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Thursday, March 01, 2012

O real da Revolução digital - o ativismo.


Bruno Braga.


A revolução é promovida por aqueles que controlam a militância organizada. É esta - e não o cidadão comum, que compõe a imensa maioria da população - que, empunhando bandeiras e proferindo palavras de ordem, ocupa praças públicas, articula manifestações e marchas. Através do ativismo os militantes ganham expressão pública, transformam-se em notícia e ocupam as manchetes de jornais e revistas – cumprem um dos objetivos fundamentais de sua estratégia: passar a impressão de que eles, um grupo restrito de militantes, representam “o povo”, a “sociedade” [1]. Assim, os interesses efetivos da manifestação são maquiados, e os mentores dela permanecem protegidos pela sombra: aguardam, pacientemente, o momento de colher os frutos. Esta é a estratégia, não apenas para as marchas públicas, mas também para o ambiente virtual.

Em 2011 o Partido dos Trabalhadores expôs as linhas gerais do seu projeto – um dos responsáveis por ele, Adolfo Pinheiro, afirmou decididamente: “vamos espalhar núcleos de militantes virtuais por todo o país”. Os “agentes” receberiam treinamento – inclusive com a orientação de manuais – para promoverem as propostas do partido e para criticar a imprensa em sites de notícia, em Blogs, e nas redes sociais, como o Twitter e o Facebook.
Os MAV’s – Núcleos de Militância em Ambientes Virtuais – já têm uma missão importante pela frente: formar uma tropa, treiná-la em táticas de guerrilha na Internet para atuar nas eleições municipais de 2012 [2].

Além do núcleo organizado, os militantes contam com a colaboração de “simpatizantes”, aqueles que, encantados pelo “ideal revolucionário”, com a fantástica “transformação do mundo” – agora através do futurístico mecanismo digital -, contribuem inocentemente com as estratégias do grupo. São os “idiotas úteis”, os “companheiros de viagem”, dos quais o velho Willi Münzenberg tanto se aproveitou – ele encantava intelectuais influentes, formadores de opinião e artistas, que repetiam e disseminavam um higienizado discurso revolucionário através da cultura: era o que chamava “criação de coelhos”.

Enfim, seja através dos mecanismos tradicionais, ou pelo futurístico e encantador meio digital, o núcleo revolucionário permanece o mesmo: o esforço, de um pequeno grupo, para concentrar o poder e, com isso, realizar o seu psicótico projeto de engenharia social.


Referências.

[1]. O contraste entre as posições da maioria da população e os da minoria revolucionária pode ser verificado em: BRAGA, Bruno. “Eles falam em nome de quem?” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/02/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html].

[2]. Para a descrição deste projeto petista, Cf. Folha de São Paulo, 18 de Outubro de 2011 [http://www1.folha.uol.com.br/poder/992264-pt-treina-patrulha-virtual-para-atuar-em-redes-sociais.shtml].
Indicações.

BRAGA, Bruno. A sobrevivência do ideal revolucionário [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/01/sobrevivencia-do-ideal-revolucionario.html].

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