Sunday, December 30, 2012

A decapitação macabra do Sumo Pontífice.



Bruno Braga.


Os porta-vozes da cultura moderna denunciam a religião – sobretudo a Igreja Católica – como um dos principais obstáculos que impedem o “progresso da humanidade”. O Papa – aos olhos destes paladinos dos “novos tempos” – é resquício de um “período de trevas”, um tempo em que a crença cega obscureceu as luzes da razão. Ele é o representante da irracionalidade, o pregador da intolerância e da violência. Assim, basta que o Sumo Pontífice fale aos fiéis da Igreja para que os representantes das “ideias progressistas” se levantem para condená-lo com o dedo em riste - “reacionário”! “fascista”! “autoritário”! – como guardiães e construtores de um “futuro maravilhoso” [1].

Porém, os “próceres” da cultura moderna constantemente expressam os nobres e louváveis sentimentos com os quais pretendem reformar o mundo. No dia 27 de Novembro, no Campus da PUC-SP (Perdizes), os paladinos – em um protesto infundado contra a escolha da reitora da Universidade – celebraram o amor, a compaixão, o respeito e a tolerância: no “Pátio da Cruz” eles decapitaram o Papa com uma moto-serra.

O “Teat(r)o Oficina” – com a presença e a participação do diretor Zé Celso – ergueu um tribunal para julgar o Sumo Pontífice. Batucadas, danças, palmas; palavras de ordem; insinuações sexuais; slogans da publicidade feminista e gayzista; vilipendio de objetos religiosos. Nos domínios de uma Universidade Católica, este foi o ritual de condenação do sucessor de Pedro, que foi punido com a pena capital. A cerimônia de sacrifício – a cabeça serrada - realizou-se sob os aplausos de um público formado por alunos, ex-alunos e professores, com gritos de louvor e com a satisfação estampada no rosto.  

Os paladinos da modernidade não simularam um julgamento. Na PUC-SP eles encenaram um “justiçamento”. O tribunal dos revolucionários Socialistas-Comunistas – os “mártires” da cultura “progressista” -, que se reuniam para decidir quem deveria morrer. No pátio da Universidade Católica foi celebrado o culto da inversão. Os próceres do “novo mundo”, que pregam a tolerância e o respeito, ridicularizaram os princípios religiosos, a Igreja Católica e o Papa. Os arautos da “igualdade de direitos” e do “combate contra o preconceito”, promoveram o insulto e a ofensa. Eles, que anunciam a Democracia, cometeram crime tipificado no Código Penal Brasileiro. Um espetáculo sinistro, aplaudido sem qualquer constrangimento. No louvor da inversão, os paladinos expressam - às gargalhadas – a violência que não se vê em quem eles acusam e sentenciam.

Esta é a mentalidade consagrada para o “progresso” da humanidade. É a forma mentis dos próceres do “novo mundo”, que reivindicam poder para revolucionar a cultura e reformar a sociedade. Transformar a juventude à sua imagem e semelhança: “conscientes” – “livres”, cheios de “afeto” e “amor”. Reformular os princípios e valores: respeito e tolerância somente para com o que não contrarie a sua própria obscuridade interior. E se a oposição vem da religião - ou das palavras do Papa – eis como devem ser “justamente” julgados.




Referências.

[1]. São ilustrativas as reações histéricas contra os discursos mais recentes do Papa – aqueles em que ele ressaltou o valor da família tradicional e teceu algumas considerações sobre o casamento gay. Cf. BRAGA, Bruno. “Papa procura um grupo inter-religioso para combater o casamento gay” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/12/papa-procura-um-grupo-inter-religioso.html]; “Do Papa à Cúria Romana” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/12/do-papa-curia-romana.html].

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