Bruno Braga.
ILLIBAGIZA,
Immaculée. “O menino que conheceu Jesus”: Segatashya de Kibeho. Editora
Ecclesiae: São Paulo, 2013.
Este
livro conta a incrível história do menino que pastoreava e cultivava feijão em
uma região humilde de Ruanda. Era completamente analfabeto. Pagão - nunca tinha
ido à igreja e não sabia sequer o que era a Bíblia. De Segatashya, que durante
o descanso do trabalho, sob a sombra de uma árvore - era 1982 - recebeu uma
visita solene: Jesus Cristo.
Na década
de 80, Kibeho ficou conhecida pelas aparições de Nossa Senhora. Milhares de
peregrinos se deslocavam até a cidade para ver e ouvir os visionários. A Santa
Sé designou uma comissão médica e teológica para investigar os fenômenos. Em 29
de Junho de 2001 a Diocese de Gikongoro publicou um decreto no qual reconheceu –
após anos de análise e estudo – a autenticidade das aparições a três garotinhas
de uma escola da cidade. Junto de Alphonsine, Nathalie e Marie Claire estava
Segatashya. Mas, o menino – que também esteve diante da Virgem Maria – via Jesus
Cristo.
O
caso de Segatashya integrava a Comissão de Inquérito. Contudo, não foi oficialmente
reconhecido. Uma das razões para esta exclusão está na tragédia que abateu
Ruanda em 1994. O genocídio promovido pela maioria hutu contra os tutsis – previamente
anunciado por Nossa Senhora às garotinhas e por Jesus Cristo a Segatashya: “Jesus
me mostrou [...] PESSOAS COM FACÕES NAS MÃOS CORTANDO UMAS ÀS OUTRAS EM PEDAÇOS”
(p. 135). Entre as vítimas - mais de 1 milhão de vítimas em 100 dias – estava o
próprio Segatashya. A morte prematura impediu a avaliação de todo o seu
percurso espiritual. Apesar disso, o padre Félicien – que analisou o conteúdo
de todas as aparições vistas por Segatashya - assegura que altas autoridades da
Igreja pensam exatamente como ele: as aparições são autênticas, mesmo não tendo
sido reconhecidas oficialmente pelos Bispos e pelo Vaticano (p. 112).
Immaculée
Illibagiza reconstrói a trajetória do “o menino que conheceu Jesus” - com quem pôde
ficar frente a frente em uma oportunidade. Utiliza testemunhos – inclusive os
do próprio pai, que participava das peregrinações a Kibeho – e documentos da
comissão de investigação. O resultado é um relato encantador da vida do garoto
que aceitou o compromisso de levar a mensagem de Jesus Cristo à humanidade com
uma condição: o Filho do Homem teria que responder a todas as suas perguntas e
esclarecer as suas dúvidas. A pureza, a simplicidade e inocência de Segatashya
são cativantes. O padre Félicien - que ficava ao lado do menino durante as
aparições, e reconstruía os diálogos entrevistando o menino logo depois das
aparições - confessa que às vezes tinha que virar o rosto para rir (p. 116).
[SEGATASHYA]
[...] se eu realmente estiver em apuros e precisar de ajuda rapidamente, quem
de vocês, lá em cima no Céu, tem o maior poder e pode me ajudar mais depressa?
[JESUS]
Oh, meu filho! Que perguntas você ousa me fazer!
[SEGATASHYA].
Eu não quero ser rude, Senhor. Mas isso é algo que eu realmente preciso saber.
Você me manda dar às pessoas todas essas mensagens sobre arrependimento e o fim
do mundo e depois todo mundo acha que estou louco e quer me bater. Eles batem
na porta dos meus pais e ameaçam toda minha família. Eles têm insultado a minha
pobre e indefesa mãe. Aí, até minha mãe e meu pai começam a me chamar de
imbecil por ter levado à vida deles todos esses problemas, principalmente
quando não consigo dar conta de responder às perguntas com respostas simples.
Eles me chamam de mentiroso e ficam bravos comigo.
Jesus,
eu gostaria que você me dissesse quem é a pessoa mais elevada no Céu que possa
me ajudar com rapidez, ou, então, mande-me alguns guarda-costas me protegerem o
tempo todo. Eu acho que poderia cuidar de mim se você me desse os mesmos poderes
que você tinha quando estava na Terra realizando milagres. Eu também preciso
estar de posse de toda a verdade para poder responder as perguntas eu mesmo,
sem qualquer ajuda sua. Então, por que você não me dá todo o seu poder e
conhecimento para que eu consiga me defender corretamente? (p. 122)
Esta
era a alma que conversava com Jesus Cristo sobre Religião, sobre o Céu e o
Inferno – o Fim dos tempos e a necessidade do arrependimento. De Segatashya, que
assumiu o dever de levar aos homens a mensagem de que todos devem purificar os
seus corações, pois os tempos ficariam difíceis, era preciso se preparar para o
retorno do Senhor à Terra.
Immaculée
Illibagiza – a autor do livro - também perdeu parte de sua família no genocídio
em Ruanda. Escapou da morte por ter ficado escondida em um banheiro minúsculo
durante três meses junto com outras mulheres. Ela escreveu sobre as estudantes que
viam Nossa Senhora. Mas, o seu visionário preferido era Segatashya. O relato
sobre “o menino que conheceu Jesus” é surpreendente. Edificante.
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