Monday, December 24, 2012

Papa procura um grupo inter-religioso para combater o casamento gay.



“Não há como negar a crise que ameaça a família em seus fundamentos”.

Artigo de Drew Zahn.
Tradução do inglês. Bruno Braga.


Em várias ocasiões, somente neste mês, o Papa Bento XVI deu a entender que este é o momento para que pessoas de diversas religiões tomem a mesma posição contra a disseminação do casamento gay.

Hoje cedo, em seu discurso anual de Natal para a burocracia do Vaticano, Bento XVI explicou que a família tradicional precisa ser protegida, porque ela é “a autêntica moldura à qual se entrega o plano da existência humana”, e falou sobre campanhas internacionais para legalizar o casamento homossexual: “não há como negar a crise que ameaça [a família] em seus fundamentos – especialmente no mundo Ocidental”.

De acordo com as informações do “Catholic News Service”, Bento XVI acentuou que o dialogo inter-religioso – até mesmo com religiões não-cristãs – inevitavelmente se desenvolve em uma “busca ética” por valores fundamentais comuns, consequentemente, uma “busca pela maneira correta de viver como ser humano”.
Propriamente entendido como a procura pela “unicidade da verdade”, este diálogo não implica o compromisso de convicções religiosas, ele disse.

A Reuters descreveu o discurso como um “sinal” de que “o Vaticano está pronto para forjar alianças com outras religiões contra o casamento gay”, e observou que Bento XVI dedicou uma parte significativa das suas considerações ao estudo do Rabino-chefe da França, Gilles Bernheim.

Um dia antes, em um artigo para o britânico “Financial Times”, Bento XVI foi até mais específico, lembrando à crescente população secular do país, que a Igreja Católica não está preocupada apenas com a fé e com a moral, mas também com as questões sociais.

A “Agence France-Presse” observou a necessidade destacada pelo Papa de um diálogo entre a Igreja e ateístas e agnósticos que concordam com a doutrina social da Igreja, e sugeriu a formação de uma “aliança” baseada no respeito comum à lei da natureza, em referência ao casamento tradicional entre um homem e uma mulher.

Em seu discurso de Natal para o Vaticano, o “Catholic News” informa, Bento XVI explicou que o movimento para o casamento homossexual é baseado em ideias falsas sobre a natureza humana, que igualam liberdade e egoísmo, e apresentam a graça divina da identidade sexual como matéria de escolha individual em detrimento da dignidade humana”.

Ele continua, “quando a liberdade para ser criativo se torna liberdade para criar a si mesmo, então necessariamente o Criador é negado, e, por fim, o homem também é despojado da sua dignidade de criatura de Deus”.

Bento XVI também citou o estudo de Bernheim – intitulado “Casamento gay, Paternidade-Maternidade e Adoção: o que nós frequentemente esquecemos de dizer” [tradução livre] – para sugerir que a batalha por adoções homossexuais trata as crianças como propriedade em vez de tratá-las como pessoas.

Rejeitar a “dualidade pré-ordenada entre homem e mulher” é também rejeitar a família como uma “realidade estabelecida pela criação”, ele disse, com consequências particularmente degradantes para as crianças: “o filho tornou-se um objeto ao qual as pessoas têm direito e que têm o direito de obter”.

“Bernheim mostrou em um estudo detalhado e comovente que o ataque correntemente experienciado contra a verdadeira estrutura da família, composta de pai, mãe, e filho, é muito mais profundo”, disse o Papa.

No início deste mês, em um comentário sobre o Dia Mundial da Paz – em Janeiro de 2013 -, Bento XVI observou que a questão não é posta somente para fiéis católicos, mas sobre ela pessoas de diversas crenças ou que não têm fé nenhuma poderiam concordar.

“Há também a necessidade de reconhecer e promover a estrutura natural do casamento como a união entre um homem e uma mulher em face das tentativas de estabelecer a equivalência jurídica para tipos radicalmente diferentes de união”, escreveu Bento XVI. “Estas tentativas atualmente prejudicam e colaboram para desestabilizar o casamento, obscurecendo a sua natureza específica e o seu papel indispensável na sociedade”.

O Papa continua: “Estes princípios não são verdades da fé, nem apenas corolário do direito à liberdade religiosa. Eles estão inscritos na natureza humana, acessíveis à razão e, portanto, comum a toda a humanidade”.

A Reuters observa que em alguns países a Igreja Católica já uniu forças com Judeus, Muçulmanos e membros de outras religiões para se opor à legalização do casamento gay, em alguns casos apresentando argumentos baseados em análises legais, sociais e antropológicas, em vez de fundados somente nos ensinamentos religiosos.

De maneira previsível, as considerações de Bento XVI – as do discurso do Dia Mundial da Paz em particular – provocaram uma série de condenações, mas o Vaticano apontou a crítica como uma tentativa de “intimidação” e convocou para “todos lerem integralmente o documento, e de forma objetiva”.

“O Papa, em uma curta passagem, retoma a visão do casamento entre um homem e uma mulher como profundamente diferente de outras formas de união, e observa que essa diferença é reconhecível pela razão humana”, disse o Porta-voz do Vaticano, Padre Federico Lombardi. “Juntamente com outros princípios fundamentais de uma visão correta da pessoa e da sociedade, principalmente o da dignidade da vida humana, nós precisamos defender a instituição do casamento se quisermos construir a paz sobre fundamentos sólidos e procurar o bem da sociedade humana com previdência. Esta é a visão que a Igreja não cansa de sublinhar em um momento em que este ponto está sendo contestado e até mesmo atacado de diversas maneiras e em vários países”.

“Tudo isto é bem conhecido”, continua Lombardi. “Não é surpresa. A reação carece de compostura honesta e senso das proporções: ela consiste em gritar, não em raciocinar; é o objetivo de intimidar aqueles que pretendem defender livremente esta visão no espaço público. E não só isso: este tipo de reação é utilizado para obscurecer muitos aspectos da mensagem papal, que são de força e relevância extraordinárias”.


Fonte original: World Net Daily, 21 de Dezembro de 2012 [http://www.wnd.com/2012/12/pope-seeks-interfaith-team-to-fight-gay-marriage/].

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