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Tuesday, May 14, 2013

Espetáculo para a promoção da Mentira.


Bruno Braga.


I.


A Comissão da Verdade de São Paulo promoveu recentemente o seminário “Verdade e infância roubada” [1]. O objetivo do evento – declarado para o público – seria coletar depoimentos de filhos de militantes, terroristas e guerrilheiros – na época crianças – que foram “vitimados” pelo Regime Militar. Mas, o propósito – fundamental – era promover a versão revolucionária dos acontecimentos utilizando a capacidade de sensibilizar e de comover que tem o apelo à infância e à imagem de uma criança.

Os próprios depoentes assumem que daquele tempo e das circunstâncias que os cercavam pouco ou de quase nada se lembram. Confissão que em certo sentido não causa espanto, porque há uma dificuldade comum quando se tenta reconstituir o passado através da memória. É escandaloso, porém, que estes depoimentos constituam a restauração de um acontecimento histórico. Sobretudo quando os depoentes declaram que não procuram conhecer muito sobre a história, como Dora Augusta Rodrigues Mukudai. Ou como Ñasaindy Barret de Araújo, que não sabe distinguir o que é “memória” e o que é “invenção”.  

Estes lapsos, as lacunas no imaginário foram preenchidas pelos depoentes com desenhos, poemas – e até com uma história de bonecos – e foram costuradas com a “dramatização” das narrativas, certa “teatralização”. Isto aparecia nitidamente nos testemunhos – e já seria o suficiente para reconhecer que aquele seminário em São Paulo – diferentemente do que declaravam os organizadores e os participantes – não tinha um compromisso com a pesquisa e com a investigação histórica. Era a promoção de uma “fantasia” infantil – e da mitologia revolucionária – para elevar os pais – porque defensores de um “ideal” - à condição de “heróis da nação”.

E – nesta historinha - não poderia faltar a própria “Ilha da fantasia”. Praticamente todos os depoentes enalteceram a revolução cubana. Demonstraram gratidão – e adoração – para com os irmãos – genocidas – Castro, que os acolheram. Deram-lhes abrigo e escola. Para os seus pais deram treinamento e armas. Os depoentes narram uma vida idílica na ilha “encantada” – muito distante da realidade da imensa maioria dos cubanos, que é excluída dos privilégios usufruídos e usurpados pela elite revolucionária.


II.


A Comissão – Nacional – da Verdade ergueu um palco para exibir publicamente aquele que deveria ser o seu maior “troféu”: o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Publicou com destaque em seu site oficial que o depoimento do antigo comandante do DOI-CODI-SP seria transmitido ao vivo. Os comissários certamente imaginaram que o trabalho de “desmoralização” e de “publicidade” seria facilitado – sem contestação ou réplica - porque a justiça acolheu o pedido do Cel. Ustra de ter reconhecido o direito de permanecer em silêncio. No entanto, as coisas não saíram conforme o roteiro. Ustra falou.

Antes que fosse interrogado, o Coronel fez um pronunciamento. Observou o contexto histórico da época. Afirmou que os militares combatiam o Comunismo. Lutavam contra grupos terroristas que tinham o objetivo – declarado em seus programas – de instaurar no país uma “ditadura do proletariado”. Observou que a presidente Dilma Rousseff integrou alguns destes grupos terroristas. E, por fim, recorreu ao direito de ficar em silêncio porque – ressaltou o Coronel – o seu depoimento estava publicado em seus livros, “Rompendo o silêncio” (1987) e “A Verdade Sufocada: A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça” (2006) – um exemplar deste último foi dado à Comissão.

José Carlos Dias – um dos comissários – passou à inquirição. É importante notar que se o comissário pretendia obter de Ustra algum esclarecimento, ele deveria, então, interrogá-lo, não acusá-lo. As intervenções tinham inicialmente um tom de afirmação, e somente no final delas José Carlos Dias as corrigia desatentamente para a forma de questão. Ustra não se conteve, ele mesmo declara. Quebrou o silêncio e respondeu à maior parte das indagações.

No entanto, Claudio Fonteles pretendia ser o protagonista daquele espetáculo previamente armado. Com afetação, o comissário “encenou” as questões. Virou-se para o público e para as câmeras como se estivesse em um palanque reivindicando apoio ou em um palco pedindo aplausos. Fez chacota e piadinha. Anunciou a apresentação de um documento “secreto” que relatava o número de presos e de mortos no DOI-CODI-SP – e ironizou, considerando que, por ser “confidencial”, o documento certamente não estava no livro do Coronel. Fonteles se deu mal. Ustra tomou o seu livro - a “Verdade Sufocada” - e exibiu um documento do mesmo tipo, demonstrando que Fonteles não apresentava nenhuma novidade. O Coronel referia-se a estas páginas:


USTRA, 2012, pp. 300-302.

O Cel. Ustra deveria ter aproveitado a oportunidade para questionar o próprio Claudio Fonteles. Porque se aqueles comissários estavam de fato comprometidos com a investigação e com a pesquisa histórica, então Fonteles teria por obrigação e por dever recontar o macabro atentado no Aeroporto de Guararapes, que foi realizado em 1966 por integrantes da organização terrorista da qual ele foi integrante - a AP (Ação Popular) [2]. Ustra deveria ter questionado Fonteles – ainda que ele não respondesse ou que utilizasse algum artifício para se esquivar, mas para exibi-lo ao público - sobre o que ele fazia no Convento do Araguaia – no período da guerrilha – quando os militares desmontaram um centro clandestino de transmissão de rádio, que deveria alcançar a Albânia [3].

O depoimento terminou em confusão. Ustra foi questionado por Fonteles sobre a acusação de Gilberto Natalini. O vereador de São Paulo (PV) afirmou que Ustra o torturou pessoalmente. O Coronel negou a acusação e recusou a proposta de Fonteles de promover uma acareação. Ustra disse que não faria acareação com terrorista. Natalini, que estava na plateia, reagiu. A confusão foi instaurada, e a audiência logo em seguida foi encerrada.

Sobre as acusações de Natalini, Ustra redigiu uma “Carta aberta” endereçada ao próprio vereador, que no ano passado proferiu as mesmas acusações contra o Coronel na Folha de São Paulo. Documento que é pertinente reproduzir aqui:

Carta aberta ao vereador Gilberto Natalini
Brasília 02/09/2012

Senhor Vereador Gilberto Natalini

O jornal A Folha de S. Paulo, de 28/08/2012, publicou entre outras, as seguintes declarações,  feitas pelo senhor, onde me acusa de tê-lo torturado: 

“Ele me batia com uma vara de cipó de um metro e meio de comprimento. Tive que ficar equilibrado com os pés em cima de latas de leite em pó. Também sofri choques elétricos. Tudo pelas mãos dele”.

"Ele me bateu durante várias horas e me obrigou a declamar poesias nu e diante dos soldados para me humilhar".

Sr Gilberto Natalini, desminto, categoricamente, as suas declarações. Eu nunca o torturei, como não torturei ninguém.

Procurando o que consta a seu respeito no Google encontrei o seguinte:

Gilberto Natalini
Médico, Vereador, 51 anos
Gilberto Natalini, vereador, nascido no ano de 1952 , em São Paulo, é formado em medicina e foi um dos presos políticos do regime militar.
Ativista estudantil pela UNE e pela UEE, tentava articular a reintegração das escolas médicas, onde discutia o tema política.
Acusado de participar de uma facção política que praticava guerrilha urbana, Natalini foi preso cerca de dezessete vezes durante os anos de repressão. Em uma delas passou quatro meses na carceragem do DOPS, em São Paulo.
Atualmente, Natalini exerce a função de médico de forma solidária todos os sábados, por uma promessa feita em cárcere anos atrás, além de ser vereador do Partido Social Democrata Brasileiro (PSDB) pela cidade de
 São Paulo, em seu segundo mandato.

Certamente, como é comum entre os que me acusam, o senhor já terá  "as testemunhas que o viram ser torturado por mim e que também se dirão torturadas", o que dará mais credibilidade ao que foi publicado no jornal.
Mas, para que as suas declarações, a respeito das suas prisões, tenham maior credibilidade responda, por favor, às seguintes perguntas:

1 - Em que período (dias, mês e ano) o senhor esteve preso no DOI/CODI/II Exército, em São Paulo, ocasião em que teria sido torturado por mim?
2 - Os presos pelo DOI, após interrogados, se considerados inocentes eram liberados pelo próprio DOI, se culpados, eram encaminhados ao DOPS/SP.
3 - O senhor foi liberado pelo DOI , caso positivo, em que data?  Ou foi encaminhado ao DOPS/SP,neste caso,  em que data?
4 - O senhor afirma que " foi preso cerca de dezessete vezes durante os anos de repressão. Em uma delas passou quatro meses na carceragem do DOPS, em São Paulo".

Após passar tantos meses no DOPS/SP o senhor, certamente, foi indiciado em algum Inquérito Policial e encaminhado ao Presidio Tiradentes, com prisão preventiva decretada pala Justiça. Em que data isto aconteceu?

4- Em que Auditoria Militar o senhor foi julgado? Quando? Qual a sentença que recebeu?

5 - Os  presos pelo DOI foram indenizados pela Comissão de Anistia. O senhor, só pelo fato de ter passado quatro meses no DOPS, deve ter recebido uma excelente indenização desta Comissão. Quando o senhor  foi indenizado pela  Comissão de Anistia?

Senhor Gilberto Natalini, como o senhor , depois de tantos anos, guarda na memória detalhes de sua suposta tortura no DOI, tenho a certeza de que se lembrará, com muito mais clareza, das datas em que o senhor  "sofreu as agruras da ditadura" e que ficaram gravadas, para  sempre, na sua memória.

Atenciosamente
Carlos Alberto Brilhante Ustra


III.

É interessante observar que estes eventos foram realizados no mesmo dia. Enquanto Ustra prestava o seu “depoimento”, em São Paulo era realizado o último dia do seminário “Verdade, infância roubada”. Apesar da publicidade e do investimento, nenhum deles estava comprometido com a pesquisa histórica. Foram apenas "espetáculos” armados para “teatralizar” uma História. Consagrar uma mitologia revolucionária e as fantasias infantis. Transformar militantes, guerrilheiros e terroristas em “heróis” da nação. Espetáculos obscenos. Porque sob o pretexto de contar a “Verdade”, consagram descaradamente uma Mentira.



Notas.

[1]. BRAGA, Bruno. “Herdeiros da revolução, vítimas dos próprios pais” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/05/herdeiros-da-revolucao-vitimas-dos.html].

[2]. BRAGA, Bruno. “O bem-aventurado Alípio” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/11/o-bem-aventurado-alipio.html].

[3]. BRAGA, Bruno. “A História nas mãos de um sacerdote da revolução” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/11/a-historia-nas-maos-de-um-sacerdote-da.html].



PS. O depoimento do Cel. Brilhante Ustra - apesar do anúncio - já não está mais disponível no site da Comissão da Verdade. De qualquer maneira, aqui está o áudio completo para que se possa verificar o que foi dito acima.

Wednesday, May 08, 2013

Herdeiros da revolução, vítimas dos próprios pais.


Bruno Braga.


A Folha de São Paulo noticia que a Comissão da Verdade de São Paulo promoverá uma série de audiências públicas durante esta semana. O Seminário “Verdade e infância roubada” – como é chamado o evento - será palco para que os filhos de “ex-presos políticos” – na época crianças – exponham as suas memórias e contem como foram vítimas do Regime Militar [1].

A publicação reproduz a versão da história contada pelos “herdeiros” dos “revolucionários”. Não faz qualquer questionamento ou objeção. (a) Ou por bloqueio – idiotizada pela tese “politicamente correta”, que elevou a mitologia revolucionária à condição de verdade sacrossanta. (b) Ou por pura má-fé, pois os militantes do passado são hoje as estrelas do jornalismo brasileiro, ocupam postos de poder e são os ídolos intocáveis que inspiram a “nova geração”. Ou, enfim, (c) por descaso e negligência com o próprio exercício do ofício, porque não concedeu aos “acusados” o contraditório e não teve o trabalho sequer de pesquisar a própria história.

Sim, as crianças que aparecem na reportagem foram “vítimas”. É preciso lamentar os constrangimentos pelos quais eventualmente passaram, os traumas que por ventura sofreram. No entanto, estas “crianças” foram “vítimas” – sobretudo - de seus próprios pais. Porque foram eles que as envolveram em um surto alucinatório de querer fazer do Brasil – através da via armada – um país Socialista-Comunista. Nenhum pai leva o filho para a guerra. Nenhum pai utiliza o próprio filho – crianças! – como escudo em um conflito. Mas os terroristas e guerrilheiros levaram os seus para a batalha. Eles utilizaram as suas crianças – em uma estratégia macabra de combate – para a própria proteção e como instrumento de uma “causa” [2].      

A reportagem da Folha apresenta a história de algumas dessas “crianças” que - hoje adultas – participam das audiências promovidas pela Comissão da Verdade de São Paulo. Porém, concede aos pais delas - com o testemunho de seus herdeiros - o estatuto de “heróis”. “Heróis” de uma história mutilada: o romance revolucionário que a Comissão da Verdade pretende consagrar como a História oficial de um país.

A Folha conta como drama a história da família do ex-deputado federal Aldo Arantes (PC do B). Ele “se exilou em Montevidéu após o golpe de 1964, com a mulher Maria Auxiliadora”. André, seu filho, nasceu no Uruguai. A irmã dele, Priscila, nasceu no Brasil em 1966, mas na clandestinidade. Para a menina – conta a própria Priscila – o pai dizia que aquela vida de disfarces e de ocultamento era necessária, porque eles “lutavam por um mundo melhor”. O que Aldo Arantes não contou para a filha pequena – e o que a Folha não informa para o público – é que no Uruguai ele participou do “Pacto de Montevidéu”, que unificou os grupos revolucionários em uma “Frente Popular de Libertação” (FPL). O projeto era tomar o poder através da luta armada, utilizar estratégias de infiltração e subversão das massas, a pratica de “atos de guerra”, “atos de sabotagem urbana” e “focos de guerrilha”.

Em 1976, Aldo Arantes foi preso no episódio conhecido como “Chacina da Lapa”. Foi quando a filha Priscila – ela mesma revela – percebeu uma parte da realidade que a “historinha” que ouvia do pai maquiava. No entanto, a fantasia revolucionária permaneceu como parte integrante do seu imaginário. Porque a operação que desmontou o comitê central do PC do B - que funcionava clandestinamente no bairro da Lapa, zona Oeste de São Paulo – continua sendo chamada de “CHACINA”: uma “CHACINA” que fez DUAS – DUAS – vítimas.  

A reportagem da Folha de São Paulo apresenta também o depoimento de Adilson Lucena. Ele afirma ter visto o pai – Antônio Raymundo Lucena – ser assassinado na própria casa:

“Eu tinha uns 9 anos. Eles chegaram como uma pequena tropa, eram em torno de dez homens com armas compridas. Eu me lembro bem, fiquei aterrorizado. Depois que houve o tiroteio, eles entraram em casa. Uns diziam que iam nos matar, outros diziam que era para esperar”.

Mas, o registro que se tem da morte de Lucena destoa muito da memória infantil de seu filho. Lucena foi morto no dia 20 de Janeiro de 1970. QUATRO policiais – não DEZ, como afirma Adilson – trabalhavam para desvendar o roubo de um carro. Os militares chegaram até uma casa no Jardim Cerejeiras, em Atibaia – residência da família Lucena. Eles - sem desconfiarem que ali funcionava um “aparelho” dos terroristas da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) – solicitaram a Lucena a documentação do carro. Lucena pediu um instante para buscá-lo. Porém, o veículo era roubado. Lucena trouxe, sim, um fuzil FAL. Ele abriu a porta e disparou uma rajada contra os policiais. O sargento Antônio Aparecido Posso Nogueró foi morto. Edgar Correia da Silva ficou gravemente ferido. Os outros dois policiais reagiram e Antônio Raymundo Lucena acabou morto. A mulher dele, Damaris, foi detida junto com os filhos.  

A Folha de São Paulo não revela o ambiente no qual viviam os filhos do casal Lucena. Sobre ele, a própria mãe das crianças revela em um depoimento para o livro “Mulheres que foram à luta armada”, de Luiz Maklouf Carvalho:

“Tinha um FAL por cima da mesa, coberto, que ficava sempre à mão. O Doutor [codinome do seu marido, Antonio Lucena] pegou o FAL e atirou” (apud USTRA, p. 246).

Na casa da família Lucena – onde vivia Adilson - foram apreendidos 11 FAL, 24 fuzis, 4 metralhadoras, 2 carabinas, 2 espingardas, 1 Winchester, munição e explosivos. Este era o ambiente “familiar” – “afetuoso” e “instrutivo” – no qual o casal cuidava e educava os seus filhos.

Janaína e Edson também participarão do evento promovido pela Comissão da Verdade de São Paulo. Os filhos do casal Teles – informa a Folha - “viram os pais César Augusto e Maria Amélia serem torturados”. Porém, a reportagem não esclarece que este episódio é objeto de um processo judicial. Neste, o juiz Gustavo Santini Teodoro - 23a Vara Cível de São Paulo, Fórum João Mendes – acatou a denúncia da família Teles contra o Cel. Brilhante Ustra. Mas, sobre a tortura, observou o seguinte:

(...) “Entretanto a prova testemunhal ficou muito vaga quanto aos autores Janaína de Almeida Teles e Edson Luiz de Almeida Teles, então menores de idade, filhos dos autores Cesar Augusto e Maria Amélia. Realmente, as testemunhas não viram Janaina e Edson na prisão. NINGUÉM SOUBE ESCLARECER SE OS ENTÃO MENORES REALMENTE VIRAM OS PAIS COM AS LESÕES RESULTANTES DAS TORTURAS. NADA INDICA QUE ELES TERIAM RECEBIDO AMEAÇAS DE TORTURA OU SIDO USADOS COMO INSTRUMENTOS DE TORTURA DE SEUS PAIS” (os destaques são meus).

Paulo Fonteles Filho é o herdeiro de Paulo Fonteles, falecido advogado que foi ligado a grupos comunistas. Ele – que escreve, “sou comunista desde tenra idade e vou levando na lápela (sic) a rosa vermelha da esperança” – participará também do evento anunciado pela Folha de São Paulo. Porém, sobre “crianças” vitimadas, Fonteles Filho está envolvido em um episódio no mínimo constrangedor. Autoridades o apontam como responsável por incluir a ossada de um adolescente na expedição realizada para investigar a Guerrilha do Araguaia (Ximboiá, 2001, Araguaia (TO)). A ossada – que era de um jovem falecido em 1990 - teria sido subtraída de uma igreja e levada em uma mala [3]. Apesar disso, Paulo Fonteles Filho é integrante do Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça, que tem parceria com a Comissão NACIONAL da Verdade.

Enfim, romantizar a vida destas “crianças” – contando apenas parte da História – é contar uma MENTIRA. Isto não é apenas uma falha grave – na hipótese de boa-fé da publicação – de uma matéria jornalística. É o propósito declarado – e obsceno – de uma Comissão que está comprometida – não com a “Verdade”, com a pesquisa e com a investigação históricas -, mas, sim, com a consagração dos revolucionários. Transformá-los em “heróis” de uma mitologia forjada para ser a História oficial de um país. Se os militantes, guerrilheiros e terroristas do passado fizeram de seus filhos vítimas de um surto alucinatório – os seus herdeiros, hoje, não hesitam em querer projetar sobre as crianças e jovens de toda uma nação, as suas fantasias, os seus estereótipos e obsessões. As crianças e jovens serão mais uma vez “vítimas” – de um macabro processo de “conscientização” e de um pervertido processo de educação. Serão sensibilizadas – terão sentimentos e reações estimulados e um comportamento condicionado. Uma foto exposta no site da Comissão da Verdade traduz muito bem o resultado deste projeto monstruoso. Nela uma criança aparece timidamente segurando um microfone. Ela discursava – em uma audiência promovida pelo grupo nacional da Comissão da Verdade em Belo Horizonte – sob os aplausos do público e dos integrantes da mesa. Foi ovacionada porque reproduziu as palavras e tipos vazios esgoelados por qualquer militante rebelde – ela reproduzia a mitologia revolucionária [4]. É assim que as “crianças”, mais uma vez, estão sendo vitimadas.   


  
Notas.


[2]. BRAGA, Bruno. “Comentário sobre a matéria de capa da Revista Brasileiros: ‘Subversivos’” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/04/comentario-sobre-materia-de-capa-da.html].

[3]. Ricardo Mazzini, Coluna Espalanada, 19 de Janeiro de 2013 [http://blogs.d24am.com/artigos/2013/01/19/coluna-esplanada-19-de-janeiro/].

[4]. BRAGA, Bruno. “Sensibilizando a nova geração” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/10/sensibilizando-nova-geracao.html].

Friday, May 03, 2013

Nota de esclarecimento.


Bruno Braga.
Sobre a exclusão do grupo “Barbacena, quem se importa?”.


Estava eu inscrito no grupo “Barbacena, quem se importa?” do Facebook [http://www.facebook.com/groups/132634753466501/?fref=ts]. No entanto, depois de publicar nele um conteúdo que denunciava o ativismo gay [http://www.facebook.com/bruno.braga.75470/posts/4713330799220?notif_t=like], fui advertido pelo administrador, o Sr. Tulio De Souza.

Reivindicando a autoridade de sua função, o Sr. Tulio De Souza justificou a advertência afirmando que o conteúdo da publicação não tinha relação com a cidade de Barbacena. Orientou-me, ainda, que se quisesse discutir o assunto – o ativismo gay -, que eu me inscrevesse em um grupo indicado por ele. Solicitei ao Sr. Tulio De Souza que ele esclarecesse o MOTIVO de sua DECISÃO. Primeiro porque ela redefinia – sem detalhar - os critérios de publicação do grupo, uma medida que afetava todos os seus integrantes. Depois, observei que a minha publicação não era exceção naquele espaço. Havia uma infinidade de outras que não tinham qualquer relação – pelo menos nominal - com a cidade de Barbacena. Minha publicação - quanto ao CONTEÚDO – era exceção em um sentido: contrastava com as inúmeras de protesto contra o deputado federal Marco Feliciano e de publicidade gayzista. Nenhuma destas, eu destaquei para o Sr. Tulio De Souza, havia sido objeto de advertência por parte do administrador.

O Sr. Tulio de Souza se esquivou. Apoiou-se apenas na “autoridade” de administrador do grupo. Não esclareceu uma decisão que envolvia todos os integrantes do grupo “Barbacena, quem se importa?”. Eximiu-se da responsabilidade inerente à sua “posição” e à “autoridade” que reivindicou. Comportamento no mínimo “estranho”, porque, se não havia nenhuma motivação escusa, então – para um administrador - não haveria problema nenhum em apresentá-la.

Mas, não foi só isso. Um dos integrantes do grupo – o Sr. Mauro Acib Siqueira Reis -, que em várias oportunidades publicou conteúdos de protesto gayzista, postou uma mensagem cujo propósito era me ofender. Coitado, o que conseguiu foi provocar – contra ele mesmo - a manifestação de outros integrantes do grupo. Curiosamente a publicação do Sr. Acib foi removida. Mas, como eu a tenho em arquivo, solicitei publicamente que o administrador do grupo – o Sr. Tulio De Souza – prestasse esclarecimentos e tomasse uma posição. O Sr. Tulio, no entanto, retornou uma solicitação formal com chacota e zombaria.

Aquele comportamento - observei para o administrador – indicava imiscuir-se da responsabilidade que assumiu e da autoridade que reivindicou. E se daquela maneira o fazia, com chacota e zombaria, demonstrava: (a) falta de consideração pelo menos para com os outros integrantes que também se manifestaram – inclusive ressaltando a relevância da minha publicação que ele havia advertido; e (b) um tratamento diferenciado com relação à PESSOA e ao CONTEÚDO das publicações. Solicitei, pacientemente, mais uma vez, os esclarecimentos necessários, e que eles fossem apresentados com a seriedade exigida de um “administrador” de grupo. A resposta que obtive do Sr. Tulio De Souza foi a exclusão do grupo “Barbacena, quem se importa?”.

Não, esta nota de esclarecimento não é um suspiro de autovitimização. Não é um lamento pela exclusão do grupo “Barbacena, quem se importa?”. Nada disso. Eu apenas faço constar a conduta de pessoas – não a do grupo inteiro - que são incapazes de enfrentar uma discussão séria e honesta. Os argumentos que têm são estereótipos bobocas, o deboche, o insulto e o boicote. Fossem apenas perfis de redes sociais não teriam qualquer importância. O problema é que são pessoas de carne e osso que – não interessa aqui o partido, a facção ou o seu grupelho – ocupam e reivindicam posições no espaço público. Entre eles estão educadores e professores que se comportam como estudante problemático ou militante universitário juvenil. Nenhum deles se constrange por isso. No instante seguinte, plenos de si, vão apontar o dedo para um político corrupto – vão se arrogar os guardiões do município e da nação – afetar bom-mocismo com slogans “politicamente corretos” - reclamar da educação e, claro, dos seus salários. Este episódio é mais uma amostra de como meia dúzia de “paladinos” faz para se prevalecer, e como contribuem – para depois se eximir de toda responsabilidade – para formar uma infecta atmosfera cultural.        

Bruno Braga.

   

Friday, April 26, 2013

A Cruzada religiosa do Kremlin.




Ion Mihai Pacepa.
Terça-feira, 30 de Junho de 2009.
Tradução. Bruno Braga.

A antiga manipulação da religião promovida pela KGB se transformou em uma política externa letal da Rússia.


Se você pensa que a Rússia se tornou nossa amiga, pense novamente. Não vamos gastar todo o nosso dinheiro em bem-estar e em aquecimento global. A recente “eleição” do novo patriarca da Rússia mostra que ainda precisamos nos defender contra os sonhos imperiais do Kremlin.

Há tempos o Kremlin usa a religião para manipular as pessoas. Os czares utilizaram a Igreja para instilar a obediência doméstica. Os governantes soviéticos apaziguaram a população com a KGB, mas eles sonhavam com a revolução mundial. Depois que a casa já tinha sido acalmada, então eles encarregaram a KGB de trabalhar – através da igreja – para ajudar o Kremlin a expandir sua influência na América Latina. Desde Pedro, o Grande, os czares russos conservam a obsessão de encontrar um meio para entrar no Novo Mundo.

Criar um exército secreto de inteligência formado por servos religiosos, e o utilizar para promover os interesses do Kremlin no exterior, foi um trabalho importante para a KGB ao longo dos 27 anos em que eu fiz parte dela. Centenas de religiosos que não cooperavam foram assassinados ou enviados para os Gulags. Os complacentes foram utilizados. Como não era permitido aos padres serem agentes da KGB, eles assumiram a condição de cooptador ou de agente disfarçado. Um cooptador recebia privilégios da KGB (promoções, viagens internacionais, cigarros e bebidas importados, etc.). Um agente disfarçado gozava dos mesmos privilégios, além de receber um salário suplementar secreto de acordo com a sua posição real ou imaginária na KGB. Para preservar o sigilo, todos os padres que se tornaram cooptadores ou agentes disfarçados eram conhecidos - dentro da KGB – apenas pelos seus codinomes.

Revelações recentes mostram que a KGB continua, como antes, a mesma cruzada religiosa, apesar de a agência ter sido discretamente renomeada – FSB [1]– para promover a ideia de que a criminosa polícia política soviética, que matou mais de 20 milhões de pessoas, tinha sido dissipada pelos ventos da mudança.

No dia 05 de Dezembro de 2008, morreu o patriarca russo Aleksi II. A KGB o conduziu sob o codinome “DROSDOV” e o premiou com Certificado de Honra, como mostra um arquivo da KGB acidentalmente deixado para trás na Estônia [2]. Pela primeira vez na história a Rússia poderia agora eleger democraticamente um novo patriarca.

Em 27 de Janeiro de 2009, os 700 delegados sinodais reunidos em Moscou foram presenteados com uma lista fechada com 3 candidatos. Todos, no entanto, pertenciam ao exército secreto da KGB: o Metropolitano Kirill de Smolensk trabalhou para a KGB sob o codinome “MIKHAYLOV”; o Filaret Metropolitano de Minsk foi identificado como tendo trabalhado para a KGB sob o codinome “OSTROVSKY”; e o Kliment Metropolitano de Kaluga, foi recentemente descoberto, tinha sido listado com o codinome “TOPAZ” [3].

Os sinos da Catedral de Cristo Salvador anunciaram em Moscou que um novo patriarca tinha sido eleito. O Metropolitano Kirill, também conhecido como “MIKHAYLOV”, havia sido o vencedor. Provavelmente a KGB/FSB o considerou em uma condição melhor para executar seus projetos internacionais, domínio no qual ele concentrou seus esforços durante a maior parte de sua vida profissional. Em 1971, a KGB o enviou a Genebra (Suíça) como representante da Igreja Ortodoxa Russa no Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a maior organização ecumênica internacional depois do Vaticano, que representa aproximadamente 550 milhões de cristãos de várias denominações em 120 países. O objetivo era usar sua posição no CMI para espalhar a doutrina da Teologia da Libertação – um movimento religioso marxista que nasceu na KGB – pela América Latina. Em 1975, a KGB infiltrou “MIKHAYLOV” no Comitê Central do CMI, e em 1989 a KGB o apontou como presidente de relações internacionais do patriarcado russo – posições que ele mantinha quando foi “eleito” patriarca. De fato, no seu discurso de posse ”MIKHAYLOV” anunciou que fundaria canais de televisão religiosos na Rússia que fariam transmissões internacionais.  

O fato de “MIKHAYLOV” ser um bilionário provavelmente também o fez mais apropriado para a Rússia, que agora é conduzida por uma cleptocracia da KGB – meu antigo colega da KGB, Vladimir Putin, que é coproprietário de reservas de gás da Rússia, tornou-se um dos homens mais ricos da Europa. Por sua vez, “MIKHAYLOV” foi incluído no mercado livre de tabaco. A licença foi concedida a ele pelo governo Putin, que é composto, sobretudo, por antigos oficiais da KGB [4].

Meu primeiro contato com o empenho da KGB de utilizar a religião para ampliar a influência estrangeira do Kremlin aconteceu em 1959. “A religião é o ópio do povo” [5]. Eu ouvi Nikita Khrushchev dizer, citando a famosa máxima de Marx, “então vamos dar-lhes ópio”. O líder soviético veio a Bucareste junto com o seu principal espião, o General Sakharovsky, meu chefe de facto naquele tempo, que em 1949 tinha criado a “Securitate”, o equivalente romeno da KGB, e que se tornou seu primeiro conselheiro soviético. Khrushchev queria discutir um plano para assumir o oeste de Berlim, que havia se tornado uma rota de fuga através da qual mais de 3 milhões de europeus do leste fugiram para o Ocidente.

Naquele tempo eu era o chefe interino da Missão Romena na Alemanha Ocidental e chefe da estação de inteligência romena lá. Como um “especialista em Alemanha”, eu participava da maioria das discussões. “Nós chegaremos a Berlim”, Khrushchev nos assegurou. Sua “arma secreta” era Cuba. “Quando os Yankees souberem que estamos em Cuba eles vão esquecer que estamos no oeste berlinense, e nós o tomaremos. Então usaremos Cuba como trampolim para lançar uma religião concebida pela KGB na América Latina”, retratada por Khrushchev como uma fortaleza já cercada que logo se renderia ao Kremlin. Complexo? Absolutamente, mas é assim que a mente de tiranos comunistas funciona.

Khrushchev nomeou “Teologia da Libertação” a nova religião criada pela KGB. A inclinação dela para a “libertação” foi herdada da KGB, que mais tarde criou a Organização para a “Libertação” da Palestina (OLP), o Exército de “Libertação” Nacional da Colômbia (ELN), e o Exército de “Libertação” Nacional da Bolívia. A Romênia era um país latino, e Khrushchev queria nossa “visão latina” sobre sua nova guerra de “libertação” religiosa. Ele também nos queria para enviar alguns padres que eram cooptadores ou agentes disfarçados para a América Latina – queria ver como “nós” poderíamos tornar palatável para aquela parte do mundo a sua nova Teologia da Libertação. Khrushchev obteve o nosso melhor esforço.

Lançar uma nova religião foi um evento histórico, e a KGB tinha se preparado cuidadosamente para isso. Naquele momento a KGB estava construindo uma nova organização religiosa internacional em Praga, chamada “Christian Peace Conference” (CPC), cujo objetivo seria espalhar a Teologia da Libertação pela América Latina. Diferentemente da Europa, a América Latina daqueles anos ainda não havia sido picada pelo besouro marxista. A maioria dos latino-americanos era pobre, camponeses devotos que tinham aceitado o status quo. A KGB pretendia infiltrar o Marxismo naqueles países com a ajuda da “Christian Peace Conference”, que foi concebida para calmamente incitar os pastores a lutarem contra a “pobreza institucionalizada”.

Nós, romenos, contribuímos com o CPC com um pequeno exército de cooptadores e oficiais disfarçados. Para preservar o sigilo total da operação, nós também recebemos ordem para transformar todas as nossas organizações religiosas envolvidas em questão de assunto internacional dentro de entidades secretas de inteligência.

O novo CPC era subordinado ao respeitável Conselho Mundial da Paz (CMP) – outra criação da KGB, fundado em 1949 e agora sediado também em Praga. Quando ainda era um jovem oficial de inteligência, eu trabalhei para o CMP, e mais tarde dirigi suas operações romenas. Era genuinamente a KGB. Em 1989, quando a União Soviética estava à beira de um colapso, o CMP admitiu publicamente que 90% do seu dinheiro tinha vindo da KGB [6].  

O CMP publicou um periódico francês – “Courier de la Paix” – impresso em Moscou. O “Christian Peace Conference” publicou um periódico em inglês, “CPC INFORMATION”, editado pela KGB, que apresentou o CPC ao mundo como uma organização global ecumênica preocupada com os problemas da paz. O objetivo secreto do CPC, no entanto, era incitar o ódio contra o capitalismo e contra o consumismo na América Latina, e espalhar a Teologia da Libertação naquela parte do mundo.

Até pouco tempo eu acreditava que a Teologia da Libertação havia sido apenas mais um projeto descuidado de Khrushchev que desceria junto com ele pelo ralo da história. Novas revelações dos arquivos da KGB, no entanto, sugerem que a Teologia da Libertação foi mais bem sucedida que nos sonhos mais ousados de Khrushchev.

Em 1968, o CPC – criado pela KGB – foi capaz de dirigir um grupo de bispos esquerdistas sul-americanos na realização de uma Conferência de Bispos Latino-americanos em Medellín, na Colômbia. O propósito oficial da Conferência era superar a pobreza. O objetivo não declarado foi reconhecer um novo movimento religioso, que encorajasse o pobre a se rebelar contra a “violência da pobreza institucionalizada”, e recomendá-lo ao Conselho Mundial de Igrejas para aprovação oficial. A Conferência de Medellín fez os dois. Também engoliu o nome de nascimento dado pela KGB: “Teologia da Libertação”.

A Teologia da Libertação foi então formalmente apresentada ao mundo pelo Conselho Mundial de Igrejas. Revelações mostram que todo o exército de cooptadores e de oficiais disfarçados da KGB foi enviado de Moscou para ajudar [7]. Aqui estão alguns extratos de documentos originais da KGB conhecidos como “Arquivo Mitrokhin” (descrito pelo FBI como o mais completo e amplo já recebido de qualquer fonte), e dos documentos do Politburo liberados pelo padre Gleb Yakumin, vice-presidente da comissão parlamentar russa que investigou a manipulação da igreja promovida pela KGB.

Agosto 1969. Agentes “Svyatoslav”, “Adamant”, “Altar”, “Magister”, “Roschin”, e “Zemnogorsky” foram enviados pela KGB até a Inglaterra para participarem no trabalho do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas. A agência [KGB] manobrou para frustrar atividade hostil [contra a Teologia da Libertação], e o agente “Kuznetsov” manejou para penetrar o diretório do CMI.

“ADAMANT”, que comandou este grupo de assalto da KGB, era o Metropolitano Nikodim. “KUZNETSOV” era Aleksey Buyevsky, secretário leigo do departamento de relações internacionais do patriarcado, comandado por Nikodim.

Fevereiro 1972. Agentes “Svyatoslav” e “Mikhailov” foram para a Nova Zelândia e Austrália para sessões do Comitê Central do CMI.

Como indicado anteriormente, “MIKHAYLOV” é Kirill, agora o novo patriarca da Rússia.

Julho 1983. 47 agentes de órgãos da KGB entre autoridades religiosas, clero e pessoal técnico da delegação da URSS foram enviados para Vancouver (Canadá) para a 6a Assembleia Geral do CMI.

Agosto 1989. O Comitê Central do CMI organizou uma sessão especial sobre perestroika. ... Agora a agenda do CMI é também nossa [8].

O “Arquivo Mitrokhin”, contendo cerca de 25.000 páginas de documentos da KGB altamente confidenciais, representa uma parte minúscula do arquivo completo da KGB, estimado em aproximadamente 27 bilhões de páginas (a “Stasi” da Alemanha Oriental tem 3 bilhões). Se este arquivo da KGB for realmente aberto sem ser higienizado, ele contará a verdadeira e assustadora história.

Em 1984, o Papa João Paulo II encarregou a Congregação para a Doutrina da Fé, conduzida pelo Cardeal Joseph Ratzinger, agora Papa Bento XVI, de preparar uma análise da Teologia da Libertação. O estudo devastador apresentou a Teologia da Libertação como uma combinação de “luta de classes” e “Marxismo violento” [9], dando nela um sério golpe.

A Teologia da Libertação – criada pela KGB – está ainda aumentando suas raízes na Venezuela, Bolívia, Honduras e Nicarágua, onde camponeses apoiam as tentativas dos ditadores marxistas Hugo Chávez, Evo Morales, Manuel Zelaya (momentaneamente exilado na Costa Rica) e Daniel Ortega de transformarem os seus países em ditaduras policiais de tipo KGB. Há poucos meses a Venezuela e a Bolívia expulsaram – na mesma semana - os embaixadores dos Estados Unidos, e apelaram à proteção militar russa. Embarcações militares e bombardeiros russos estão agora de volta a Cuba – e novamente na Venezuela – pela primeira vez desde a crise dos mísseis cubana. O Brasil, a décima maior economia do mundo, parece estar seguindo os passos do seu governante Marxista, Lula da Silva, que em 1980 criou o “Partido dos Trabalhadores” (PT), um clone do Partido Trabalhador da Romênia Comunista. Com a recente inclusão da Argentina, onde a presidente, Christina Fernandez de Kirchner, está conduzindo o país a uma dobra Marxista, o mapa da América Latina aparece, sobretudo, em vermelho.

Quando a Teologia da Libertação foi lançada no mundo, a KGB era um Estado dentro do Estado. Agora a KGB É o Estado. Mais de 6.000 antigos oficiais da KGB são membros dos governos local e federal da Rússia, e 70% de suas atuais figuras políticas tinham associações, de uma maneira ou de outra, com a KGB [10].

Logo que moveu seus quadros para dentro do Kremlin, a “nova” KGB/FSB decidiu enviar armas nucleares para armar a teocracia religiosa anti-Americana que governa o Irã. Ao mesmo tempo, centenas de técnicos russos começaram a ajudar “mullahs” iranianos a desenvolver mísseis de longo alcance que podem carregar ogivas nucleares ou bacteriológicas a qualquer lugar do Oriente Médio e da Europa [11].

A antiga manipulação da religião promovida pela KGB se transformou em uma política externa letal da Rússia.


Notas.

[1]. Federalnaya Sluzhba Bezopasnost, Serviço de Segurança Federal da Federação Russa.

[2]. Seamus Martin, “Russian Patriarch was KGB agent, Files Say”. The Irish Times, 23 de Setembro, 2000. Publicado em [http://www.orthodox.net/russia/2000-09-23-irish-times.html].

[3]. “Russian Orthodox Church chooses between ‘ex-KGB candidates’ as patriarch,” Times Online, January 26, 2009. Christopher Andrew e Vasily Mitrokhin, The Mitrokhin Archive and the secret history of the KGB (New York, Basic Books, 1999).

[4]. Patriarca Kirril (Gunialev) [http://www.russia-ic.com/people/general/328/].

[5]. Karl Marx, “Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”, 1843, que foi lançado um ano depois no próprio jornal de Marx, Deutsch-Französische Jahrbücher, uma colaboração com Arnold Ruge.  

[6]. Herbert Romerstein, Soviet Active Measures and Propaganda, Mackenzie Institute Paper no. 17 (Toronto, 1989), pp. 14-15, 25-26. WPC Peace Courier, 1989, no. 4, in Andrew and Gordievsky, KGB, p. 629.

[7]. “Manipulation of the Russian Orthodox Church & the World Council of Churches,” publicado em [http://intellit.muskingum.edu/russia_folder/pcw_era/sect_16e.htm].

[8]. New Times (revista secreta da KGB publicada em inglês para consumo no Ocidente), Julho 25-31, ed. 1989.

[9]. “Liberation Theology by Joseph Cardinal Ratzinger,” Ratzinger Home Page, publicado em [http://www.christengom-awake.org/pages/ratzinger/liberationtheol.htm].

[10]. De acordo com Gary Kasparov, “KGB State,” parte das posições governamentais russas é ocupada por antigos oficiais da KGB. The Wall Street Journal, September 18, 2003, encontrado em [http://online.wsj.com/article_print/0,,SB10638498253262300,00.html].

[11]. William Safire, “Testing Putin on Iran, The New York Times, May 23, 2002, internet edition.



Lt. Gen. (r) Ion Mihai Pacepa é o mais alto funcionário do bloco soviético ao qual foi concedido asilo político nos Estados Unidos. No Natal de 1989, Ceausescu e sua mulher foram executados depois de um julgamento – as acusações presentes no processo foram publicadas quase que palavra-por-palavra no livro de Pacepa, “Red Horizons”, posteriormente traduzido para 27 idiomas.

Tuesday, April 23, 2013

Papa Francisco e o milagre eucarístico de Buenos Aires.





O atual Papa Francisco conduziu investigação para comprovar um dos maiores milagres eucarísticos da história recente, ocorrido em Buenos Aires em 1996.
Foi o chamado Milagre Eucarístico de Buenos Aires, onde uma Hóstia Consagrada tornou-se Carne e Sangue. O Cardeal Jorge Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires, hoje Papa Francisco, ordenou que se chamasse um fotógrafo profissional para tirar fotos do acontecimento para que os fatos não se perdessem. Depois foram conduzidas pesquisas de laboratório coordenadas pelo Dr. Castanon.
Os Estudos mostraram que a matéria colhida da Hóstia era uma parte do ventrículo esquerdo, músculo do coração de uma pessoa com cerca de 30 anos, sangue tipo AB de uma pessoa que tivesse sofrido muito com a morte, tendo sido golpeado e espancado. Os cientistas que realizaram o exame e os estudos não sabiam que era material proveniente de uma Hóstia Consagrada, isso só lhes foi revelado após a análise, e foram surpreendidos porque haviam encontrado glóbulos vermelhos, glóbulos brancos pulsando durante a análise, como se o material tivesse sido colhido direto de um coração ainda vivo.

A Hóstia Consagrada tornou-se Carne e Sangue
Às 19h de 18 de agosto de 1996, o Padre Alejandro Pezet celebrava a Santa Missa em uma igreja no centro comercial de Buenos Aires. Como estava já terminando a distribuição da Sagrada Comunhão, uma mulher veio até a ele e informou que tinha encontrado uma hóstia descartada em um candelabro na parte de trás da igreja. Chegando ao lugar indicado, o Padre Alejandro Pezet viu a hóstia profanada. Como ele não pudesse consumi-la, colocou-a em uma tigela com água, como manda a norma local, e colocou-a no Santuário da Capela do Santíssimo Sacramento, aguardando que dissolvesse na água.

Na segunda-feira, 26 de agosto, ao abrir o Tabernáculo, viu com espanto que a Hóstia havia se tornado uma substância sangrenta. Relatou o fato então ao Arcebispo local, Cardeal Dom Jorge Bergoglio, que determinou que a Hóstia fosse fotografada profissionalmente. As fotos foram tiradas em 6 de setembro de 1996. Mostram claramente que a Hóstia, que se tornou um pedaço de Carne sangrenta, tinha aumentado consideravelmente de tamanho.

Análises Clínicas
Durante anos, a Hóstia permaneceu no Tabernáculo e o acontecimento foi mantido em segredo estrito. Desde que a Hóstia não sofreu decomposição visível, o Cardeal Bergoglio decidiu mandar analisá-la cientificamente.

Uma amostra do Tecido foi enviado para um laboratório em Buenos Aires. O laboratório relatou ter encontrado células vermelhas e brancas do sangue e do tecido de um coração humano. O laboratório também informou que a amostra de Tecido apresentava características de material humano ainda vivo, com as células pulsantes como se estivessem em um coração.

Testes e análises clínicas: "Não há explicação científica"
Em 1999, foi solicitado ao Dr. Ricardo Castañón Gomez que realizasse alguns testes adicionais. Em 5 de outubro de 1999, na presença de representantes do Cardeal Bergoglio, o Dr. Castañón retirou amostras do tecido ensanguentado e enviou a Nova York para análises complementares. Para não prejudicar o estudo, propositalmente não foi informado à equipe de cientistas a sua verdadeira origem.

O laboratório relatou que a amostra foi recebida do tecido do músculo do coração de um ser humano ainda vivo.
Cinco anos mais tarde (2004), o Dr. Gomez contatou o Dr. Frederic Zugibe e pediu para avaliar uma amostra de teste, novamente mantendo em sigilo a origem da amostra. Dr. Zugibe, cardiologista renomado, determinou que a matéria analisada era constituída de "carne e sangue" humanos. O médico declarou o seguinte:
"O material analisado é um fragmento do músculo cardíaco que se encontra na parede do ventrículo esquerdo, músculo é responsável pela contração do coração. O ventrículo cardíaco esquerdo bombeia sangue para todas as partes do corpo. O músculo cardíaco tinha uma condição inflamatória e um grande número de células brancas do sangue, o que indica que o coração estava vivo no momento da colheita da amostra, já que as células brancas do sangue morrem fora de um organismo vivo. Além do mais, essas células brancas do sangue haviam penetrado no tecido, o que indica ainda que o coração estava sob estresse severo, como se o proprietário tivesse sido espancado."
Evidentemente, foi uma grande surpresa para o cardiologista saber a verdadeira origem do tecido. Dois cientistas australianos, o cientista Mike Willesee e o advogado Ron Tesoriero, testemunharam os testes. Ao saberem de onde a amostra tinha sido recolhida, demonstraram grande surpresa. Racional, Mike Willesee perguntou ao médico por quanto tempo as células brancas do sangue teriam permanecido vivas se tivessem vindo de um pedaço de tecido humano que permaneceu na água. "Elas deixariam de existir em questão de minutos", disse o Dr. Zugibe. O médico foi então informado que a fonte da Amostra fora inicialmente deixada em água durante um mês e, em seguida, durante três anos em um recipiente com água destilada, sendo depois retirada para análise.
Dr. Mike Willesee Zugibe declarou que não há maneira de explicar cientificamente este fato: "Como e por que uma Hóstia Consagrada pode mudar e tornar-se Carne e Sangue humanos? Permanece um mistério inexplicável para a ciência, um mistério totalmente fora da minha jurisdição".

Abaixo, um vídeo com o depoimento do Dr. Castañón e imagens do Milagre.

Fonte. Revista Voz da Igreja, in Christo Nihil Praeponere (Equipe Pe. Paulo Ricardo).