Wednesday, December 19, 2012

O Chefe e as Farc.



Bruno Braga.


Levantar a simples possibilidade – para ser generoso e disfarçar a obviedade – de que Luiz Inácio foi “O Chefe” do “mensalão” provoca reações de indignação [1]. Em uns é uma forma de disfarçar o compromisso militante. Em outros, de fato, é algo espontâneo, porque Lula tornou-se artigo de fé e objeto de crença popular; neste caso, portanto, é inconcebível que o admirado “homem do povo” tenha sido protagonista de “um dos episódios mais vergonhosos da história política de nosso país” [2].

Porém, o que já é ruim pode piorar. O esquema condenado pelo STF não é uma peça solta. Ele é parte de uma estrutura que tem a ambição de exercer o poder em escala continental. Dentro destas dimensões, por exemplo, o que é o “mensalão” perto de um apoio estabelecido entre Lula – e o PT – com as FARC?

Luiz Inácio – enquanto Presidente da República - já manifestou solidariedade ao grupo colombiano comunista-narco-terrorista [3]. Mas este apoio transcende o discurso, ele esta estabelecido e gravado nas atas do Foro de São Paulo – organização encarregada de fomentar o Socialismo-Comunismo na América Latina.

Para reforçar a documentação, um testemunho é importante. Ele ajuda a traçar as ligações e as dimensões do projeto no qual a parceria Lula-PT-Farc está inserida. Trata-se do testemunho de Hugo Chávez. O “revolucionário bolivariano” – e ditador venezuelano – recorda, com nostalgia, o convite que recebeu para participar do encontro do Foro de São Paulo realizado em El Salvador, em 1995. Lá conheceu, além de Luiz Inácio, Luis Edgar Devia Silva – este, o líder narco-terrorista que alcançou o posto N. 02 dentro da hierarquia das Farc, cujo nome de guerra era Raúl Reyes.

Testemunho do ditador Hugo Chávez: Lula e o narco-terrorista Raúl Reyes (Cf. 02:58).

A lembrança do “revolucionário bolivariano” é atestada pelo próprio Reyes em uma entrevista concedida para a Folha de São Paulo, em 2003.  

Folha. O sr. Conheceu Lula?
Reyes. Sim, não me recordo exatamente em que ano, foi em San Salvador, em um dos Foros de São Paulo.
Folha. Houve uma conversa?
Reyes. Sim, ficamos encarregados de presidir o encontro [...] [4].

Quando questionado - na mesma entrevista – sobre os principais contatos das Farc no Brasil, Reyes não hesitou: o PT [5]. 

O narco-terrorista foi morto em uma operação militar colombiana no Equador, em 2008. A operação gerou uma crise diplomática entre Colômbia, Equador e Venezuela. Porém, mais grave que este conflito era o que guardava Reyes em seus computadores. Uma série de documentos que comprometiam, não apenas Hugo Chávez e Rafael Correa, mas também o PT e as suas lideranças com as Farc.

Em uma estrutura com estas dimensões, o que é “mensalão”? Se as pessoas ficam escandalizadas com a possibilidade de Luiz Inácio ter sido “O Chefe” deste esquema, é perigoso que elas entrem em estado de choque ao constatar que ele é apenas parte do obscuro e ambicioso projeto montado pelo movimento revolucionário latino-americano, do qual o ex-Presidente faz parte também como uma das principais lideranças.


Referências.

[1]. BRAGA, Bruno. “O Chefe” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/12/o-chefe.html].

[2]. Palavras de Celso de Mello, Ministro do Supremo Tribunal Federal.


[4]. Cf. Folha de São Paulo, 24 de Agosto de 2003. [http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2408200318.htm]

[5]. Além do Partido dos Trabalhadores, Reyes menciona os sem-terra, os sem-teto, os estudantes, sindicalistas, intelectuais, sacerdotes, historiadores, jornalista. Entre os “Intelectuais” ele destaca: Emir Sader e Frei Betto.

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