Sunday, December 09, 2012

Arquiteto da destruição.



Bruno Braga.



Entre os elogios fúnebres dedicados a Niemeyer está a fidelidade do arquiteto aos seus “ideais”: a defesa intransigente do Comunismo até o fim de sua vida. Esta virtude, no entanto, é proclamada somente através de uma expressão vaga, que produz certo encantamento poético e oculta o seu conteúdo efetivo: um “mundo mais justo” anunciado sem o devido correspondente na realidade concreta.

O Comunismo – o “ideal” de Niemeyer – promoveu a degradação moral e intelectual por onde passou. Produziu milhões de cadáveres, muitos dos quais por planejamento e ordem de Stálin, o genocida que o arquiteto brasileiro considerava “fantástico”. Niemeyer admirava o “homem de aço”. Com o “Comandante” estabeleceu um relacionamento pessoal: ele foi amigo de Fidel Castro, que há décadas submete os cubanos, sob a inspiração do ideal comunista, a um regime opressor e sanguinário – promotor do fuzilamento de milhares que não se adequaram à sua concepção de um “mundo mais justo”.

Che Guevara era um “grande homem” – pensava Niemeyer. “El Chancho” Porco que pregava: “O caminho da liberdade passa pelo da bala”.

Hugo Chávez era visto como um modelo a ser seguido pelo ex-Presidente Luiz Inácio. Para o arquiteto a colaboração aparentemente discreta entre os dois líderes não era suficiente, para a efetiva realização do projeto revolucionário latino-americano Lula deveria ser decidido e resoluto como o ditador venezuelano.  

Niemeyer cedeu o seu nome e o seu status de figura pública para defender o engenheiro de uma das peças deste projeto revolucionário [1]. O arquiteto assinou um manifesto de apoio a José Dirceu, que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal como o “delinquente” – “marginal do poder” – por fraudar a política nacional com o esquema do “mensalão”.

Fiel ao Comunismo, Niemeyer elaborou o túmulo do terrorista Marighella, que foi sepultado em Salvador. Projetou um Memorial que deveria ser construído no Rio de Janeiro em homenagem ao autor do “Manual do Guerrilheiro”, o panfleto no qual o amigo se vangloria das ações realizadas para promover o “ideal” de um “mundo mais justo”:

“No Brasil o número de ações violentas praticadas é já muito elevado. Entre estas ações estão mortes, explosões de bombas, captura de armas, de explosivos e munições, ‘expropriações’ de bancos, ataques contra prisões, etc., atos que não podem deixar dúvidas sobre as intenções dos revolucionários” [2].

Generoso, Niemeyer doou dois imóveis a Prestes, o agente soviético que tentou assaltar o país para promover a revolução Comunista. Com a mesma generosidade ele emprestou o seu talento às Farc – os comunistas-narco-terroristas da Colômbia -, desenhando um cartaz contra o Plano Colômbia.

“Em poucos dias, desenhei o cartaz que ele havia me pedido – um protesto contra aquele plano odioso. Uma colaboração política que muito me agradou, ao saber ter sido aquele cartaz utilizado até na Europa” [3].

Enfim, o “ideal” de Niemeyer – consagrado pelo elogio fúnebre da fidelidade – não é somente a expressão poética de um “mundo mais justo”. Que a aclamada "virtude" seja exposta integralmente, com uma realidade que envolve genocídio, tortura, repressão, fuzilamentos, corrupção, narcotráfico, degradação moral e intelectual. É a responsabilidade de ter sido o defensor inveterado de um “ideal” de morticínio e atrocidades. Não há distinção que justifique Niemeyer, nem a que separa o "gênio" da metade "idiota". Porque foi uma só pessoa - a que projetou a Igreja da Pampulha e foi também um Arquiteto da destruição.




Referências.

[1]. BRAGA, Bruno. “Entre peças e engrenagens” [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/12/entre-pecas-e-engrenagens.html].

[2]. MARIGHELLA, Carlos. “Manuel de Guerrilla Urbaine”. p. 06. [Tradução livre da versão eletrônica em francês].

[3]. Cf. Folha de São Paulo, 16 de Março de 2008.     

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