Wednesday, August 28, 2013

BIBLIOGRAFIA. "A ilha do doutor Castro".

CUMERLATO, Corine. ROUSSEAU, Denis. “A ilha do doutor Castro”: a transição confiscada. Trad. Paulo Neves. Editora Peixoto Netto: São Paulo, 2001.




“Jamais poderemos nos tornar ditadores [...] Eu sou um homem que sabe quando é preciso ir embora”, Fidel Castro, 08 de Janeiro de 1959, primeiro discurso após a entrada em Havana.


Depois de mais de meio século desde o seu primeiro pronunciamento, o “Comandante” permanece firme no poder, fazendo de Cuba a ditadura mais duradoura da face da Terra. Um regime que resiste aos efeitos do tempo. Conserva-se apesar da decrepitude de seu líder máximo. Sobrevive mesmo espalhando miséria, destruição e morte. Cuba segue como modelo inspirador para lideranças políticas e chefes de Estado, para “pseudo-Intelectuais” engajados, para a juventude rebelde e um sem número de “idiotizados” por uma publicidade enganosa vagabunda.

Os jornalistas Corine Cumerlato e Denis Rousseau viveram em Cuba durante três anos, de 1996 a 1999. “A ilha do doutor Castro” é o registro desta experiência. O livro é uma boa fonte de informação sobre Cuba – e também sobre a vida cotidiana dos cubanos, que é regida por Fidel Castro. Ele aborda o aspecto histórico da revolução, o “sistema” e a arquitetura do regime totalitário, a economia e os elementos socioculturais. Os autores descrevem a doutrinação Socialista-Comunista nas escolas. A vigilância das autoridades através dos comitês de bairro. O mercado duplo – de dólares e pesos. O mercado negro e a corrupção. Os apagões e racionamentos. A verdadeira medicina cubana, que tem uma estrutura precaríssima e carece dos medicamentos mais básicos – em que os pacientes e suas famílias são responsáveis por suas roupas e pela alimentação durante a internação hospitalar. As estatísticas monstruosas de aborto. A fome e a prostituição.

O regime castrista–Socialista-Comunista se auto-elegeu guardião e provedor do “povo” cubano. Assumiu o projeto de construir um “mundo novo” fundado na “igualdade entre todos”. No entanto, criou verdadeiramente cidadãos de segunda classe: os próprios cubanos. Enquanto os estrangeiros – os turistas – são adulados com todos os mimos e regalias para que, imbecilizados, façam publicidade da ilha e do regime no exterior – e a elite revolucionária se farta de privilégios instituídos por ela mesma –, o restante da população é proibido de frequentar certos locais públicos, tem limitações impostas na assistência médica e até na compra de medicamentos.

Cumerlato e Rousseau contam que a visita do Papa João Paulo II, em 1998, levou uma fagulha de esperança aos cubanos. “Não tenham medo” [...] “sejam os protagonistas de vossa história”, proclamou o Pontífice. Porém, “El Comandante” demonstrou desprezo e indiferença: “Escuto com sorriso de Gioconda e paciência de Jó” [...] “Cuba permanece inamovível em seus princípios”.

Enfim, o livro dos jornalistas franceses é o relato de uma experiência sob o regime totalitário conduzido por um ditador sanguinário – e dos efeitos tenebrosos que eles impõem aos cubanos. Em Fidel Castro uma telespectadora da ilha observou: “Ele tem olhos de louco!” – e uma pessoa próxima a corrigiu: “Mas ele sempre teve esses olhos; não tinha notado?” (p. 22). Não, depois de mais de meio século, a América Latina não notou. Porque quem dita as regras, quem rege o continente é o Foro de São Paulo - a organização fundada pelo “Comandante” cubano e por Luiz Inácio – e pelo PT, que hoje detém o poder no Brasil – para fomentar a revolução Socialista-Comunista. Quer dizer, disseminar não apenas uma cultura revolucionária, mas cristalizar uma forma de governo de dimensões continentais – a “Pátria grande” inspirada em um modelo que produziu concretamente apenas destruição, morte, controle e repressão.

Bruno Braga.


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