Wednesday, February 08, 2012
Big Brother Violado.
Sunday, February 05, 2012
Eles falam em nome de quem?
A agenda de transformações sociais tem alguns tópicos recorrentes que, julgam os idealizadores dela, são fundamentais para que se transforme em realidade o proclamado “mundo melhor”. São eles: o aborto; os interesses homossexuais; a descriminalização das drogas; o comércio e porte de armas. Se estes assuntos não são discutidos diretamente, alguns fatos e eventos servem como ponte para estimular os debates – por exemplo, o caso da reintegração de posse do prédio da Reitoria da USP e a ação de desocupação da “Cracolândia”, em São Paulo. Como pessoas e grupos tomam parte nestas questões em nome do “povo”, da “sociedade”, então, é necessário verificar se eles advogam legitimamente, isto é, se reproduzem a voz dos seus “protegidos”.
Sobre os tópicos gerais foi possível apurar:
Interesses homossexuais. 55% dos brasileiros são contrários à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a união homoafetiva [3].
Descriminalização das drogas. 78,6% são contra a descriminalização das drogas [4]; e, mais especificamente, sobre a maconha, 76% são a favor da sua proibição [5].
Comércio e porte de armas. Em 2005, 63,94% dos brasileiros rejeitaram, através de um referendo, a proposta para proibir o comércio de armas de fogo e de munição [6].
Desocupação da “Cracolândia”. 82% dos moradores da cidade de São Paulo apoiam a ação [8].
Enfim, os dados apresentados revelam que os “revolucionários”, os “idealizadores do novo mundo”, não têm legitimidade para se proclamarem “defensores do povo”, porque eles não reproduzem as posições da própria “sociedade”. Acontece que, certos de que são a estirpe dos “iluminados”, detentores da suprema sabedoria intelectual, e sem qualquer mácula moral, eles se julgam capazes de traçar o destino da humanidade. Para que o transformador projeto de engenharia social seja realizado, não importam os mecanismos de obtenção de poder – se não o alcançam pela via “democrática”, vale a fraude, o artifício, e até mesmo a força. Esta militância ostensiva produz efeitos imediatos, pois através do barulho, do berro e da gritaria, o cidadão comum é constrangido e intimidado – confuso e sem voz, ele se torna um suposto “protegido”, é parte daquela “sociedade” em nome da qual os “revolucionários” proclamam o advento de um obscuro “mundo maravilhoso”.
[2]. Cf. Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais, 2010 [http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,mais-de-70-dos-brasileiros-sao-contra-legalizacao-do-aborto-diz-pesquisa,575302,0.htm].
[3]. Cf. Ibope, 2010 [http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/950907-mais-da-metade-dos-brasileiros-sao-contra-uniao-gay-diz-ibope.shtml] .
[4]. Cf. CNT/Sensus, 2011 [http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/960440-brasileiros-sao-contra-a-descriminalizacao-de-drogas-diz-pesquisa.shtml].
[7]. Cf. Data Folha, 2011 [http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1005628-maioria-dos-estudantes-da-usp-apoia-policia-militar-no-campus.shtml].
[8]. Cf. Data Folha 2012 [http://www1.folha.uol.com.br/poder/1040936-policia-na-cracolandia-e-aprovada-por-82-em-sp.shtml].
Thursday, February 02, 2012
Tuesday, January 31, 2012
Quem é Raúl Castro?
Anexo.
Duas fotos.
Friday, January 27, 2012
Bruno Braga.
Tuesday, January 24, 2012
Quem se lembra do velho Clô?
Se não é possível destruí-las completamente, é necessário reformular tanto a “família tradicional” quanto a “religião”. No Brasil a primeira já foi atingida com os artifícios e subterfúgios da decisão do Supremo Tribunal Federal que reconhece a união homoafetivo como entidade familiar [3]. Quanto à religião, apesar dos insucessos das investidas mais audaciosas – como a do temporariamente suspenso PL-122 -, alguns resultados podem ser constatados – por exemplo, as transformações pelas quais passaram os santos da Igreja Católica na Parada Gay de 2011:
[4]. Cf. Jornal “Folha de São Paulo”, 08 de Janeiro de 2012.
Thursday, January 19, 2012
Bruno Braga.
Thursday, January 12, 2012
Revolução "colorida".
Saturday, January 07, 2012
Bruno Braga.
Tuesday, January 03, 2012
A sobrevivência do ideal revolucionário.
O movimento "Occupy Wall Street" conta não só com um poderoso aparato político-financeiro, mas tem um braço também no domínio virtual com um grupo de hackers chamado "Anonymous" – que se caracteriza com a máscara de Guy Fawkes, popularizada pelo filme "V for Vendetta" (2005). Recentemente os revolucionários virtuais distribuíram pela internet um curioso "guia de sobrevivência" [2], que seria útil no caso de "revoluções violentas", já que, alerta o grupo, protestos podem ser uma "confusão sangrenta" (p. 03).
O manual fornece uma séria de orientações de como estocar alimentos, água, e suprimentos médicos. Para os manifestantes estabelece artifícios de como escapar de balas de borracha, gás lacrimogêneo e balas reais – afinal, em determinado estágio da revolução, esclarece o guia, a polícia não fornecerá ajuda e, dependendo da situação, será até o inimigo (p. 04).
A divulgação deste guia de sobrevivência, no entanto, é, provavelmente, ineficaz para desacreditar definitivamente o protesto "Occupy Wall Street". Não por causa da consistência do material, que somado a outros, de inequívoca evidência, seriam mais do que suficientes para convencer o idólatra mais inocente dos pecados que o seu próprio santo de devoção admitiu cometer. Mas porque o debate público é construído com um sem número de estereótipos, adornados com "crença nos ideais" e a chancela de "Intelectuais", jornalistas, acadêmicos e "especialistas". Há uma ruptura com o mundo real e concreto para o engajamento na fantasia da eterna revolução, em um esforço mórbido para convencer que aquilo que os próprios olhos vêem é uma ilusão. Assim se instaura o mundo imaginário, elaborado por uma intelectualidade já, ela mesma, histérica: com comportamento e reações de destempero que traduzem nitidamente o que é viver mergulhado em confusas fantasias. No entanto, ela ainda alimenta e persegue o sonho que muito tem custado ao cidadão comum, o sonho de "transformar o mundo".
[1]. Para os interessados em analisar alguns dados e documentos, consultem os artigos anteriores nos quais o assunto foi abordado: "O risco de freqüentar a posição de contra-exemplo é tornar-se um mau-exemplo" [http://b-braga.blogspot.com.br/2011/10/o-risco-de-frequentar-posicao-de-contra.html]; "Um Contra-exemplo e uma Controvérsia – Episódio II" [http://b-braga.blogspot.com.br/2011/11/um-contra-exemplo-e-uma-controversia_15.html]; e "Projeção de sentimentos e análise política" [http://b-braga.blogspot.com.br/2011/11/projecao-de-sentimentos-e-analise.html].
[2]. O "Anonymous Survival Guide" pode ser acessado em: http://pt.scribd.com/doc/76593171/Anonymous-Survival-Guide-for-Citizens-in-a-Revolution
Sunday, December 25, 2011
O Mistério do Filho do Homem.
Tuesday, December 20, 2011
Revolvendo o subterrâneo.
Bruno Braga.
O "homem subterrâneo" do escritor russo é a imagem do ressentimento e da decadência descritos por Nietzsche – desde o seu abismo interior, é assim que o próprio personagem as confessa na abertura da narrativa: "Sou um homem doente... Sou mau" (2004, p. 665). E a maldade dele era não ser tão mal quanto se julgava: nas situações de domínio não possuía a força e o vigor para se afirmar (p. 666). Contudo, fixar somente a correspondência entre o subterrâneo doentio e o ressentimento nietzschiano afasta a possibilidade de reconhecer, na ficção, um elemento que afasta os dois autores: uma compreensão excepcional que arrebata o personagem quando ele se encontra com a prostituta Lisa - "Via agora claramente como é absurda e repugnante a libertinagem, que começa brutalmente, sem amor nem pudor, por aquilo que deve ser o remate verdadeiro do amor" (p. 720). Uma compreensão gravada simbolicamente após a exortação moral que tenta persuadir a jovem a deixar de ser uma "mulher da vida", no momento em que o protagonista ilumina com um candeeiro o quarto sombrio onde antes aqueles dois mal viam as faces um do outro. Esta era a "verdade odiosa" revelada ao personagem: a superioridade que um doente, uma alma fechada, sedenta por afirmação, revoltada, é incapaz de aceitar – o "horror" da compaixão (p. 733).
Mesmo depois da experiência fundante inegável, o personagem insiste em suspeitar dos seus sentimentos. Porque para ele o amor era sinônimo de tiranizar e dominar moralmente (p. 746). Abraçado à prostituta, vertendo lágrimas, o protagonista exclama: "Não me deixam... Não posso ser... bom!" Sob a sombra da dúvida e da suspeita, conseqüentemente, ele negava o sentimento que o aproximou daquela prostituta.
Na obra de Dostoievski é o próprio personagem quem narra a sua história, em um ato de confissão. Ele estava ciente da sua corrupção, da sua doença – o que as suas palavras iniciais atestam e diagnosticam - embora persista, com certo prazer e consolo no fracasso, na busca do seu ideal de virtude. O encontro com a prostituta revela-lhe a sua própria doença através da "verdade odiosa": a superioridade do sentimento, do amor e da compaixão. Ocorre a inversão dos papéis que confunde o personagem: a prostituta torna-se a heroína, e ele a criatura humilhada e ofendida (p. 745).
Mas há uma inversão ainda mais radical, a inversão nietzschiana. Ela potencializa e transforma a doença do "homem subterrâneo" em ideal de virtude quando proclama a transvaloração de todos os valores, a vontade de potência, e a necessária superação da moral e da compaixão. Uma ambição doentia, percebida assim pelo protagonista da ficção quando ele se encontra com a prostituta: não por causa da sua conduta, tão libertina quanto à da jovem, mas por revelar-lhe a superioridade de um sentimento do qual a prostituta não se envergonhava, mas ele se esforçava para negar – ele duvida e suspeita do que preenche o seu coração com toda a sinceridade. Uma suspeita semelhante à que Nietzsche lança sobre as virtudes e sentimentos mais nobres quando diagnóstica a doença cristã.
Há, contudo, uma diferença fundamental entre o personagem de Dostoievski e o filósofo alemão: o primeiro estava consciente de sua doença, enquanto o outro, em seus arroubos de auto-glorificação do "Übermensch", termina os seus dias compadecendo-se de um cavalo. De qualquer modo, o trágico ideal nietzschiano ainda era uma reivindicação individual. Hoje, porém, uma elite intelectual o preserva como fundamento de um projeto de pedagogia universal e de ação política - em completo estado de torpor patológico, eles querem "transformar o mundo", forjando, a cada estação, um "bem", uma "verdade", uma "moral".
Tuesday, November 22, 2011
Projeção de sentimentos e análise política.
Bruno Braga.
Em resposta enviada ao articulista Dimas Enéas [1], observei que o texto de Delfim Netto, citado por ele, apresenta mais uma expressão do sentimento do autor que propriamente uma descrição dos fatos - sobretudo no que se refere ao manifesto "Ocupe Wall Street". Em outras palavras, Delfim Netto discursa sobre "o que ele pensa que é" o protesto, "o que ele quer que seja", ou "o que ele espera ser". Uma ilustração pode ser extraída do próprio artigo do economista:
"É com esse sentido do papel do trabalho com o qual o homem se constrói e produz um mundo onde tenta se acomodar em uma estrutura social conveniente que devemos entender os protestos dos 'enragées', que se intensificam na Europa e nos EUA" [2]. (Os grifos são meus).
No trecho citado o autor apresenta um "sentido" através do qual se "deve entender" o manifesto "Ocupe Wall Street" – um imperativo. No entanto, quando os dados da realidade efetiva são rastreados [3], e, conseqüentemente, são confrontados com o discurso de Delfim Netto, e também com o de Dimas Enéas, verifica-se que as considerações deles são uma massa confusa composta por alguns dados da realidade – como a crise financeira americana e seus efeitos, por exemplo – mas apreendidos e expressos conforme seus sentimentos e expectativas.
A deficiência deste expediente não é a presença de sentimentos e expectativas – mas sim o procedimento de antepô-los a um mapeamento da realidade efetiva. Não é possível formular um discurso analítico, científico, sem delimitar o plano de exame e rastrear nele os dados objetivos. Exceto quando se pretende estimular condutas; auto-justificar as próprias idéias, concepções e comportamento; ou ainda inocular no leitor a imagem à qual ele pretende estar associado no contexto do fato descrito – elementos que compõem o discurso do "agente político". Embora assinem os textos como analistas – Delfim Netto como economista, e Dimas Enéas como analista político -, e por isso mesmo estão automaticamente comprometidos com a descrição do fato, os articulistas substituem os dados objetivos referentes a este fato (o protesto "Ocupe Wall Street") e projetam nele os seus sentimentos, as suas expectativas, e até mesmo as suas ideologias, para explicá-lo: julgando-se analistas, escrevem como "agentes políticos".
Referências.
[1] http://dershatten.blogspot.com/2011/11/um-contra-exemplo-e-uma-controversia_15.html
[2] Idem.
[3] Isto é, quando se verifica os articuladores e estrategistas do protesto, o perfil dos manifestantes, os financiadores do movimento e aqueles que o apóiam na esfera política e cultural. Alguns destes dados podem ser consultados em: "O risco de freqüentar a posição de contra-exemplo é tornar-se um mau-exemplo" [http://dershatten.blogspot.com/2011/10/o-risco-de-frequentar-posicao-de-contra.html]; "Um Contra-exemplo e uma Controvérsia – Episódio II" [http://dershatten.blogspot.com/2011/11/um-contra-exemplo-e-uma-controversia_15.html].





