proposta de CURA GAY” favorece a autopromoção de determinados grupos e de seus projetos, por outro, faz vítima os próprios homossexuais. Porque impede os psicólogos de oferecer orientação profissional àqueles que decididamente os procuram. Sim, se aqueles homossexuais que levantaram o cartaz na praça pública não querem ser “curados” – e seria preciso dizer a eles e a tantos outros que, se não sabem, o projeto e nenhum de seus proponentes e defensores advoga qualquer tipo de CURA, além de esclarecer claramente que ninguém está preocupado com o que enfiam na boca ou metem no rabo – outros gays procuram ajuda, e eles também têm AUTONOMIA para decidir O QUE QUEREM, inclusive para tentar se afastar do homossexualismo.


Referências.


[2]. Não confundir o “homossexual” com o “Movimento gayzista”. Este último refere-se a um grupo de ativistas que transforma a sexualidade em princípio de organização política e de engenharia social. 

[3]. Resolução 1/99, Conselho Federal de Psicologia [http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/1999/03/resolucao1999_1.pdf].


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